12 de abril de 2014 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Beatriz H.M. Leite
Às novas leitoras da Capitolina

Dentre as mais de sessenta meninas que constituem a equipe da Revista Capitolina, onze de nós decidimos compor o grupo que escreveria sobre um assunto divertido e também complexo, mas que nem sempre consegue um espaço nas conversas familiares ou mesmo entre amigos.

Quando decidimos falar sobre Relacionamentos e Sexo, percebemos que cada uma de nós tinha uma história e experiência diferente: algumas começaram a se relacionar amorosamente mais cedo, outras nem tanto; havia meninas cujas primeiras experiências sexuais aconteceram mais tarde que as de outras; umas que tinham um relacionamento com mais diálogo e troca com seus pais e familiares, outras que tinham mais dificuldade com relação a isso; algumas se relacionavam mais facilmente com novos conhecidos, outras eram mais tímidas, algumas se sentiam mais à vontade em relacionamentos monogâmicos, outras encontravam sua felicidade nos relacionamentos abertos; algumas se relacionavam com homens, outras com mulheres, outras com ambos, outras tinham relacionamentos que independiam de gênero e assim por diante. A única coisa que percebemos que todas nós, sem exceção, tínhamos em comum, era o quanto estávamos cansadas de ler em blogs e revistas voltadas para meninas diversas regras relacionadas ao tópico, sobre com quantos anos é certo começar a namorar, com que idade devemos fazer sexo, quantas vezes devemos fazê-lo por mês, com quantas pessoas, como devemos agir para conquistar alguém, como deve ser nossa relação com nossos amigos, com nossos pais ou com quem tenhamos um relacionamento amoroso, etc.

Com base nisso, resolvemos que nossa seção não deve tratar o sexo e os relacionamentos como uma ciência exata, cujas regras se aplicam a todos e a todas, inflexivelmente. É por sermos tão diferentes e termos histórias tão diferentes entre nós que entendemos que cada uma de nossas leitoras também tem uma experiência única, que não poderá ser encaixada em um conjunto de regras.

Tentaremos falar sobre o assunto sem todos os moralismos e premissas tão presentes na nossa cultura. Apesar de nos voltarmos ao público adolescente, queremos tratar de Relacionamentos e Sexo independente de idade. E também independente de orientação sexual, de gênero, de etnia, de classe social. Nosso objetivo é contemplar o maior número de leitoras possível, para que possamos formar uma espécie de conversa que, sabemos, nem sempre é fácil de ter em casa ou até mesmo com amigos e amigas. Por isso, gostaríamos de conhecer as suas experiências, os seus medos e dúvidas, os seus questionamentos, as suas preocupações, para que, a partir daí, consigamos ter uma conversa franca, sem moralismos, sem preconceitos, sem amarras, sem tabus. Sendo o mais abertas possível para todos os tipos de histórias e de pessoas, nosso objetivo é mostrar que nenhuma experiência é errada, que todas temos histórias diferentes e que é possível, sim, ter abertura para tratar o tão divertido, complexo e também infinitamente grande assunto dos Relacionamentos e Sexo.

Para construirmos uma revista para vocês, precisamos construí-la com vocês! Então, mandem suas sugestões, histórias, dúvidas, críticas, ou qualquer coisa que queiram ver na revista ou que achem que devemos mudar nela para o e-mail: contato@revistacapitolina.com.br

Muitos beijos,

Escritoras da área de Relacionamentos e Sexo

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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