11 de maio de 2015 | Ano 2, Edição #14 | Texto: | Ilustração: Bia Quadros
O que é um buraco negro?

Existem regiões no espaço com uma força gravitacional tão forte que afeta tudo a sua volta: são os chamados buracos negros. Essa força gravitacional absurda vem do fato de eles terem uma relação de massa enorme e volume relativamente pequeno, que gera uma densidade considerada infinita. E aí, obedecendo aos princípios da teoria da relatividade, a força gravitacional deles é enorme. Só que, nesse caso, ela é tão tão grande, que nem mesmo a luz escapa, por isso eles têm esse nome – e por isso a gente não consegue enxergá-los, já que é pela luz que vemos as coisas. Só conseguimos deduzir a presença de um pela interação dos elementos ao redor dele, que gera radiação. Por causa disso, são considerados um conceito teórico, mesmo que já se considere certa a sua existência.

Quando uma estrela morre, ela explode numa supernova. O que sobra no seu lugar é um buraco negro. No entanto, não é com qualquer estrela que vai acontecer isso. A regra é que, para que esse processo ocorra, a estrela tenha pelo menos três vezes a massa do nosso sol. Daí, quando ela não tem mais combustível para se manter estável, colapsa nela mesma e, enquanto o seu núcleo se comprime, gera energia e calor que passa para as camadas externas e gera a explosão que chamamos de supernova. O que resta do núcleo forma o buraco negro. Se a estrela original tiver menos de três vezes a massa do nosso sol, ela passa pelo mesmo processo, mas o que se forma do núcleo é uma estrela de nêutrons.

Buracos negros são, geralmente, divididos em duas partes: o horizonte de eventos e a singularidade. O horizonte de eventos seria o ponto a partir do qual não se consegue mais escapar da força gravitacional que o buraco exerce, e tudo que passa desse ponto eventualmente vai cair na singularidade – o centro do buraco negro. A singularidade é um conceito super abstrato, um caso extremo das teorias de física mecânica. A ideia é que, de acordo com essas teorias, no centro do buraco negro, a curvatura no espaço-tempo que a força gravitacional cria é tão grande que se torna infinita. É, uma curva infinita, é esse nível de abstrato que a gente tá falando. Por isso que ninguém sabe bem como seria o centro do buraco negro, e essa na verdade é uma teoria. Ainda não existe nenhuma certeza nessa área.

Uma das questões é, por exemplo, que tudo isso até agora é baseado na física mecânica. Se usarmos de base a mecânica quântica, a coisa já fica bem diferente – e mais cheia de incertezas.

Por exemplo, nesse caso, a gente teria que considerar que para cada partícula existe uma antipartícula, com mesma massa e carga oposta. Se um par desses se forma no horizonte de eventos do buraco negro, pode acontecer de uma delas cair, e a outra ser repelida. Nesse caso, isso pode levar ao fim uma série de processos muito loucos, que pode levar um buraco negro a decair. Isso quer dizer que um buraco negro poderia evaporar, devolvendo aos poucos energia ao universo. Segundo a física mecânica, isso não seria possível.

Existem a princípio dois tamanhos de buraco negro: o estelar, que é o resultado da explosão de uma estrela, e o super massivo, que os cientistas ainda não têm certeza de como se forma. A teoria é que, quando ocorre a colisão de buracos negros, eles se unem e geram um buracão negro. Atualmente, acredita-se que esses buracos negros enormes estejam no centro de toda galáxia – inclusive teria um no centro da via láctea –, e a formação deles teria a ver com isso. A força gravitacional deles faz com que eles acabem se aproximando, e essa união/colisão geraria uma liberação de energia gigantesca.

Recentemente, cientistas descobriram o que eles acreditam ser um buraco negro de tamanho intermediário, que ainda não se sabe se seria resultado da colisão de alguns estelares, e na verdade os super massivos seriam a colisão desses intermediários. O estudo dos buracos negros ainda é muito teórico, e ainda existe muita coisa pra ser pesquisada e talvez até descoberta. Enquanto isso, a gente aqui na Terra se diverte criando histórias ficcionais em que eles se comportam da maneira que parecer mais atraente. Ou você achou mesmo que a Alice caiu foi na toca de um coelho?

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos