8 de março de 2016 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
O 8 de março e a escola
Ilustração: Gabriela Sakata

Hoje comemoramos o 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, e entre presentes descabidos e publicidades machistas, o que isso significa para as meninas estudantes?

Estamos acostumadas a apenas lembrar do 8 de março quando as propagandas se utilizam do dia para vender produtos específicos para as mulheres, certo? Quando a marca de maquiagem diz que é para você ficar mais bonita neste dia, quando a academia dá aquele descontinho especial na matrícula em nossa “homenagem”… quando até nossas mães são presenteadas com uma rosa no trabalho ou em algum lugar aleatório.

Já conversamos um pouco sobre a história do dia 8 de março, que representa um marco histórico para o movimento feminista, mas a maneira como ele é lembrado (às vezes, nem isso) faria revirar no túmulo qualquer mulher que morreu antes de ter seus direitos reconhecidos, apesar das reivindicações —que acontecem há séculos.

E se nós ainda pouco ou quase nada nos importamos com o 8 de março, a escola tem um papel crucial nesse contexto. Quem aqui se lembra de ter discutido a história do movimento feminista em sala de aula? De ter ouvido falar do nome de alguma mulher importante, alguma autora ou ativista? Quem aqui sabe por que temos o 8 de março, e se há, de fato, algo para se comemorar?

Pois é, eu também não. Meu primeiro contato com o feminismo foi bem tardio, quando eu já estava no ensino médio, e não foi em sala de aula. Isso porque as disciplinas de história, geografia, sociologia e filosofia ignoram magistral e vergonhosamente os temas feministas, relegando-os ao segundo plano, ou sequer chegam a tratar destes assuntos. Antiguidade clássica, idade média, absolutismo, etc etc, foram todos períodos que passaram sem um registro sequer de levantes femininos, certo? Só que não, né.

Mulheres foram tão protagonistas da história da humanidade como foram os homens, é só que a história e as ciências humanas (e também as exatas) foram sistematicamente dominadas pela perspectiva machista. Personagens femininas são retratadas —quando são retratadas— como secundárias e pontos fora da curva, quando, na verdade, foram muito importantes para produzir o conhecimento que temos hoje.

Portanto, neste 8 de março, que tal relembrarmos as lutas das mulheres do nosso passado? Discutir com nossos colegas e professores a importância de aprender sobre a trajetória do feminismo, sobre as conquistas, e, mais importante, sobre o que ainda falta ser conquistado? A escola já não pode apagar e silenciar as mulheres do passado, presente e futuro, não mais.

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Gabriella Beira
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Gabriella Beira é formada em Relações Internacionais e, como qualquer "internacionalista" (é assim que se chama a pessoa que estuda RI), quer conhecer o mundo todo e, se possível, mudar o mundo. Gosta muito de falar sobre educação, cultura, sociedade e feminismo, mas seu hobby mesmo é jogar Plants vs Zombies. É impaciente, procrastinadora, irmã mais velha e aluna mediana.

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