18 de abril de 2014 | Ano 1, Edição #1 | Texto: | Ilustração:
“O que aconteceria se falássemos a verdade?”: quadrinistas & identidade

Histórias em quadrinhos são uma novidade para mim. Tirando aquelas que li durante a minha infância, não imaginei que na vida adulta quadrinhos estariam entre as minhas escolhas de leitura. Quando pensava em quadrinhos, pensava nas tiras do jornal ou nos de super-heróis, que não me interessavam.

Mas isso mudou ano passado, quando um amigo me emprestou Fun home: Uma tragecomédia em familia, da quadrinista Alison Bechdel. É uma autobiografia, uma busca por identidade: Bechdel explora sua sexualidade e paralelamente relembra sua infância, principalmente o relacionamento com o pai, que nunca assumiu sua homossexualidade e viveu oprimido enquanto trabalhava no negócio da família – uma funerária.

Fun home, de Alison Bechdel

Fun home, de Alison Bechdel

Fun home tinha tudo a ver comigo. Nossa adolescência é refletiva: curtimos a vida, mas sofremos buscando quem somos no mundo. A honestidade de Bechdel nos quadrinhos me levou a uma zona de conforto, na qual eu também posso ser honesta sobre minha família disfuncional e minha descoberta da sexualidade. Foi assim que comecei a buscar quadrinhos desenhados e escritos por outras mulheres – são vários e são muitos bons:

    • Persépolis, por Marjane Satrapi, um dos quadrinhos mais comentados dos últimos tempos, já foi adaptado em um desenho animado dirigido pela própria autora. Satrapi nasceu no Irã. No livro, ela descreve como foi viver durante e depois da Revolução Iraniana. Marjane Satrapi descreve a história do Irã e sua história – ao deixar de ser menina e virar mulher, traz a realidade de alguém que vive em um país com situação política tumultuada para um lugar mais próximo da vida de suas leitoras.
Persepolis, de Marjane Satrapi

Persepolis, de Marjane Satrapi

    • Adeus-tristeza: a história dos meus ancestrais, por Belle Yang, que assim como Marjane Satrapi, misturou a sua história pessoal com a história de seu país, a China. Yang nunca havia se interessado pelas histórias que seu pai contava sobre a China Antiga, mas em um período de ansiedade e introspecção, busca sua identidade e reconta a história da dinastia Yang.
Adeus tristeza, de Belle Yang

Adeus-tristeza, de Belle Yang

    • Marbles: mania, depression, Michelangelo and me: a graphic memoir, por Ellen Forney, é um dos que eu mais gostei até hoje. Ellen Forney descobre que é bipolar com 30 anos. Ela conta como aprendeu a conviver com picos de mania e abismos de depressão enquanto trabalha como desenhista. Durante seu tratamento, que envolveu inúmeras tentativas de equilibrar remédios e consultas constantes a terapeuta, Forney descobre que sua doença foi diagnosticada entre várias mentes brilhantes e criativas ao longo da história. [N.E.: Infelizmente, este livro ainda não foi traduzido para o português, mas é uma ótima recomendação se você sabe ler em inglês!]
Marbles, de Ellen Forley

Marbles, de Ellen Forley

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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