5 de novembro de 2015 | Edição #20 | Texto: | Ilustração: Beatriz H. M. Leite
O que é esse tal de ouvido absoluto?

Desde que nasci, sempre tive um contato muito próximo com a música. Desde antes de nascer, na verdade. Minha mãe, hoje formada em educação musical, dava aulas particulares de piano em casa quando estava grávida de mim e, depois disso, oscilei entre assistir às lições diretamente do meu berço ou do carrinho de bebê por muito tempo.

Aos 7 anos, resolvi que também queria ter aulas de piano. Pouco tempo depois, no entanto, mudei de ideia e queria porque queria aprender a tocar violino — não me pergunte de onde veio essa obsessão, eu nunca soube. Então, aos 9 anos, mamãe me levou para minha primeira aula — com um violino muito maior do que os meus bracinhos.

Em alguns meses já estava aprendendo a ler partituras, e em meio às aulas de teoria e os diversos termos com os quais me familiarizei, um deles sempre me fascinou: ouvido absoluto.

Mas, afinal, o que esse nome tão imponente quer dizer?

Uma pessoa que tem ouvido absoluto é capaz de reconhecer e reproduzir qualquer nota musical sem a necessidade de uma referência. Ou seja: se eu tivesse essa habilidade desde as minhas primeiras aulas, poderia dizer prontamente que meu professor tocou um “dó”, ou um “ré” ou qualquer outra nota que eu ouvisse sem nenhuma dificuldade. Poderia também tocar ou cantar todas as notas que me solicitassem e tirar músicas de ouvido com extrema facilidade. Os indivíduos com ouvido absoluto conseguem também atribuir notas musicais a ruídos comuns do dia a dia, como a buzina de um carro, um despertador, uma campainha, um objeto caindo no chão etc.

Uma pessoa em cada 10 mil tem essa característica. Embora naturalmente seja mais comum identificá-la entre músicos, pessoas que nunca tiveram contato com o canto ou com instrumentos musicais podem ter ouvido absoluto e talvez nem saibam!

Há controvérsias em relação à sua origem: alguns estudiosos dizem que há um fator genético envolvido e que o ouvido absoluto é uma característica inata, ou seja, o indivíduo nasce assim e basta um estímulo para que essa habilidade se desenvolva. Outros afirmam que ela pode ser adquirida com treino, e a idade-limite ideal para isso é até os 7 anos — alguns acreditam que adultos também podem adquirir ouvido absoluto, mas com muito mais treino e dificuldade, tal como aprender uma língua estrangeira.

No mundo da música também fala-se em ouvido relativo. Diferente do absoluto, aqui o indivíduo precisa de uma referência para conseguir nomear as notas da escala musical. Se minha mãe toca um “dó” no piano, eu consigo calcular os intervalos entre as notas próximas, reproduzindo o “ré”, o “mi”, o “fá” e por aí vai. É preciso muito treino para estimular a memória, mas é superpossível!

Se você sempre quis muito aprender a tocar um instrumento ou fazer uma aula de canto mas acha que não vai dar certo por não ter ouvido absoluto, não desanime. Diversos músicos renomados também não têm. É uma característica muito útil, claro, mas de forma nenhuma é essencial, muito menos uma limitação. Além disso, no fim das contas, o importante é fazer o que gosta e se divertir!

Quer saber mais sobre o assunto? Recomendo este vídeo aqui:

Isabela Sampaio
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Revisora

Isabela (ou Isa, ou Bela) tem 26 anos e aos 18 desceu a serra para viver no Rio. É formada em Produção Editorial e ama trabalhar no mundo dos livros, mas tem uma grande queda pela TV e passa boa parte de seu tempo livre assistindo a milhares de séries — seus objetivos de vida são se tornar uma participante de Survivor (e vencer, claro) e ser BFF da Amy Poehler, Tina Fey, Mindy Kaling e Julia Louis-Dreyfus.

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