16 de maio de 2015 | Ano 2, Edição #14 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
A nova colonização

Sabe quando você aprendeu na escola sobre as grandes navegações, na época do colonialismo? Aprendemos sobre como os europeus saíram em busca de terras, onde teoricamente ninguém havia pisado ainda (na verdade, já tinha gente naquelas áreas, mas né, se não eram europeus, não eram pessoas). Se olharmos bem, essa história está se repetindo agora com a exploração do espaço!

Pensa comigo: lá pelos anos 1400 e tanto, havia muitos mitos sobre o que seria encontrado no caminho até a terra avistada. Naquela época, se perguntavam: “será que encontraremos monstros que vão nos matar?”. Hahaha! Que loucura, né? É estranho pensar sobre como alguém um dia acreditou nisso. Mas… peraí! Quantos filmes de extraterrestres que querem nos exterminar e histórias sobre OVNIs você conhece? Gente, é tão possível que isso um dia se torne engraçado que nem a gente ri dos caras na aula de História! A mesma coisa acontece quando pensamos sobre como os colonizadores achavam que a Terra era plana e que, a qualquer momento, durante uma navegação, o navio podia chegar ao fim dela e cair em um abismo. Será que um dia não será tão sem noção quanto pensar que uma vez acreditamos que o universo é infinito, que é impossível viver em outros planetas? E que viajar para o espaço um dia foi algo que matou seres humanos, mas, com a tecnologia, se tornou tão trivial e fácil quanto andar de ônibus?

Mais um aspecto que se repete: a sensação de superioridade das pessoas que colonizam. Gente, que história é essa de que quem descobriu o Brasil foi Pedro Álvares Cabral?! Conta outra, né? Já havia gente vivendo aqui – e muito bem! – muuuito antes dos portugueses colarem e falarem #étudonosso!!!!!!!!! A mesma coisa na África, por exemplo. Os europeus se apropriaram (e ainda se apropriam) da cultura, das pessoas, dos costumes, e lá se impuseram. Além disso, rolou uma corrida para que um país encontrasse riquezas novas antes do outro. Assim, em todos os países colonizados houve também devastação e apropriação das riquezas que, por direito, eram dos povos que já estavam lá.

Ainda não sabemos em quais planetas há vida e qual tipo de vida pode haver universo afora. Mas fico pensando: será que não estamos nos repetindo? Não nos contentamos mais em exercer o imperialismo dentro do nosso próprio mundo, temos que explorar o máximo e o mais rapidamente possível os outros mundos também. A ambição, literalmente, está alcançando níveis universais! Não sabemos se os outros planetas são habitados, assim como os europeus não sabiam quando estavam buscando novos lugares para colonizar. Mas, da mesma forma que na época isso não importou, minha aposta é a de que não importaria agora. Temos que ir rapidamente, antes de qualquer outro país e explorar ao máximo as riquezas daquele lugar, custe o que custar, por poder. Falando nisso, tem uma viagem para Marte sendo promovida no momento e, claramente, o objetivo dela não é conhecer e explorar (no bom sentido), mas ocupar e ver quem vai colocar sua bandeirinha lá primeiro. A história se repete e qualquer semelhança não é mera coincidência.

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos