29 de janeiro de 2015 | Edição #10, Textos Favoritos | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Onde estão as mulheres?
Ilustração: Isadora M.

Uma das consequências e traços deixados pelo machismo é a exclusão das conquistas de mulheres ao longo da história. Esse apagamento nos faz acreditar, desde pequenas, que foram os homens brancos, e apenas eles, que lutaram e enfrentaram grandes batalhas. Mas isso não é a verdade.

Hoje vamos falar um pouco sobre cinco mulheres que romperam grandes barreiras de seu tempo e conseguiram cravar importantes mudanças, mesmo que elas não sejam creditadas em nossos livros de história. São mulheres que se destacaram e fizeram a diferença, apesar de muitas de nós não termos conhecimento a respeito. É claro que não são apenas essas cinco a serem esquecidas, mas essa lista nos dá uma breve ideia da magnitude da força de uma mulher.

Dandara dos Palmares

Todas nós sabemos quem foi Zumbi dos Palmares e o seu marco na história da luta abolicionista. Mas e Dandara, sabe quem foi? Racismo e machismo fizeram questão de tentar apagá-la da história, algumas informações sobre sua vida são ambíguas ou incompletas, mas nós estamos aqui para reconhecê-la e relembrá-la.

Sobre seu nascimento e ascendência não há registros, mas o que se sabe é que foi uma grande líder no Brasil durante a luta contra a escravidão. Ela era esposa de Zumbi e também estava à frente da batalha contra a sociedade brasileira racista e escravocrata. Dandara rompia com padrões de gênero e, além de realizar os serviços domésticos, realizava atividades tidas como “masculinas”, como a caça e plantação, além de estar na liderança de mulheres dos Palmares. Era participante ativa das disputas e resistências. Enquanto líder, opinava acerca de acordos e não se contentava com poucos trocados. Opôs-se ao Tratado de Paz, por exemplo, um acordo firmado com o governo de Portugal, por acreditar que a liberdade era um direito de todos.

Sua meta era a liberdade de seu povo, e honrou os seus princípios até o dia de sua morte, que alguns alegam ter sido suicídio, enquanto outros falam de assassinato, em 6 de fevereiro de 1694.

Carolina Maria de Jesus

Uma das escritoras negras mais importantes do Brasil, Carolina nasceu em Sacramento, em 1914, e era moradora da favela do Canindé, São Paulo. Era catadora e firmou sua importante marca ao registrar o dia a dia de sua comunidade em cadernos surrados que encontrava nos lixos.

Descoberta em 1958, publicou o livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, um sucesso que trazia os relatos de uma mulher negra periférica. Seus relatos eram o mais puro retrato de sua mente e cotidiano. Em um dos trechos, ela descreveu seus momentos de fome “Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos.”

Tereza de Benguela

Você tem ideia do porquê de o dia 25 de julho ser uma data importante para muitas mulheres ativistas? É que nesse dia se comemora o Dia Nacional de Tereza de Benguela e o Dia da mulher negra.

Tereza, mais conhecida como “Rainha Tereza”, foi outra mulher que se mostrou líder.
Após a morte de seu companheiro, tomou a frente do Quilombo de Quariterê, durante o século XVIII, no Mato Grosso. Eram, em média, 100 pessoas, dentre elas negros e índios, sob seu comando. Sua forma de liderar era destaque, pois foi criado todo um sistema para defesa, andamento das atividades e resistência à escravidão durante duas décadas. Sobre sua morte, também não se sabe ao certo as causas, mas ocorreu por volta de 1770.

Luiza Mahin

Assim como aconteceu com centenas de outras mulheres negras, sua história ainda é um tanto borrada e, infelizmente, não se sabe muito a respeito de suas origens. Não se sabe, por exemplo, se nasceu na África ou na Bahia.

Luiza Mahin é apontada como uma das cabeças à frente da Revolta dos Malês, em 1835, e de diversas outras resistências de negros e negras na Bahia e posteriormente em outros estados. Era mãe de Luiz Gama, abolicionista e poeta, que, aos dez anos de idade, após ter sido deixado por ela para ser criado pelo pai, foi vendido pelo mesmo para um traficante.

Vendia quitutes para sobreviver, após ter comprado sua liberdade. Seu tabuleiro era ponto estratégico para troca de mensagens. Durante sua vida, participou ativamente de diversas conjunturas e resistências. Sua casa era ponto de encontro para diversas elaborações. Especula-se que em determinado momento a descobriram e a mandaram para África, mas não há informações certas a respeito.

Margarida Maria Alves

Ao se falar de luta por direitos humanos e trabalhistas no Brasil, não se pode esquecer da importância e impacto de Margarida.

Ela presidiu o  sindicato dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande e lutou por centenas de trabalhadores, inclusive durante a ditadura militar. Outro dado importante a seu respeito é o de que ela foi a primeira mulher a ser presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, e continuou nesse posto por 12 anos, lutando para que seus companheiros e companheiras tivesse direito a carteira de trabalho, férias, 13º salário e jornada de trabalho de 8 horas por dia.

Sua voz incomodava muitos daqueles que não queriam abrir mão da exploração. Margarida Maria Alves foi assassinada, em frente à sua casa, no dia 12 de agosto de 1983, com um tiro no rosto, diante de seu marido e de seu filho.

Apesar da repercussão internacional e dos nomes dos envolvidos, apenas um deles chegou a cumprir pena, que foi apenas de 3 meses.

Seu nome hoje é tido como um símbolo contra a exploração trabalhista.

Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Se Liga

Amanda, 22 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Psicóloga e militante feminista, sabe que conhece ainda tão pouco e por isso tem uma sede muito grande em conhecer mais. Mais da vida, mais do mundo, mais de tudo. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

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