21 de novembro de 2015 | Ano 2, Edição #20 | Texto: | Ilustração:
O fascinante universo dos podcasts

Em 2001, a Apple lançou o primeiro iPod e, com essa maravilha moderna, mudou nossa relação de consumo de áudios e músicas. Passamos a levar conosco um pequeno objeto que tinha a capacidade de armazenar diversos arquivos. Com isso, o dispositivo idealizado por Steve Jobs para revolucionar a industria fonográfica abriu muito mais portas do que se podia imaginar.

Os podcasts, que ganharam seu nome em homenagem ao aparelho da Apple, no entanto, devem sua existência não só ao aparelho da maçã. Existem outras invenções tecnológicas sem as quais seu surgimento não seria possível. Os dois principais são a capacidade de compactação do formato .MP3 e o desenvolvimento da tecnologia de feed, que permite notificações ao usuário quando os canais que ele acompanha tem novo conteúdo disponível.

Nesse contexto tecnológico, começaram a nascer publicações que, inicialmente, foram chamadas de audioblogues. E por volta de 2004, a popularidade do formato cresceu tanto que os profissionais de rádio passaram a prestar mais atenção nesse novo formato midiático e muitos produtores passaram a considerar e até mesmo a produzir seus próprios podcasts.

No entanto, a promessa da revolução que seria trazida pelos podcasts só seria possível depois que a tecnologia avançasse um pouquinho, facilitando a produção, o consumo e até mesmo o financiamento. Com os smartphones, o crescimento do desenvolvimento de mobile apps e o surgimento do crowdfunding como modelo de negócios, os podcasts tiveram um novo gás por volta de 2010. E em 2014, quando o mundo se deparou com o fenômeno de audiência Serial, todos tiveram certeza, essa mídia veio para ficar.

Mas vamos parar um pouco o papo tecnológico e partir para o que eu acho que seja a essência que fizerm os podcasts saírem do nicho e passarem a ser mainstream: storytelling.

No Brasil, o conceito de podcast por muito tempo ficou sendo o de bate-papos de uma galera a respeito de um tema específico, no modelo do NerdCast e do 99vidas. Mas nos últimos anos e, especialmente após Serial, começaram a surgir novos formatos de podcasts nacionais.

O storytelling, que nada mais é do que técnicas de se contar uma história, possibilitou narrativas ficcionais, como o surrealista Welcome to Night Vale e seu equivalente nacional A voz de Delirium, assim como narrativas biográficas, como o Projetos Humanos e o gringo Strangers.

O grande trunfo de um podcast é prender a atenção de seu ouvinte. Os grandes programas têm feito isso através de uma produção capaz de editar o conteúdo de forma a contar uma história.

Em Serial, que reconstrói um crime que aconteceu em 1999, talvez seja mais fácil identificar isso do que em programas como o 99% invisible, que fala sobre o design de coisas. Mas o fato é: existe um universo fantástico a ser explorado pelos podcasts e estamos apenas começando a compreender o que verdadeiramente podemos fazer com essa nova mídia. Se você adora narrativas, vou deixar só uma dica: dá uma chance pros podcasts. Você pode se surpreender.

Lúcia Dos Reis
  • Coordenadora de Social Media
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Colaboradora de Literatura

Lúcia dos Reis, pequena em tamanho e gigante em ambições. Não sabe se isso é bom ou ruim, mas tampouco se importa. Vive entre letras e códigos, entre o papel e o pixel. Ganhou aplausos na FLIP 2015 com comentário feminista sobre Star Wars e queria deixar isso registrado em algum lugar desse mundo maravilhoso das interwebs.

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