17 de maio de 2017 | Esportes, Se Liga | Texto: | Ilustração: HEMILYN STEPHANYE
O suor da mente: o mundo dos games
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Não mais de atletas de alto rendimento físico vive o esporte. O suor que escorre rosto abaixo pode vir de uma mente pensante.

Os esportes são, desde os primórdios, pautados pela força física de seus praticantes. Seja no chute, no arremesso ou na força do braço, o condicionamento corporal era fundamental… até a atual geração ganhar o mundo com um novo jeito de competir: os games. O suor continua. A adrenalina também. A correria, no entanto, está na tela. É o cérebro jogando seus comandos para uma máquina. O que antes era um hobby, hoje passou a ser uma profissão milionária.

O League of Legends, por exemplo, ultrapassou mais de 60 milhões de usuários mensais – 5 milhões simultaneamente. O game consiste em batalhas contra inimigos reais (online) e destruição de torres. Este é um jogo que já é considerado esporte e movimenta mais de 1 bilhão de dólares. A Arena da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, recebe nesse mês de maio o Mid-Season Invitational (MSI) de League of Legends. O palco das competições de ginástica das Olimpíadas 2016 agora é a sede do Mundialito de LoL, que acontece pela primeira vez em terras brasileiras.

O esporte está se popularizando tanto que outras modalidades entraram na onda. Empresas como a NBA – de basquete – e o PSG – time de futebol – estão patrocinando e promovendo equipes de LoL. Essa proximidade ajuda na profissionalização. Isso porque as equipes de elite de games possuem gaming houses, centros de treinamento que são verdadeiras casas onde os ciberatletas moram e trabalham. Os jogadores precisam ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar – que conta com psicólogos e treinadores – que cuida do seu bem-estar e desempenho.

As mulheres nos games

O Brasil ainda busca seu espaço no mundo dos games e, nessa corrida, as mulheres saíram na frente. Em terras tupiniquins, 53,6% do público desses esportes é feminino. Esses números são da 4ª edição do levantamento feito anualmente pela agência de tecnologia interativa Sioux, a empresa de pesquisa especializada em consumo Blend New Research e a Game Lab, divisão da ESPM dedicada à experimentação e pesquisa de jogos. A Game Brasil 2017 ouviu 2.947 pessoas de 26 estados e do Distrito Federal entre os dias 1 e 16 de fevereiro de 2016.

Além de estarem entre os jogadores, as mulheres brasileiras são significativas na criação de games. Exemplo entre as dezenas de bem sucessidas gamers, Ana Ribeiro é pioneira no desenvolvimento de jogos em realidade virtual no país. Ela criou o Pixel Ripped que ainda em demo foi eleito como game de destaque em 2014, no site Geração Gamer. Em 2015, recebeu investimento de uma aceleradora norte-americana chamada Boost e melhorou seu game dentro do Facebook, além de exibi-lo na maior feira de jogos do mundo, a E3. Já premiado dentro e fora do Brasil, o Pixel Ripped chega completo neste ano de 2017.

Ana Ribeiro pode ser também um ícone a mais para os games dentro do mundo dos esportes. Em 2016 ela carregou a tocha olímpica. Seria esse um sinal de que a modalidade do “suor mental” entrará para o quadro do principal evento esportivo do planeta em breve? Essa é uma pergunta que já corre o mundo, mas sem resposta. O fato é que os games estão ganhando espaço, das manetes dos quartos à ginásios com milhares de fãs. Agora é só vestir a camisa!

Queka Barroso
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  • Colaboradora de Esportes

Nascida na geograficamente pequena, mas amorosamente imensa, Barroso/MG, Queka quis homenagear sua cidade colocando-a como sobrenome - o nome, aliás, é Jéssica, mas isso só no RG. Moradora de Belo Horizonte desde os cinco anos, foi na capital mineira que se formou jornalista e exerce e estuda a profissão na área esportiva - sua maior paixão. Nasceu em fevereiro, é amante do carnaval e é do signo de Peixes. Embora não tenha conhecimento sobre astrologia, sabe que tudo que falam sobre pisciano bate com sua personalidade. Queka agora escrever e transcrever as escritas de Rubem Alves (no blog Sou Muitos) e Nelson Rodrigues (em um livro ainda em construção). Na cozinha, o que não sabe fazer, sabe comer. Se for uma boa comida mineira ou coxinha então... Quando não tem jogo, certamente está assistindo Padrinhos Mágicos, Matilda ou Frozen. "Você quer brincar na neve?"

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