11 de novembro de 2014 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração:
O que é ser inteligente? As múltiplas dimensões da inteligência
Ilustração: Dora Leroy

Ilustração: Dora Leroy

Você com certeza já ouviu falar de gênios, certo? E já ouviu falar também que o físico Albert Einstein foi uma das pessoas mais inteligentes da história, não é? Mas você já foi buscar o porquê disso? Inteligência não é lá tão fácil medir, muito menos ao estabelecer que existe apenas um padrão ou medida de “inteligência”. A interseção entre inteligência e educação é grande e, por isso, muitos pedagogos e psicólogos dedicaram e continuam dedicando anos de pesquisa ao tema.

O psicólogo francês Alfred Binet iniciou sua pesquisa no campo no início do século XX, a partir de uma demanda do governo francês, que desejava melhor avaliar alunos com dificuldades nas escolas do país. Junto a outro pesquisador, Theodore Simon, eles desenvolveram um conjunto de testes e estabeleceram a escala Binet-Simon, para “mensurar” a inteligência. Esse conjunto de testes incluía repetição de comandos, construção de frases, desenho de imagens e foi adaptado depois a diferentes faixas etárias. Isso porque Binet concluiu que a inteligência não era algo fixo, atrelado à genética, por exemplo, mas, sim, construído ao longo do tempo e das experiências às quais as pessoas eram expostas.

O trabalho de Binet cruzou o oceano e, na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, o psicólogo Lewis Terman revisou e elaborou a pesquisa, criando uma nova escala: a Stanford-Binnet. Essa forma de mensuração estabeleceu o coeficiente de inteligência, o conhecido Q.I. Ambas as escalas focavam e focam no conhecimento lógico, o que anos depois começou a ser percebido como restrito e como não representativo de todas as áreas do conhecimento.

Essa especificidade fez com que muitos psicólogos e pesquisadores da área de educação fossem mais além, e buscassem outras áreas de conhecimento e formas de conceituar o que é inteligência. Uma dessas pessoas foi Howard Gardner, psicólogo norte-americano, que elaborou a chamada Teoria das Inteligências Múltiplas. Para Gardner, “uma inteligência é um potencial psicológico para processar informações e resolver problemas e para criar ‘produtos’ que sejam valorizados em pelo menos um contexto cultural”.

Dessa forma, a teoria estabelece sete tipos ou vertentes de inteligência (que, após revisão, se tornaram nove). São elas:

Lógico-matemática: relacionada à habilidade com números, abstrações lógicas, raciocínio dedutivo, sistemas causa-efeito.

Linguística-verbal: relacionada à habilidade de compreender idiomas, sistemas gramaticais, objetivos e usos da fala e da escrita; quem se destaca nessa inteligência tem facilidade com leitura, escrita, interpretação de textos.

Musical: relacionada à habilidade de percepção e sensibilidade a sons, ritmos, timbres, compartilhada por músicos, instrumentalistas, cantores.

Visual-espacial: relacionada à percepção do espaço, de diferentes dimensões, profundidade, relação entre espaços. A arquitetura, por exemplo, se destaca nessa inteligência.

Físico-sinestésica: relacionada ao conhecimento do corpo, ao posicionamento do corpo em relação ao espaço, à expressão e consciência corporal, à capacidade motora bem desenvolvida. Aqui, podemos identificar áreas como as artes cênicas, a dança, os esportes e o artesanato como alguns campos de destaque.

Interpessoal: relacionada à habilidade de lidar com outras pessoas, à sensibilidade em relação ao humor e comportamento do outro, facilidade de trabalhar em grupo. Em profissões que tratam com o público, ou mesmo na política, pode-se identificar essa inteligência.

Intrapessoal: relacionada a habilidades de autoconhecimento, construção e consciência de sua própria identidade, autoestima e capacidade de discernir suas próprias emoções.

Essas são as sete inteligências definidas no primeiro momento de sua pesquisa, no início da década de 1980. As outras duas inteligências incluídas depois foram:

Naturalista: habilidade e sensibilidade com relação à natureza, animais, fenômenos naturais ao redor da pessoa. Botânicos, agricultores, geógrafos são alguns dos exemplos de profissões que se utilizam dessa inteligência.

Existencialista: capacidade de contato com questões espirituais, reflexões mais profundas sobre questões humanas, os sentidos da vida e da morte, por exemplo. Gardner questiona essa inteligência, e não a inclui oficialmente em sua teoria.

Para Gardner, a aptidão dos indivíduos com relação a cada uma das inteligências é desenvolvida e construída ao longo do desenvolvimento humano e dos contextos e culturas em que estão inseridos. O pesquisador diz que a teoria é uma ferramenta para a educação e não uma adequação da educação à teoria.

É importante percebermos que “ser inteligente” é uma ideia questionável e que não existe apenas um tipo de conhecimento ou forma de medi-lo. Se existem vários tipos de alunos, também existem várias áreas e formas de desenvolver o conhecimento e mesmo, a(s) inteligência(s). Saber identificar quais são suas capacidades e as habilidades em que se destaca pode te ajudar a buscar os melhores caminhos para você.

Debora Albu
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão

Debora é mestra em Estudos de Gênero e é formada em Relações Internacionais. É carioca, apesar de ter passado uma temporada da vida em Paris e todo mundo a chamar de "francesinha" - por vezes acredita ser verdade. Faz parte da gestão da Agora Juntas, um rede de coletivos feministas no Rio de Janeiro. É ciberativista e feminista antes mesmo de entender o que essas palavras significam.

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    Ótimo texto sobre os diferentes tipos de inteligência, isso desmistifica a ideia de que alguém inteligente é somente alguém que é ”bom” em todas as matérias.
    Na área de Letras Inglês que é a minha área é estudada essa teoria do Howard Gardner sobre as múltiplas inteligências e também se estuda sobre os diferentes estilos de aprendizagem. Acredito que se a maioria das pessoas soubessem da teoria das múltiplas inteligências e estilos de aprendizagem o aprendizado dessas pessoas seria mais efetivo.

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