O que é saúde?

Nesse último ano a Capitolina cresceu e a gente decidiu abrir novas editorias. Agora, uma vez por semana, a gente vai falar de saúde com vocês.

Mas o que é saúde? A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”.

Essa definição parece um pouco estranha, né? O que é esse estado completo de bem-estar? Saúde é muitas coisas. Saúde é não estar doente, é estar ativo, se sentindo bem, mas é também um valor, uma coisa que muda com o tempo e pode ser até fonte de opressão.

A gente quer falar disso tudo e mais um pouco aqui.

Vamos falar de saúde, doença, de se sentir bem e sentir mal.

Nós aqui da editoria não estamos falando como médicas, enfermeiras ou profissionais de sáude; estamos falando como nós mesmas, não vamos prescrever remédio pra ninguém e é sempre bom visitar profissionais. A gente quer falar de saúde como acontece pra gente: no dia a dia, com dúvidas bobas, com medos, com esperanças.

Somos uma revista pra meninas adolescentes! Mas a gente quer tentar incluir o máximo de diversidade. Isso significa que, ao falar de saúde, a gente não acha que úteros e vaginas definam meninas, queremos incluir as meninas trans no debate; quando a gente for falar de sexo e saúde queremos incluir as meninas lésbicas e as meninas bissexuais também! Também queremos estar atentas pra como o sistema de saúde trata de forma diferenciada mulheres negras de mulheres brancas, mulheres pobres de mulheres ricas.

Saúde é um buraco muito mais embaixo do que só bem-estar. Saúde é política também. Saúde é comida, saúde é dia a dia, saúde não é só não estar doente.

Nós chamamos a compreensão de todos esses fatores de processo saúde-doença, que nada mais é que levar em conta uma determinação social e histórica. Quer dizer que a forma como vivemos, a sociedade em que estamos inseridos e todas as suas implicações, o nosso trabalho, a nossa saúde mental, tudo isso faz parte da construção da nossa saúde. O processo de adoecimento não é só individual, mas também coletivo. E nós queremos destrinchar todos esses fatores para vocês.

Afinal, o que é saúde para as meninas dessa nova editoria? Vamos conhecer um pouquinho das outras colaboradoras? Vamos!

Beatriz Rodrigues

“A primeira vez que me deparei com a discussão sobre o conceito de saúde foi em uma matéria chamada Farmácia e Sociedade, no primeiro período da faculdade de, er, Farmácia. Pra mim, saúde é o funcionamento perfeito do organismo; mente e corpo. É quando estamos cuidando de nós mesmas do mesmo jeito que cuidamos do nosso telefone na primeira semana depois que colocamos as mãos nele (eu nunca disse que sou boa com analogias, hein): tomando cuidado pra não deixar cair ou arranhar, brigando com quem faz movimentos arriscados com ele, descobrindo os potenciais e fazendo com que ele reflita quem nós somos e o que queremos!”

Mariana Fonseca

“Eu cresci numa família de médicos e nunca pensei muito sobre o conceito de saúde. Quero dizer, era algo meio óbvio, né? Saúde é não estar doente. Até que tive uma matéria chamada Atenção Integral à Saúde na faculdade em que nos pediram justamente para explicar isso. E foi quando eu entendi que saúde é algo que extrapola a dimensão biológica e abrange também a esfera psíquica, a social, a ambiental e tudo aquilo que toca o ser humano de alguma forma.”

Iane Filgueiras

“Nasci em uma família que nunca teve condições de ter plano de saúde e, por isso, sempre fui usuária do SUS. Talvez por frequentar médicos mais em casos de emergência, costumava associar saúde ao simples fato de não estar doente. Em 2012, como jornalista, ingressei no Canal Saúde, emissora de TV da Fiocruz. E foi lá que minha mente se abriu para entendimentos muito mais amplos sobre o que é saúde e sobre o funcionamento do próprio SUS. Hoje, saúde pra mim, é um conceito indissociável de muitos outros, como meio ambiente, educação e cidadania. Me encantei tanto com o tema que, atualmente, desenvolvo uma dissertação de mestrado sobre mídia e saúde.”

Karoline Siqueira

Meu conceito de saúde sempre seguiu o senso comum de ser algo contrário da doença e, na minha cabeça, só procuraria meios de me cuidar caso sentisse alguma dor muito grave, ou precisasse ir a um médico. Saúde era tudo aquilo que cabia ao médico fazer pra eliminar a doença (e eu sequer sabia as diversas áreas e modalidades que a palavra “médico” carregava). Conforme entrei na psicologia fui reconhecendo e aprendendo que estar saudável não cabia só a quem sentisse algo de errado, mas deveria ser o estado natural de todos. Investir na saúde não é só essencial, como também é um direito humano e todos deveriam ter condições de fazê-lo bem (infelizmente não é o caso). Mas acho que vale toda e qualquer discussão que desmistifique esse conceito deturpado de saúde. Cuidar do estado psicológico, biológico, físico, entre outros, nunca pode deixar de ser prioridade. E considero muito importante investir em difundir o conhecimento das práticas que têm esse objetivo.

