22 de junho de 2015 | Ano 2, Edição #15 | Texto: | Ilustração:
A nova língua universal: a linguagem de programação

As linguagens de programação são as formas que a gente tem para se comunicar com as máquinas. Existem várias diferentes, e a primeira começou lá atrás, com a Ada Lovelace. No entanto, elas não são a única coisa necessária para a máquina entender a gente. Para se comunicar mesmo, precisamos transformá-las ainda mais, não só em linguagens diferentes, mas em um formato que ela entenda.

Sabe, não adianta a gente traduzir o texto todo para inglês para, na hora de ler, quem está do outro lado só falar russo e não conhecer o nosso alfabeto. Essa parte do processo é chamada compilar, e quem criou ele foi outra moça de quem já falamos aqui na revista, a Grace Hopper.

Depois que o computador entende aquilo que você quer dizer como algo executável (para ele, isso quer dizer um monte de 0 e 1, geralmente), aí sim ele vai conseguir te obedecer. Na verdade, eu digo computador, mas não são só nossos desktops e notebooks que se comunicam com a gente assim. Até mesmo eletrodomésticos, videogames, todas essas coisas, dependem de softwares que são construídos a partir de alguma linguagem de programação. Não existe uma forma clara de catalogar quais são as linguagens mais usadas entre as muitas que existem. Mas uma pesquisa rápida mostra algumas que aparecem com mais frequência hoje em dia.

Uma das mais usadas atualmente é a programação em C. Muitos softwares, e até mesmo sistemas operacionais, são feitos a partir dessa linguagem. Ela surgiu na década de 1970, e cresceu tanto que várias outras linguagens foram criadas usando ela como base.

Outra linguagem famosa é o Java. Um pouco mais jovem, ela foi criada na década de 1990, e deriva da linguagem C. Ela é uma linguagem que tem o que chamam de portabilidade.

Lembra do tal compilador, que transforma o programa para ser lido pela máquina? Então, no Java isso é feito online, não direto na máquina. Por causa disso, ela pode ser utilizada em um número maior de dispositivos. Os aplicativos para celulares e tablets que rodam Android, por exemplo, são feitos em Java.

Na contramão dessa portabilidade, tem também a Objective-C, que é uma linguagem derivada da C e que era usada pela Apple nos seus aplicativos para celular. No entanto, criaram recentemente uma linguagem nova, o Swift, que se propõe mais fácil e intuitiva de usar.

A partir do final deste ano, a linguagem Swift será open source, ou seja, até a galera da maçã já percebeu que tentar se isolar e se restringir, mesmo nessa área, não faz sentido nos dias de hoje. Quanto mais usos uma linguagem tiver, mais ela evolui.

Existem também as chamadas linguagens interpretadas livres, que não são exatamente linguagens de programação. Dois exemplos disso são JavaScript e PHP, muito usadas para trabalhar na web. Uma linguagem desse tipo pode ser executada dentro de programas ou mesmo dentro de outra linguagem. Elas funcionam por script, ou uma série de funções estendidas que ajudam a controlar ambientes de outras linguagens. Essas linguagens são usadas em jogos, por exemplo, em que uma linguagem script pode ser usada para os jogadores controlarem os personagens sem interferir na estrutura do jogo em si.

As tecnologias estão presentes em cada vez mais áreas das nossas vidas. Saber um mínimo de programação te ajuda a entender melhor o mundo à sua volta e as mudanças nele. Estamos chegando em um ponto em que saber programar se torna quase uma questão de visão crítica de mundo. Todas as grandes inovações e descobertas passam por esse elemento, e os questionamentos que podem surgir precisam passar por ele também. Muita gente tem comparado programar com saber ler e escrever: quando você aprende uma linguagem de programação, quando entende a lógica, pode usar esse conhecimento para se aprofundar e aprender cada vez mais.

Outra coisa importante, e que a gente já falou sobre, é divulgar e incentivar mulheres e meninas a participarem das áreas de tecnologia. Só nesse texto mesmo, temos vários exemplos de mulheres que fizeram parte da construção dessa história, que transformou completamente a nossa realidade. As mulheres são mais da metade da população mundial. Logo, é imprescindível que também façam parte desse meio que tanto influencia nossas vidas. A internet é uma ferramenta que é capaz de nos unir, e permite com que todas essas mulheres incríveis possam ter também sua história contada. Também faz com que a gente perceba que quando dizem que mulheres não sabem programar, nem são boas em determinadas áreas, é só porque quem escreve a história oficial não tem interesse em nos dar voz.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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