13 de fevereiro de 2016 | Ano 2, Edição #23 | Texto: | Ilustração: Bárbara Fernandes
O que fazer quando não se tem prazer?

Há um tempo não tão distante eu não tinha prazer em nada. Mesmo namorando, mesmo com trabalho e dinheiro, simplesmente não conseguia ver um bom motivo para acordar e viver o dia. Era algo mecanizado, desenhava e bordava porque sim. Não tinha nenhuma vontade de fazer isso.

A nossa tristeza acaba escondendo todos os prazeres na vida diária, isso é verdade. Quando você está mal, internamente falando, mesmo que o externo seja bom, não há como enxergar isso. Mas de alguma maneira é preciso. Não é legal mesmo viver assim. Então fiz o seguinte: a cada lugar que ia e a cada atividade que fazia, eu procurava algum prazer. Era algo mais externo, escrevi em muros, cadeira de ônibus e no meu caderno. Mesmo que ali não sentisse nada de incrível, procurava dentro daquela atividade algum prazer.

Então fiz uma série artística (que divulguei aqui) que denominei “Tenho prazer”. Foi um exercício para alguém que não queria fazer nada e não se sentia bem em lugar algum. Mas foi um exercício importante e foi a minha maneira de buscar este sentimento que eu tinha esquecido que existia.

Para você que está do mesmo jeito agora, sugiro este exercício: procure, anote, busque. É difícil, claro, mas mesmo que naquele momento você não enxergue, ao anotar em algum lugar (ou desenhar, ou fazer um snap) o prazer volta naturalmente porque você está internalizando isso ao mesmo tempo em que está pondo para fora. Acabamos dando um destaque para aqueles prazeres explícitos, como sexuais e alimentícios, mas há pequenos prazeres e, sabendo reconhecer isso, o prazer volta naturalmente. O mais importante: não se sinta mal caso você não sinta prazer em nada. É normal, acontece. Mas isso é um abismo e uma porta para certos sentimentos que não são legais.

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

  • Juliana

    O estranho é que eu sinto uma enorme vontade das coisas acabarem logo. Se eu quero assistir um filme eu começo assistir até acho legal mas vem aquela sensação de que eu qero que acabe logo o filme.
    E isso é com tudo. Sinto constantemente vontade que as coisas acabem logo. E nao consigo aproveitar nada .

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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