10 de novembro de 2014 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração:
O figurino de Milena Canonero

MilenaCanonero-IsadoraM

 

Ilustração: Isadora M

Você já parou para pensar o que os vestidos de Maria Antonieta, no filme de Sofia Coppola, os vestidinhos azuis das gêmeas de O Iluminado (The Shining,1980) e o uniforme de Zero, em O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014) têm em comum? Se já, com certeza chegou ao nome de Milena Canonero.

A figurinista italiana, que começou a carreira fazendo teatro e publicidade, foi descoberta por Stanley Kubrick e sua primeira oportunidade no cinema foi nada menos do que idealizar o figurino de Laranja Mecânica (A Clockwork Orange,1971). Mais de quarenta anos depois, as pessoas continuam reproduzindo a roupa de Alex e companhia em qualquer festa a fantasia, provando que desde os primeiros passos seu trabalho já era marcante.

O reconhecimento não demorou a vir e em seu filme seguinte, Barry Lyndon (1975), foi premiada na categoria de melhor figurino do Oscar. Ela concorreu mais sete vezes, ganhando duas, por Carruagens de Fogo (Chariots of Fire, 1981) e Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006).

Com cerca de quarenta filmes na carreira, ela já fez todo tipo de filme: suspenses, históricos, shakespearianos, comédias e futurísticos. Não podemos traçar um estilo determinado, já que para cada produção ela busca novas referências fazendo com que cada figurino seja único.

No filme Titus (1999), por exemplo, apesar de ser uma adaptação de Shakespeare, a diretora Julie Taymor quis dar um tom surrealista. Baseada nisso, Milena criou um figurino caracterizado por ela mesma de retrô-contemporâneo-futurista. Para ela, seria mais fácil simplesmente situar um figurino de época, mas para esse filme, era necessário mais que isso. Já em Maria Antonieta, a inspiração foi a caixinha de macarons Ladurée. Suas cores foram usadas como um guia para os figurinos da corte francesa.

Para Milena, a profissão é muito diferente de um designer de moda, pois você não está criando uma coleção sua. O trabalho colaborativo com as outras áreas, como direção, cabelo e maquiagem, é fundamental para criar um look geral da obra.

Mais do que simplesmente vestir o elenco, o figurino serve para ajudar a contar a história, localizar determinada época, reforçar a estética escolhida pela direção e caracterizar o personagem. Olhando o trabalho de Milena Canonero, pode-se dizer que ela faz isso com maestria.
O Grande Hotel Budapeste, 2014.

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Maria Antonieta, 2006.

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Titus, 1999.

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O Iluminado, 1980.

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Laranja Mecânica, 1971.

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Gostou? Nesse site você pode conferir fotos de muitos outros trabalhos dela!

 

Bárbara Camirim
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Camirim tem 25 anos, mora no Rio de Janeiro e acabou de se formar em Comunicação Social. Está aos poucos descobrindo o que quer fazer da vida. Gosta de cinema, séries, literatura e, na verdade, qualquer coisa que envolva ficção.

  • http://www.vintaholic.tumblr.com/ Anna Limazzi

    Essa mulher é fantástica e inspiradora. Sou estudante de figurino, e é verdade: Figurinista não tem nada de estilista!

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