29 de junho de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
O mundo das Spice Girls

Como muitas outras garotas que viveram sua infância e pré-adolescência na década de 90, eu era, de verdade, alucinada pelas Spice Girls. Tinha minhas Barbies da Emma e da Geri, um pôster do álbum Spiceworld na parede, CDs na minha estante e muita voz pra cantar as músicas delas – mesmo que tudo errado -, porque elas me faziam muito feliz. Quando resolvi escrever sobre elas para a Capitolina, pensei “Porque não rever o filme O mundo das Spice Girls (Spiceworld, 1997) para me empolgar mais ainda?” e foi exatamente isso que eu fiz.

Antes de mais nada, vamos apresentar essas meninas incríveis. Em uma cena musical britânica com muitas boybands como o Take That e o East 17, produtores começaram a se perguntar “Porque não temos uma banda só de meninas?”. E assim, depois de testes e mais uma pá de coisas, nasceram as Spice Girls. Uma banda totalmente composta por meninas, cada uma de estilo tão diferente entre si, mas incríveis juntas e super amigas.

Como a música “The Lady is a Vamp” mesmo apresenta, temos Scary, Baby, Ginger, Posh e Sporty, ou seja, respectivamente: Melanie B, a deusa negra do grupo, com muita atitude e um vasto guarda roupa de botas e animal prints; Emma Bunton, a loira fofinha do grupo, sempre com um pirulito na boca e roupas de tons pastéis; Geri Halliwell (e, particularmente, minha favorita do grupo), ruiva provocante feminista maravilhosa, aquela mesmo que usava botas até o joelho e deixou famoso o vestido com a bandeira do Reino Unido; Victoria Adams (agora Beckham), morena fashionista que estava sempre munida de seu pequeno vestido da Gucci (ou de qualquer outra marca de alta costura); e, por último, mas não menos importante, Melanie C, a esportista do grupo, identificada por seus abrigos da Adidas e seus mortais pelo meio do palco.

 

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É claro que essas são só as pré-concepções e estereótipos que temos e como elas foram divulgadas pela mídia. Revendo o filme de 1997, várias coisas me chamaram atenção hoje, mais crescida, que com certeza eu nem tinha reparado na época, mas que provavelmente me marcaram e me ajudaram a ter o pensamento que eu tenho hoje. Uma das principais é o fato de que elas carregavam a bandeira do girl power em qualquer momento, em qualquer situação, inclusive em suas roupas. A Emma, logo no início do filme, veste uma camiseta com os mesmos dizeres.

Outra coisa que, com meus poucos 7 anos, não havia percebido é o discurso feminista que a Geri profere em diversos momentos. Não só no filme, como em várias outras entrevistas que acabei assistindo nesse meu surto de Spice Girls tardio. Ela levanta essa bandeira, com argumentos como igualdade de salários, entre tantos outros pontos pelos quais ainda lutamos hoje em dia. Não que ela seja a única, mas é a mais ativa das cinco garotas.

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            Fora esse papel político em entrevistas e nas atitudes, parei para analisar as letras das músicas e encontrei trechos muito importantes sobre amor próprio, cumplicidade entre amigas e sobre ser sempre positiva, não importa as adversidades da vida. Como, por exemplo, “Do It”, do álbum Spiceworld, homônimo e contemporâneo ao filme.

É apenas outra coisa, você tem que ter bastante atenção

Faça o que sua mamãe diz

Eu não receberei ordens “Mantenha sua boca fechada

Fique com as pernas cruzadas, volte para o seu lugar”

Sem culpa, sem vergonha, donzela em desgraça

(…)

Você deve mostrar o que sente, não esconda

Não importa a sua aparência, apenas como você se sente

Venha e faça isso, você precisa tornar real

Venha e faça isso, é hora de libertar o que há na sua alma

(…)

Lembre-se que coisas desse tipo deveriam ser vistas e nunca ouvidas

Tenha um pouquinho de respeito por mim,

E você também será respeitado

(…)

Talvez você faça a coisa errada pelo motivo certo

Não faça a coisa certa apenas para ser agradável

(Tradução livre)

            Não satisfeitas em fazer várias meninas do Reino Unido cantarem suas músicas maravilhosas e cheias de ensinamento, elas também dominaram o mundo. Segundo a revista Rolling Stone, as Spice Girls foram o maior grupo de indivíduos a serem reconhecidos individualmente em larga escala desde os Beatles, e, convenhamos, isso quer dizer muita coisa.

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            Bem sucedidas e símbolos da cultura pop dos anos 90, elas espalharam o girl power pelo mundo inteiro, mostrando sobre sororidade para que uma geração inteira de meninas viessem a crescer com esse pensamento em mente, mesmo que de forma imperceptível. As Spice Girls duraram pouco (6 anos na primeira formação – de 1994 a 2000 – chegando a se reunirem em 2007 até 2008 e em 2012, culminando na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres), mas deixaram o seu legado para a geração dos anos 90, as posteriores e, quiçá, as anteriores.

Três álbuns, três turnês mundiais, um filme, muitos produtos de merchandising, tendências de moda, um musical no West End (a Broadway britânica, localizada em Londres), uma legião de fãs e muita audácia feminina tornaram as Spice Girls um fenômeno mundial e dos nossos corações.

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Se você quiser saber um pouco mais sobre elas, existe o documentário The Spice Girls Story: Viva Forever! (2012) que tem tanto no catálogo do Netflix brasileiro quanto no Youtube. Ambos em versões legendadas.

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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