25 de julho de 2014 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
O que trazer para a minha cozinha

Para fechar esta edição de julho, na qual já falamos de viagem enquanto aventura e enquanto autoconhecimento, agora vamos falar de um aspecto mais saboroso do tema: a comida. No post de hoje fizemos uma espécie de mini guia, selecionando algumas cidades de diferentes regiões do país, as quais acreditamos que realmente devem ser visitadas, dentre outros motivos, pela comida.

NORTE
No norte a cidade escolhida foi Belém do Pará. Belém é uma cidade relativamente grande, cercada por rios gigantes e pela floresta amazônica. O clima é maravilhoso, mas é necessário levar na mala uns cremes anti-frizz. Sempre faz sol, todo dia chove e depois de uma semana sentindo os ventos de lá as brisas de cidades litorâneas perdem até um pouco da graça. A natureza em si já é um grande programa pra se curtir na cidade, mas vale a pena visitar o Museu Emilío Goeldi, que é uma espécie de parque, reserva ambiental e zoológico, e tentar fazer os passeios de barco ou carro para ir a outras ilhas perto da cidade e nadar numa praia de água doce como a da ilha do mosqueiro. Além disso, a natureza de lá proporciona uma variedade de frutas e verduras e peixes que você não encontra em muitos outros lugares. Vale a pena comer maniçoba, arroz com jambú (uma planta muito louca que arde, mas não como pimenta, uma coisa tipo Trident), castanha-do-pará fresca, todos os peixes possíveis (inclusive com açaí). E um bom programa pro último dia de viagem é comprar uns isopores no supermercado e partir pro mercadão pra comprar frutas diversas que você não vai encontrar perto de casa.

NORDESTE
Já no nordeste temos a Bahia, e muito provavelmente você já ouviu falar e até já experimentou alguma comida típica desse estado, seja uma simples cocada, uma moqueca ou um acarajé. Escolhemos Ilhéus como a cidade a ser visitada justamente porque, embora ela também tenha todas essas comidas, seu ponto forte é outro. Ilhéus é a cidade do cacau e, por consequência, do chocolate. Lá é possível visitar uma praia ou igreja diferente por dia, mas meu passeio preferido foi mesmo ir visitar todas as fábricas e casas de chocolate. Daí é claro que a gente leva pra casa um pouquinho do melhor de cada uma.

SUDESTE
Minas também é um estado já famoso pelas suas comidas. O feijão tropeiro, o tutu, o queijin, o doce de leite… Podíamos escolher qualquer cidade desse estado e provavelmente lá encontraríamos queijo e doce. Mas escolhemos Tiradentes por três motivos. Primeiro que todo começo de ano rola um festival de cinema, frequentado por pessoas de tudo quanto é lugar do Brasil. Rolam várias festas, shows e coisas bacanas pra fazer e conhecer gente. Além disso, essa calma cidadezinha possui ao menos três cachoeiras escondidas, duas dentro de fazendas, nas quais você pode entrar se pedir, e uma na estrada real. Todas boas pra quem curte uma caminhadinha e uma descansada no meio do mato. E, por fim, já que qualquer um pode fazer e vender doces e queijos, mas acho difícil (eu pelo menos ainda não conheci) alguém que o faça com tanta simpatia e humildade quanto o velho Chico Doceiro. Pergunte pra qualquer pessoa da cidade e te indicarão o caminho pra casinha de portão aberto onde Seu Chico faz e vende ambrosia, doce de abóbora, cocada, brigadeiro e doce de leite dentro dos canudos de massa leve, crocante e frita que ele mesmo prepara. E o melhor: tudo por um preço camarada. No último dia você pode chagar lá e pedir pra ele o pote de doce acompanhado dos cones vazios. Daí você leva pra casa e monta na hora pra não ficar murcho.

SUL
A região Sul é a menor do país, e eu acredito que é por isso que os hábitos e costumes sejam parecidos nos três estados que compõem a compõe. A cidade escolhida foi Florianópolis, capital de Santa Catarina. É muito comum encontrar produtos coloniais lá, como embutidos (queijos e linguiças), biscoitos e doces. Por ser colonizada principalmente por alemães, há uma grande herança gastronômica desse país. Um desses doces coloniais é o Schmier, que na verdade é uma geleia ou um doce pastoso, que é muito comum encontrar em mercados grandes ou sacolões – rola uma infinidade de opções. E, sem dúvida, se você quer encontrar essas coisas vá ao Mercado Público e à feira do Largo da Alfândega, no centro da cidade. Além disso, por ser uma ilha, Floripa tem muitos frutos do mar, e no inverno é muito tradicional a pesca da Tainha, em todos os jornais só se fala disso. Santa Catarina tem um litoral bastante extenso e se tem uma coisa que atrai muita gente no verão são as praias. Outra coisa muito característica da região é o chimarrão, que é a erva mate, de origem guarani, consumida com água quente dentro de uma cuia. É um costume muito forte, principalmente entre os gaúchos.

CENTRO-OESTE

O estado que escolhemos pra representar essa região é o Mato Grosso do Sul.

Por ser uma região bastante quente, as pessoas precisam se refrescar, e por isso é comum ver muita gente tomando tereré, que é como o chimarrão, feito de erva mate, só que com água gelada. Quando fui pra lá tomei muito tereré e me arrependi bastante de não ter feito um estoque antes de voltar, porque eu nunca mais achei o bendito tereré com menta que tinha lá. Também conheci um município chamado Aquidauana, onde é bem comum as pessoas terem árvores frutíferas em casa. Uma das frutas mais tradicionais é o pequi, uma frutinha redonda e amarela, tradicional da região do cerrado e que costuma ser cozida junto com o arroz, pra dar um gostinho bom. Por ser do cerrado, ela é cheia de espinhos dentro, o que dificulta na hora de comer, e todo mundo de lá tem uma história sobre o dia que mordeu o pequi com muita força e se deu mal. Outra cidade que tem muitos atrativos além dos gastronômicos é Bonito (que é realmente bem bonita), cheia de rios com água transparente, cachoeiras e grutas. Na região central de Bonito, que é bem pequena, mas cheia de coisas, dá pra encontrar sucos e sorvetes de frutas típicas, como o Mangabá e o Cajá. Vale muito a pena experimentar todos os sabores possíveis!

***

Agora todo mundo deve estar com um pouquinho de água na boca e vontade de provar várias das delícias que citamos. Seria cruel deixá-las assim, por isso a Bárbara vai dar um receitinha deliciosa de um Schmier Colonial, algo próximo a uma geleia e que, felizmente, embora a receita seja tradicional do Sul, as frutas e temperos necessários podem ser encontrados em quase todo o país.

Ingredientes:

– quatro bananas

– uma batata doce média

– ¼ xícara de açúcar

– canela em pó e cravo a gosto

– meia xícara de água

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Para fazer é muito simples! Basta cozinhar a batata doce, amassá-la e colocar em uma panela, juntar a banana em cubinhos, ou se você preferir um doce bem pastoso amassar como a batata doce, colocar o açúcar, a canela e o cravo e ascender o fogo. Assim que o açúcar começar a derreter é só colocar a água, e mexer em fogo baixo.

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Maísa Amarelo
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Ilustradora

21 anos, cursando o primeiro de design. Pras coisas que não gosta de fazer, inventa um monte de regras. Já as que gosta - como cozinhar - faz sem regra nenhuma. É muito ruim com palavras, ainda assim resolveu escrever sobre suas receitas que, em geral, não tem medida alguma.

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