21 de fevereiro de 2016 | Ano 2, Edição #23 | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
O melhor de dois (ou mais) mundos

Há uns dias – dois dias antes de escrever esse texto –, eu terminei de ler o segundo livro da minha trilogia favorita do momento, Red Rising do americano Pierce Brown, e esse tema não poderia ter vindo em melhor hora já que a primeira coisa que disse quando li a primeira linha da sequência foi “mas que saudade que eu estava desse mundo!”.

Mas a minha paixão pelo universo distópico dessa história que se passa em lugares como Marte, Europa, a lua de Júpiter, e a nossa Lua, não foi minha primeira e certamente não será a última.

Foi, especialmente com a ajuda desses diversos mundos diferentes que já visitei, que superei tristezas, pude aprender com os erros e acertos de cada personagem e conquistei confiança em mim mesma, e é incrível como isso pode acontecer de diversas maneiras.

Quando vai muito além das páginas…

Sou uma criança criada por Hogwarts e doutrinada pelos ensinamentos de Dumbledore. A primeira experiência com um universo rico e “simpático” a ponto de fazer você se imergir nele veio através da facilidade com que o cheiro das páginas dos livros já usados que foram herdados por mim de um primo se misturaram ao ambiente do castelo. Foi como se uma máquina do tempo tivesse me levado a 1991 e àquele lugar cheio de magia. Nesse caso, a identificação imediata se deu graças à química dos personagens e a sensação de amizade que eu tinha com todos eles.

Logo leitores de todo o mundo estava abraçando o universo criado por J.K. Rowling e esperando juntos ansiosamente por suas cartas de Hogwarts, os convidando a pegar o trem dia 1º de setembro. Muito embora o final do último livro tenha deixado muitos de nós com um buraco no coração, o capitalismo faz seu papel muito bem e sempre providencia alguma coisa para acalmar nossas almas e nos fazer ter uma experiência sempre maior e mais prazerosa, especialmente coisas como livros de “história” bruxa como Quadribol Através dos Tempos e o conjunto de parques da Universal Studios, nos Estados Unidos, que nos leva para um passeio pelo Beco Diagonal e por Hogsmeade.

O universo favorito da maioria das pessoas da minha geração está em constante expansão, e a única pergunta aqui é: de que casa você é?

Quando você quer virar miga de todos os personagens…

É difícil não se identificar com Cath e querer ser miga dela, sentar na cama, ler as fanfics que ela escreve e tudo mais. Os universos criados por Rainbow Rowell são sempre cheios de personagens muito ricos com os quais você se importa, torce e até sente vontade de dar uns tapas de vez em quando. No caso de Fangirl, Cath e sua crise de ansiedade em diversas situações só fazem com que esse universo te abrace a cada página, te mostrando que você não tá mesmo sozinha.

O mais incrível é que as gêmeas da história, Cath e Wren, são elas mesmas apegadas a um mundo fictício, o mundo de Simon Snow na escola mágica de Watford, bem parecido com o nosso Harry Potter. Enquanto elas mesmas parecem escolher aquele mundo em detrimento de qualquer outro e se sentem absolutamente confortáveis falando/escrevendo sobre ele, a autora conseguiu nos fisgar pra essa história de amor e magia a ponto de sairmos correndo pra comprar Carry On, a história de Simon e Baz, e nos enfiarmos em mais um universo potencialmente abraçável.

Quando você se sente parte integrante daquele universo…

E voltamos à trilogia Red Rising. Era bastante difícil pra mim acreditar em qualquer concepção de futuro distópico, mas ler esses livros – os dois primeiros – me fez não só acreditar que tal realidade é possível como despertou em mim a vontade de fazer parte daquele mundo, muito embora erradíssimo e com muito a ser consertado. Cada começo de capítulo ou de livro é um reencontro com um grupo de amigos que estão passando pela mesma situação que eu, e me pego diversas vezes tentando adivinhar o que se passa na política e na cabeça desses personagens. Estou tentando ajudar Darrow, o protagonista, a arrumar uma solução simplesmente porque sinto que faço parte daquilo. Choro com suas perdas e dou risada com as suas vitórias, exatamente como faço com qualquer outra amiga, e isso é lindo.

Viver em outros mundos não é a negação da sua realidade e do fato de que você não pode mudá-la e sim construir um mapa mental de portos seguros, lugares para onde pode correr sempre que achar que sua realidade precisa de uma pausa. E tudo bem!

Duds Saldanha Rosa
  • Coordenadora de Esportes
  • Ilustradora

Duds Saldanha Rosa, 22 anos, bitch with wi-fi, so indie rock is almost an art. Não sou parente nem do Samuel Rosa, nem do Noel Rosa, nem do Carlos Saldanha, mas gostaria de ser. Sou paulista-paraibana, designer, ilustradora e seriadora avídua. Faço yôga para aquecer minha mente e escrevo no Indiretas do Bem para aquecer meu coração. Doutora em ciências ocultas, filosofia dogmática, alquimia charlatônica, biologia dogmática e astrologia eletrônica. Cuidado: femininja e aquário com ascendente em virgem. Você foi avisado.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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