6 de julho de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Bia Quadros
O funk é das mulheres

O reality show Lucky Ladies (2015) pode até ter inúmeros problemas de apropriação cultural, porém é inegável que o sucesso do programa da Fox, comandado pela pioneira Tati Quebra-barraco, levou uma maior visibilidade para as mulheres do funk.

Empoderador por ser um dos únicos meios onde a mulher de baixa renda consegue expressar sua sexualidade sem ser oprimida, o funk é um gênero diverso que agrega letras com apelo social, feminismo e até proibidão lésbico. Tem funk pra todos os gostos;

https://www.youtube.com/watch?v=FHm5BpRRea8

MC Carol – A Carol, de Niterói, é conhecida por sua personalidade e letras irreverentes. Desde o seu primeiro sucesso “Minha vó tá maluca”, Carol não cansa de quebrar padrões; já cantou em francês e faz duras críticas a gordofobia, escrevendo recentemente sobre o assunto em um post no Facebook: “Acabou essa palhaçada de que precisa ser magra para ser gostosa, ser aceita, ser amada e blá blá blá blá… Quem tem que me aceitar sou eu. Sou gostosa, sou feliz, sou sexy, sou gorda, desejada e muito amada!”

Em sua mais nova música de trabalho, “Não foi Cabral”, Carol critica o ensino da história tradicional, o explorador Pedro Álvares Cabral e a matança de índios no Brasil.

https://www.youtube.com/watch?v=uYvhzBIXIb0

Sapabonde – É um grupo de mulheres lésbicas de Brasília mais conhecido por seu funk “proibidão” com forte apelo junto ao público LGBT. Com letras sobre proezas sexuais, o Sapabonde é um grande defensor da liberdade que o funk proporciona.

https://www.youtube.com/watch?v=cYueotnLWLY

Deise Tigrona – você se lembra do funk que a cantora inglesa M. I. A gravou? Segundo o produtor Diplo, a música “Bucky Done Gun” foi inspirada no som da Deise; mais especificamente a música “Injeção” de 2003. Famosa por seus “proibidões” e letras de duplo sentido, Deise Tigrona foi uma das mulheres pioneiras no funk; ela é uma figura tão importante para o funk carioca que já se apresentou no Rock in Rio Lisboa e em outros palcos da Europa. Mais recentemente, Deise se enveredou pelos caminhos pouco explorados do eletro funk o que resultou em música como “Prostituto”.

https://www.youtube.com/watch?v=XYqD-Mg8rYo

MC Sabrina– Ela começou ainda menina no funk melody (você deve se lembrar das músicas “Dessa vez” e “Implacável”. Hoje, mais madura, Sabrina tem um repertório variado; ela canta sobre suas vivências na comunidade em que cresceu, “proibidões” e sobre sua sexualidade.

https://www.youtube.com/watch?v=7Jf7QoW5j8w

MC Mayara – Mais conhecida por sua música “Teoria da Branca de Neve”, Mayara, que é curitibana, começou a compor quando ainda era adolescente. Feminista, ela já declarou que o objetivo de suas letras é aumentar a liberdade sexual das mulheres. “A mulher sempre teve que ser mais reservada que o homem. Isso é totalmente errado. Se o homem tem várias, ele é garanhão. Já a mulher é taxada como piranha. Isso tem que acabar. Se todos pensassem em igualdade de direitos, não seria assim. Minhas letras são uma forma de lutar contra o preconceito contra a mulher.”

https://www.youtube.com/watch?v=gS4QG499nc4

MC Xuxú – Nascida em uma comunidade de Juiz de Fora e uma das únicas representantes trans no mundo do funk, MC Xuxú canta sobre inclusão social e preconceito. Xuxú considera suas músicas como armas de defesa contra a transfobia que sofre diariamente.

https://www.youtube.com/watch?v=Rvq7R9dwJ3U

Ludmilla – Antes conhecida como MC Beyoncé, Ludmilla fez sucesso no YouTube com a música “Fala mal de mim” de 2012. Ludmilla aboliu o apelido quando assinou contrato com uma gravadora; suas músicas passaram a ter uma pegada pop e seu apelo popular cresceu. Apesar de seus inúmeros hits, Ludmilla ainda é a principal compositora de suas músicas; 7 das 12 canções de seu último álbum foram compostas por ela.

Giulia Fernandes
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

Giulia Fernandes, 17 anos, Rio de Janeiro, estudante. Meus interesses são: film noir, batons roxos, criptozoologia, árvores centenárias, garimpar livros e LPs, colecionar caracóis e algumas vezes outras coisas também.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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