4 de setembro de 2015 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Nova colaboradora e bolo de cenoura fofinho

Logo na minha estreia na Capitolina foi escolhido o tema “Conquista” para nortear a edição do mês. Cozinhar para mim é uma conquista. Acho que foi a primeira vez que senti que poderia fazer algo grande e sozinha. Para a menina que eu fui, trabalhar no fogão aos 10 anos sem que estivesse ajudando um adulto era sinônimo de autonomia. E que sensação boa. Daí resolvi ir atrás da minha mãe, Nete, pedir pra ela me ajudar a lembrar qual foi a primeira receita que aprendi a fazer. Bingo: bolo de cenoura! Além de me ajudar a lembrar, mamãe ficou com um tiquinho nostálgica. “Tenho saudade daquele tempo”, escreveu ela no WhatsApp, junto com três emojis tristes. Continuei insistindo sobre o que ela lembrava mais daquele tempo lá atrás. Tanta coisa mudou: eu saí de casa, terminei a faculdade de Jornalismo e continuei morando em Niterói. Lá se vão oito anos daquela época boa de chegar em casa todo dia e ter colo de pai e mãe. “Eu te pentelhava?”, quis relembrar. “Nada. Você sempre gostou de cozinhar, filha, de fazer coisas diferentes”, escreveu ela, encerrando o assunto.

Sempre gostei de cozinhar mesmo. O ato de preparar um alimento, para mim, é uma demonstração de amor sem limites. Penso assim, acho, porque adoro comer. Saio com meus amigos para comer. Como quando estou triste, alegre, ansiosa. Mas, mais do que isso, gosto de servir as pessoas. Nunca tive ânimo para cozinhar se fosse comer sozinha (estou tentanto mudar isso), mas se mais alguém sentasse à mesa também, pronto, não tinha problema. Cozinhar para mim é uma maneira bem particular de mudar o mundo, talvez o meu mundo, aquele que está bem aqui do meu lado.

Comecei a pensar, portanto, que a comida faz de nós o que somos também. Seja o ato de comer ou o de preparar o alimento – ambos dizem muito sobre nós. Eles podem contar a história da vida da gente, mostrar as bandeiras que levantamos, as mudanças que queremos ver (e começamos assim, na panela, no nosso prato). Não tinha pensado sobre isso? Reflita um pouquinho, então. Por exemplo: na minha casa, o gosto por misturar ingredientes e ver o que vem dali foi passado de pai para filha. Minha mãe até se mete na cozinha, mas não gosta muito. A explicação: era obrigada a ajudar no preparo das refeições desde muito nova. Quando não tinha mais a necessidade disso, preferiu não cultivar nem o hobby. Ela está certa. Afinal, ninguém é obrigado a fazer o que não quer. Meu pai, Sandro, por outro lado, adora. A especialidade dele é farofa. No domingo, ele não se incomoda de esquentar a barriga no fogão, desde que alguém lave as vasilhas depois.

O começo da minha aventura foi assim, eu fui inspirada pelo meu pai, curiosa para saber como seria comandar as panelas sozinhas. O primeiro resultado foi um bolo de cenoura. Por isso, eu trouxe essa receita linda, que eu adoro (e meus amigos também), para fazer na minha estreia capitolínica. Muita coisa mudou de lá para cá, inclusive a maneira como me relaciono com o que preparo e com o que como. Posso garantir que a vontade de aprender receitas novas, fazer novas misturas e conhecer novos sabores está mais viva do que nunca (e, assim, ver um pedacinho de mim aparecer para o mundo com essas descobertas). Mas o amor pelo belo de cenoura (<3) permanece intacto.

Então vamos à receita!
Vamos começar, claro, pelos ingredientes. A gente precisa de:

1 cenoura grande
4 ovos
½ xícara de chá de óleo
2 xícaras de chá de açúcar
2 xícaras de farinha
1colher de fermento em pó

ingredientes-bolo-cenoura

Antes de começar, um segredinho: separe as claras das gemas para fazer claras em neve. Ah, mas para quê? Para deixar sua massa mais leve. Eu nunca levei muita fé nisso e tinha pressa para colocar o bolo no forno. Mas minha mãe (aquela pessoa que sempre sabe das coisas, né?!) disse que assim ficaria mais gostoso. Aprendi a ser mais paciente e a bater as claras em neve. O resultado é ótimo.

Se você, assim como eu, não consegue separar na casca do ovo, vai aqui uma dica para não sujar a clara com a gema: quebre o ovo num copo e, em seguida, separe as duas partes. No caso do nosso bolo aqui, a clara vai para outra vasilha, na qual será batida, e as gemas vão para o liquidificador!

clara-gema-bolo-cenoura clara-bolo-cenoura

Voltando à receita: junto com as gemas, você coloca o óleo e a cenoura. Aí é só bater. Eu uso a primeira velocidade do liquidificador e bato até ficar um creme beeeeem lisinho. O próximo passo é colocá-lo num outro recipiente, acrescentar o açúcar e a farinha e bater tudo com a batedeira. Mas se você quiser, pode bater na mão também.
O próximo passo é acrescentar as claras em neve. Aqui, nada de mexer com força. Use a delicadeza para incorporar as claras à massa. Depois, também com jeitinho, coloque o fermento, para seu bolo crescer!

massa-quase-pronta-bolo-cenoura

clara-massa-bolo-cenoura

mistura-bolo-cenoura
Prontinho! Agora você coloca a massa numa assadeira untada (pode ser retangular ou redonda) e, depois de o forno já estar ligado há uns 10 minutos, você coloca lá dentro. Como eu deixo cozinhar entre 180 e 210 graus, leva 45 minutos para estar completamente cozido. Para checar, usar o truque da faca: você espeta uma na massa e, se sair limpa, significa que já está bom. Agora é só partir pra cobertura.

bolo-forno
Enquanto espera, faça a cobertura: Eu sou uma apaixonada por doces e, consequentemente, adoro coberturas de bolo. Além daquela tradicional do bolo de cenoura, que leva manteiga, açúcar e leite (e fica mais ralinha), já coloquei brigadeiro para cobrir a massa de cenoura. Mas, para minha decepção, não ficou tããããããão gostoso. Como cozinhar também é compartilhar (mais um motivo para eu amar fazer isso), aprendi com uma amiga outra receita.

Para essa, você vai precisar de:
1 lata de leite condensado
1 barra de chocolate meio amargo
1 colher de leite

ingredientes-cobertura
Vamos para o fogão, agora? Numa panela, coloque o leite condensado e acrescente o chocolate meio amargo. Vá mexendo até o chocolate derreter e a mistura soltar do fundo da panela, bem como um brigadeiro. Acrescente o leite para deixar a pasta de chocolate mais maleável. Se quiser que ela fique mais mole, pode colocar um pouco mais de leite. Tcharã, está pronta a nossa cobertura.

cobertura-pronta
Agora, com o bolo já desenformado, é só cobrir tudo, comer, dividir e espalhar o amor por aí!

bolo-assado

fatia-mais-bolo-cenoura

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

  • nina

    vou tentar fazer um bolo amanhã pela primeira vez, e vai ser essa receita 🙂

    • luizavilela

      E aí, deu certo? conta pra gente!

  • Fernanda B

    Oi Aline,
    Fiz o bolo ontem à tarde e ficou maravilhoso! Fofinho mesmo e a cobertura é uma maravilha, metade já foi, tenho quase certeza de que quando chegar em casa à noite já não vai ter mais haha :c
    Seja bem vinda! Um beijo

  • Fabiana Pinto

    Arrasou, que delícia!!!

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