Gleice Cardoso

 “Quando eu era adolescente, entendia a saúde apenas como a ausência de doenças. Mas, ao entrar no curso de Psicologia aos 19 anos, comecei a entender a saúde como um conceito amplo, que envolve diversos fatores além do físico. Mas, foi quando comecei a trabalhar diretamente com pessoas em situação de vulnerabilidade que entendi realmente o que significa saúde: é que todos tenham a chance de viver uma vida longa e feliz, não sofrendo privações em razão de sua etnia, gênero, orientação sexual, renda ou qualquer outra questão pessoal. A saúde, tanto física quanto mental, é diretamente impactada pelas condições sociais, sendo importante promover a igualdade, permitindo que todos tenham acesso a alimentação, trabalho digno, descanso, lazer, cultura… e, assim, possam viver com saúde!”

Yasmin Lopes

“Teve um dia, não sei como, que comecei a pensar em como era a vida de pessoas com esquizofrenia e não parei mais. E como é a vida de quem mora na rua? E de quem é cego? E de quem é imigrante? E da mulher que é negra, tem três filhos, pouco mais de vinte anos, foi presa e é usuária de crack? Um questionamento que me levou a vários outros, infinitos, e frente a eles escolhi minha intervenção: a Terapia Ocupacional, que me trouxe (também) pra área da saúde. Área esta que possibilita novas maneiras de ser e fazer, novos projetos de futuro, enfrentamento de questões, conhecimento do corpo, entre tantas outras.”

Amanda Lima

”Nunca fui de me importar muito com isso. Quando pequena, só lembrava e pensava nessa tal saúde quanto já não estava bem. Pra mim, ela era apenas o contrário de estar mal, doente. Parecia um conceito tão simples. Hoje percebo que, na verdade, ela está envolta numa complexidade muito grande, é algo que deveria ser direito de todos, mas que, na prática, está permeada de exclusões. Acho que é por isso que eu tô aqui, nesse local de fala, enquanto futura psicóloga. Porque acho importante que a gente reflita a respeito dela e que tente, da maneira que puder, refletir e construir uma prática em saúde inclusiva e integrativa.”

Mirna Siqueira

“Meu interesse pela área da saúde surgiu quando, ao me deparar com a inscrição do vestibular, olhei pra dentro de mim e me perguntei: o que você quer realmente fazer na vida? E a resposta que encontrei foi: ajudar os outros. Hoje, depois de três anos na faculdade de Nutrição, entendo que a base da saúde é ter o poder de ver o próximo como uma pessoa, um ser humano que pode ser ajudado de alguma forma, seja curativa ou preventiva. A Nutrição me ensinou a importância da educação, que se traduz em uma certa forma de empoderamento, mostrando às pessoas a importância de suas escolhas e quais podem ser o reflexo disso nas suas vidas.”

 

Brena O'Dwyer
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Brena é uma jovem carioca de 22 anos que cada dia tem um pouco menos de certeza. Muda de opinião o tempo toda e falha miseravelmente na sua tentativa de dar sentido a si mesma e ao mundo em que vive. Gosta de ir ao cinema sozinha as quintas a noite e de ler vários livros ao mesmo tempo. Quase todas as segundas de sol pensa que preferia estar indo a praia, mas nunca vai aos domingos.

Ana Paula Andrade Piccini
  • Colaboradora de Saúde

Ana Paula, 27 anos, canceriana, enfermeira especialista em Urgência e Emergência, nutre um carinho imensurável pelo SUS e acredita que a saúde é muito mais do que a ausência de doença. Escritora de coração e desafi(n)os, ainda procura coragem para colocar no papel todas as ideias que dançam em sua mente. Acredita que as palavras salvam, inclusive já foi salva por elas várias vezes. Apaixonada por cinema, séries, livros e música.

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

Iane Filgueiras
  • Colaboradora de Saúde

Iane Filgueiras, 25 anos, de São Gonçalo - RJ, é mestranda em mídia, com pesquisa voltada para comunicação e saúde. Tem vários desejos, pouco dinheiro, e muito trabalho. Sentimental, faladeira e ansiosa até o último fio de cabelo. Prefere um bom filme/série na TV com balde de pipoca e edredom a quase qualquer coisa. Tem gostos ~~infantis~~, mas é com eles que se sente mais feliz. Sonha em ir à Disney, mas nunca quis ser princesa.

Gleice Cardoso
  • Coordenadora de Sociedade
  • Conselho Editorial
  • Colaboradora de Se Liga

Nascida e criada em Belo Horizonte - MG, é psicóloga e trabalha com pessoas em situação de risco e violação de direitos há quase 10 anos. Mulher negra, só descobriu a força de identificar-se como tal há pouco tempo, pois cresceu acreditando que era "moreninha". Tem duas gatas e um cachorro, mas queria ter 30 de cada. Tem vontade de comer sorvete todo dia (menos de manga) e faz crochê pra relaxar.

Mariana Fonseca
  • Coordenadora de Saúde
  • Colaboradora de Literatura e do Leitura das Minas

Mariana tem 25 e se formou em medicina. Carioca, ama viver no Rio de Janeiro, mas sonha em voltar para a Escócia. É feminista deboísta e acredita que todo mundo merece chá.

Yasmin Lopes
  • Coordenadora de Poéticas
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Sociedade

Yasmin, se divide entre a graduação de Terapia Ocupacional e as ~artes~. Nasceu e vive em São Paulo, porém sonha com o mar. Não moraria em uma casa sem plantas, faz dancinhas ridículas no quarto e mantém um caderno quase-secreto de colagens e textos. Se estiver com sua câmera na mão, se basta assim - a sua única possível metade da laranja.

Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Se Liga

Amanda, 22 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Psicóloga e militante feminista, sabe que conhece ainda tão pouco e por isso tem uma sede muito grande em conhecer mais. Mais da vida, mais do mundo, mais de tudo. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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