27 de junho de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Helena Zelic
O mito do homem de atitude

Quem já passou por essa situação? Você gosta do menino e ele gosta de você. Vocês se encontram em festas, se falam o dia todo por mensagem, trocam olhares… mas nada acontece. Que frustração! Aí comentamos com nossas amigas e alguém solta: que menino bundão! Falta atitude.

Atitude?

Tomar iniciativa, chamar para sair, dar aquele primeiro passo para um beijo e pagar as contas são o que chamamos de atitude, algo que, na nossa sociedade, é esperado do homem. Mas não precisa ser assim. A atitude é apenas um passo para o que DEVE ser um sentimento mútuo. As regrinhas de “quem vai primeiro” não deveriam existir porque isso é de cada um: dar o primeiro passo é mais difícil para algumas pessoas do que para outras, independentemente de gênero.

O maior problema da ideia de atitude masculina é o senso de direito que isso cria nos homens: a ideia de que quando um deles decide tomar uma atitude, a mulher deve dar consentimento. São esses homens que acham um absurdo que mulheres de saia curta na balada os rejeitem. São esses homens que se irritam quando ficam com uma garota e ela não quer transar com eles. São esses homens que reclamam de quem não dá bola como se isso para eles fosse uma obrigação. A atitude masculina não é um passe livre para ficar com ninguém — só o consentimento verbal é uma confirmação de desejo.

Mas esse texto não é sobre os profundos problemas da nossa sociedade e questões de consentimento. Esse texto também é sobre duas pessoas tímidas, que não conseguem expressar seus sentimentos. Cada um tem seu jeitinho e flertar é difícil, então imagina tomar uma atitude! É ruim demais. Queria dizer que existe um sinal mágico que nos faz perceber que a pessoa tá querendo te tascar um beijo, mas além do olhar triangular, são poucas as vezes que tenho certeza. Então, o que digo é: quando te der vontade de beijar alguém, beije. Não espere que a atitude venha do homem, não ache que tomar atitude seja apenas papel deles. Espere que existam meninos tão tímidos quanto você, que ficam tentando interpretar cada sinal para possivelmente entender se você quer ou não ficar com eles.

Também não se sinta mal caso você tenha a impressão de que nunca vai conseguir tomar a atitude. A questão é essa: cada um tem que fazer o que se sente confortável, sempre. Mas cá entre nós? Tomar atitude e finalmente ficar com uma pessoa que você queria há muito tempo é superemponderador. 😉

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

  • Priscilla Dórea

    Adorei, é bem isso. Tava pensando outro dia que na maioria das vezes algo que foi importante para mim sempre fui que tomei a iniciativa, e forma ou outra valeu a pena!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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