14 de março de 2016 | Cinema & TV, Colunas, Se Liga | Texto: , and | Ilustração: Sarah Roque
Mini passeio pelos originais Netflix

Netflix é tanto um sonho como um pesadelo nos nossos momentos de indecisão: é tanta coisa! Mas também é taaaanta coisa, aí acaba complicando. Uma parte desse mundo que nós tendemos a desbravar menos é o universo de originais da Netflix – são séries, filmes e documentários que hoje já totalizam mais de 100 produções, e nós (falo por mim e pelos meros mortais desse mundo) geralmente não conhecemos nem metade.

Essa matéria curtinha não tem como intuito te introduzir a tudo – até porque nós também não conhecemos – e sim chamar sua atenção pra alguns dos nossos favoritos entre os menos comentados (em comparação a grandes sucessos como Orange is the New Black e House of Cards), na esperança de trazer um pouco mais de decisão pra sua vida e, claro, ter mais gente pra surtar por causa dessas produções maravilhosas junto com a gente. E de quebra, talvez também ouvir as recomendações de vocês!

The Fall

A série, produzida pela BBC*, se passa na cidade de Belfast (Irlanda do Norte), onde um psicopata (Paul Spector – interpretado pelo Jamie Dornan) vem sistematicamente invadindo a casa de diversas mulheres e as matando. Incapaz de lidar sozinha com a engenhosidade do criminoso, a polícia da cidade chama a detetive superintendente Stella Gibson (Gillian Anderson) pra botar ordem na parada toda como a pessoa incrível que ela é. Mas ok, falando sério: Stella Gibson é a definição de badass. Ela não só é extremamente inteligente e eficiente na resolução de casos difíceis (não é a à toa que a chamaram) como está sempre pronta pra proteger outras mulheres e enfrentar a misoginia, seja a do assassino que ela investiga ou a de seus colegas de trabalho.  A terceira temporada tem previsão de estreia para 2016.

* Era produzida pela BBC até a segunda temporada. Agora é da Netflix.

Pra quem curte: Luther, Hannibal, thrillers psicológicos, histórias de serial killers

 

Cooked

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Como uma imensa entusiasta da história da comida, eu já sabia que seria impossível eu não amar essa série. Baseada no livro do mesmo nome, ela consiste em 4 episódios de 1 hora – cada um agindo como um pequeno documentário – que exploram a comida por meio dos quatro elementos: fogo, água, ar e terra, respectivamente. Em cada um, o espectador conhece um pouco mais sobre o papel que cada um desses elementos tem na culinária, e como dominá-los mudou a maneira com que nossa espécie se relaciona com a comida. O autor do livro e narrador da série, Michael Pollan, teoriza que cozinhar é, de certa forma, o que nos faz humanos – e você provavelmente acabará a série compartilhando dessa mesma crença.

Para quem curte: história, comida (e fazê-la, principalmente), documentários, reflexões existenciais


Master of None

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Ganhadora do Globo de Ouro de melhor série de comédia, Master of None é, basicamente, um tapa na cara de todos que dizem que fazer humor crítico com assuntos sérios é chato e/ou impossível. Ela é parcialmente biográfica, tendo como protagonista Dev (interpretado por Aziz Ansari, um dos criadores da série), um ator de 30 anos, filho de imigrantes indianos construindo sua carreira na cidade de Nova York. Seu grupo de amigos reflete a pluralidade da metrópole moderna de um jeito natural, e a série retrata tanto aquilo que é universal à geração Y – a alteração nas relações amorosas e familiares advindas dos smartphones, a busca incessante por um emprego e os melhores lugares para ir – como a realidade particular de um ator indiano-americano que luta para encontrar personagens tridimensionais para interpretar numa indústria profundamente racista.

Pra quem curte: humor irônico, The Office, Parks and Recreation, Seinfeld e filmes do Wes Anderson (o estilo da série de dirá porque)


Chelsea Does

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O humor sarcástico de Chelsea Handler e sua sem vergonhice sem fim (ela é bem sem vergonha em relação ao próprio corpo e pelas coisas que fala, é sua marca registrada) dão o toque de humor necessário para tratar assuntos polêmicos como drogas e racismo e outros mais sisudos como casamento e tecnologia em uma série documentarial de 4 episódios com uma hora cada, sobre os temas mencionados acima. A Chelsea falou que sua motivação para série foi falar sobre temas que ela têm pouco conhecimento – como o de tecnologia, casamento e racismo – e poder aprender tudo que se tem para aprender ou usar – no caso das drogas. Ela viaja o mundo para entender essas questões.

Pra quem curte: humor sarcástico, temas polêmicos, documentários.


Bloodline

bloodline

Eu vi uma vez num site qualquer que essa série era uma subestimada da Netflix e aquilo ficou na minha cabeça. Aí eu falei com meu namorado para assistirmos. Começamos – demos uma pausa pra ver Narcos – e não paramos mais.
A série conta a saga da família Rayburn, muito bem vista pela comunidade onde moram, nas Florida Keys, e como o mundo dela cai quando a volta do irmão mais velho traz um desequilíbrio para os outros integrantes da família. É uma família com um passado sombrio, um pai controlador, pessoas desajustadas, tentando manter uma fachada de família perfeita. E rondando ainda a história, tem a investigação de um assassinato.

Pra quem curte: dramas familiares e investigação policial.

 

O que vem por aí?

Nós amamos tanto os originais da Netflix que preparamos uma lista do que vocês podem esperar para os próximos meses.

The Get Down (12/08/2016): Drama musical dirigido por Baz Luhrmann, diretor de Moulin Rouge (2001), O Grande Gatsby (2013), e Shawn Ryan. Depois de 10 anos sendo produzida, essa série vai contar como uma Nova York totalmente quebrada deu o início ao Hip Hop, ao Punk e a Disco.

Luke Cage (2016): Mais uma da parceria Netflix + Marvel. Depois de aparecer em Jessica Jones, Luke Cage ganhou uma série própria, e com a nossa Sonia Braga no elenco.

Chelsea Handler Talk show (2016): Acho que nem preciso descrever essa linda da Chelsea Handler, né? Esse é só mais um programa pra adicionar à lista que ela já possui com Chelsea Does ou Chelsea Lately.

Desventuras em Série (sem data): Lembra daquele filme infantil com a Emily Browning e o Jim Carrey lá de 2004? Pois é, a adaptação da coleção de livros infantis de Daniel Handler (Lemony Snicket) vai ganhar agora a versão série, com o Neil Patrick Harris no papel de Conde Olaf.

#Girlboss (sem data): Um dos últimos projetos a serem iniciados, a adaptação do livro Girlboss da escritora e fundadora da marca Nasty Gal Sophia Amoruso vai ser dirigido pela linda da Charlize Theron e Kay Cannon, escritora da franquia Pitch Perfect.

Gilmore Girls (sem data): Lorelai, Rory e uma pá de personagem maravilhoso de Stars Hollow voltam pra mais 4 episódios de 90 minutos no nosso não-canal favorito. Nem preciso dizer o quão ansiosas estamos pra esse revival, né?

 

Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

Georgia Santana
  • Coordenadora de Revisão
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

25 anos, do Rio de Janeiro, mas passou a primeira infância em Natal - RN. Estuda Biblioteconomia na UFRJ. Assiste a qualquer tipo de competição esportiva e lê muitas biografias / autobiografias e já chorou de emoção ao comer caldinho de sururu. Odeia barulhos, luz artificial e frio. 90% lufa-lufa, 10% sonserina.

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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