17 de março de 2015 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração: Clara Tibery Rende
O guia da mochileira dos vestibulares – ou “não passei no vestibular, e agora?”

Todo mundo que já viveu a experiência de prestar vestibular – os dias passados resolvendo provas antigas, pesquisando as melhores (e possíveis) faculdades para o seu curso, fazendo um simulado diferente a cada semana, esperando a bendita nota de corte sair, e passar o tempo inteiro achando que você não está fazendo o bastante – sabe que é um dos períodos mais estressantes da vida. E, é claro, depois de todo esse esforço, nós não queremos nada além de conseguir uma vaga na universidade dos nossos sonhos. Mas e quando isso não acontece?

1. Não se desespere.

É natural que, logo após o resultado indesejado, você se sinta um pouco frustrada. E eu digo isso por experiência própria: como a pessoa levemente dramática que eu sou, eu cheguei até a chorar quando vi que não tinha conseguido a nota de corte para Jornalismo na Fuvest. Mas aí eu percebi que é preciso levar em conta uma série de coisas que, por mais batidas que pareçam,são verdade: o vestibular é um exame extremamente concorrido (e, para algumas carreiras e universidades, ainda mais), existe a possibilidade de a prova ter sido puxada justamente naquela matéria que você tem dificuldade e, muitas vezes, o nervosismo foi tanto que você genuinamente esqueceu de algumas coisas. E talvez você realmente não estivesse preparada o suficiente, o que não é o fim do mundo nem de longe e pode ser resolvido facilmente com um plano de estudos adequado.

2. Veja este ano como uma oportunidade.

Antes de qualquer coisa, não veja este ano como um “ano perdido”: além de ser um ano extra de preparo – no qual você terá tempo de melhorar quaisquer pontos fracos – também é um ano que você pode usar para refletir sobre o caminho que você está tomando. Principalmente para aqueles que acabaram de sair do colégio e, consequentemente, de um turbilhão de pressão para escolher uma carreira, um tempo maior para amadurecer e pensar no que você realmente quer talvez seja de grande ajuda.

3. Lembre-se de que não existe um “tempo certo” pra nada.

Por mais que tentem colocar na nossa cabeça (e que a nossa ansiedade acabe nos convencendo disso) que o caminho “natural” é saber exatamente o que você quer fazer pro resto da vida aos 17 anos, sem nenhuma experiência prévia, e sair direto do ensino médio pra faculdade, a verdade é que a vida tem milhões de outras possibilidades. A Ana Maria, colaboradora de artes da Capitolina, por exemplo, precisou passar por três meses de cursinho, dois anos cursando Arquitetura e Urbanismo, cinco vestibulares, e seis meses desligada da vida acadêmica para perceber que o que ela verdadeiramente desejava fazer era Artes Plásticas. Agora, ela está tentando ingressar no curso por via do Enem e espera que consiga passar, mas, se não der, ela vai estar tranquila do mesmo jeito e o mundo não vai acabar.

4. E, por fim, não se esqueça de que essa é só uma parte da sua vida.

O seu desempenho no Enem, Fuvest ou qualquer um desses vestibulares não te define. Não é só porque você não conseguiu uma vaga que você não “presta pra nada”. A única coisa que esses testes medem é a sua capacidade de lembrar de uma quantidade limitada de coisas sob pressão – o que, se você pensar, não é mesmo uma análise apropriada das suas habilidades e muito menos do seu valor como ser humano. Então relaxe, reflita e foque no que você quer: você ainda tem muitas chances pela frente, e muitas outras coisas para desfrutar.

Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

  • Muniky Hellen Andrade

    Estou no meu segundo ano de cursinho. Tentei algumas porucas faculdades no ano passado e agora aqui estou eu para mais um ano de tentativas. A parte difícil da coisa é você aceitar que não passou, por muito ou por pouco, sempre vai doer e você vai ficar pensando: “mas eu estudei tanto…” e todos os outros também. Vestibular é algo muito louco, ficamos nervosos e, por experiência própria, chegamos a passa mal. A dica que eu dou é (falo isso porque chorei horrores quando vi que tirei uma nota horrível justamente na faculdade que eu mais queria): Não se desespere, a vida segue, sempre temos tempo, não estamos ficando velhos para nada! Se alguém disser: “porque não tenta outra coisa? Tal faculdade é tão difícil…” diga: Não me importo com a dificuldade, me importo com minha felicidade. E caso você entre na faculdade no ano que vem e não goste do curso, não tenha medo de sair e passar por todo o processo de novo! A vida é sua!

  • http://cosmocinese.blogspot.com.br/ Bruns

    Eu me desesperei muito quando eu não passei. Na verdade eu só passei em faculdades que não tinha como eu estudar, porque eram longe e porque quando eu cheguei eu vi que não gostava tanto do curso para valer o sacrifício. Eu agora tenho 22 anos e fiz um curso técnico que apesar de não ser boa foi muito bom e eu gostei. Mas me doí um tanto quando faço inscrição para alguma coisa e falo que minha escolaridade é ensino médio. Mas eu acabei de pagar a unicamp, pois não custa nada. Eu sei que tenho que me esforçar muito para entrar num lugar e ter que aguentar preconceitos e gente babaca comigo e no final isso não quer dizer uma vida estável financeiramente e socialmente. Mas né vamos tentar.

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  • Lari

    Esse texto é maravilhoso <3
    Eu passei por essa experiência duas vezes quando tentei vestibular para engenharia civil. Na primeira vez já esperava não passar, mas na segunda foi um baque enorme, fiquei totalmente sem chão. É tanta pressão para você escolher o curso e depois passar em uma universidade, que no meu caso era pública, que é demais quando você é insegura e mais jovem. Lendo seu texto lembrei de todo o sofrimento que eu passei, principalmente depois para recolocar em ordem a vida. O resultado foi que fiz cursinho por 6 meses, mudei totalmente de curso e passei. Estou indo para o segundo ano de jornalismo e percebo que tudo tem seu tempo! Acredito que com 17 anos não teria aproveitado tanto quanto aproveitei com 19 o primeiro ano da faculdade.
    Não sei se você conseguiu passar em jornalismo. Se sim curta muito. Se não, persevere, uma hora dá certo 🙂

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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