2 de novembro de 2015 | Edição #20 | Texto: | Ilustração: Marina Sader
O som do silêncio

Não sou lá uma pessoa muito das ciências, mas sou bastante curiosa. Também não sou prolífica o suficiente para criar poesias românticas. Mas a curiosidade me faz gostar muito de aprender sobre física, e quando penso nas coisas mais básicas, tenho vontade de escrever sobre a beleza de “uma onda longitudinal que só se propaga em meios materiais e que tem frequência compreendida na faixa entre vinte e 20.000 hertz”, que gera um fenômeno sonoro: o som. 

A audição faz parte do conjunto de sentidos que temos associados com a sobrevivência: o choro de um neném é a primeira tentativa de comunicação, um grito é uma arma de defesa, o canto de um pássaro é ferramenta de sedução. O som faz parte do cotidiano que conhecemos. Mas o silêncio não. Principalmente para quem mora em zonas metropolitanas, onde mesmo a noite é barulhento – sempre acho engraçado voltar para a casa dos meus pais, em uma cidade pequena e “ouvir o silêncio da noite”: grilos e, às vezes, uns gatos acasalando.

O silêncio também tem um quê de espiritualidade. Em muitas religiões, o silêncio aproxima o indivíduo com a divindade.  Práticas como o voto de silêncio e o silêncio monástico são exercidas até mesmo por quem não acredita em Deus, mas procura paz interior. Mas é isso que me assusta no silêncio: a ausência do som representa o solitário e desconhecido. Vejo o silêncio como um quarto escuro com a porta fechada, mas destrancada, vulnerável.

Pelos temas que mencionei por aqui tenho a impressão de que o silêncio é um negócio muito maior do que a ausência do som. Talvez porque a gente tenha precisado lutar tanto para ser escutada – e não forçadas ao silêncio – que acabei criando essa aversão toda. Talvez meu medo do silêncio seja só um medo do desconhecido, já que o silêncio total é tão raro.

MAAASS… até perder os medos ou aprender a meditar sem medo, sorte minha que essa história aí que o espaço é silencioso é um mito. Aqui, no Soundcloud da NASA, dá pra ouvir uns sons muito maneiros gravados por aí.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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