1 de fevereiro de 2017 | Ano 3, Edição #30 | Texto: | Ilustração: Yasmin Lopes
Os Caminhos a nossa disposição

Os seres humanos têm uma visão muito maniqueísta das coisas. E a vida, esse punhado de acontecimentos muitas vezes sem sentido, também não escapa dessa visão dualista. Pode até demorar para a gente entender e aceitar, mas a vida não cabe nessa definição. A vida não tem somente dois caminhos – o certo & o errado. Ela nos oferece possibilidades infinitas. Nós só precisamos estar atentos à elas e fortes o suficiente para perceber a hora de fazer uns desvios necessários.

Quando eu era criança já tinha traçado muito bem na minha cabecinha sem preocupações o que queria ser quando crescesse e todos os passos que precisava seguir para atingir os meus objetivos. Ao longo dos anos muitas dessas metas foram abandonadas. Outras foram substituídas e muitas outras foram redirecionadas. Mas não sem antes me fazer sentir uma perdedora por ter que abrir mão de algumas delas.

Meu sonho de ser bailarina, por exemplo, foi por água abaixo quando o meu corpo começou a ficar muito grande para caber no collant. A vontade de trabalhar num supermercado usando patins foi descartada quando percebi que não tenho coordenação motora para tal. Já a ideia de me tornar uma juíza de sucesso foi para escanteio quando larguei a faculdade de Direito no segundo ano. Essa, inclusive, foi uma das decisões mais difíceis que tomei na vida, mas também uma das mais importantes.

Por muito tempo eu achei que era o fim da linha. Fiquei perdida, literalmente. Me sentia culpada por ter falhado comigo mesma, com os meus sonhos de infância e com a projeção que a família, os amigos e os professores faziam de mim. Eu me senti mal por muito tempo. Me achava velha demais para recomeçar e escolher outro curso; incapaz de passar por todo o processo novamente. E tinha vergonha, muita vergonha, de começar tudo outra vez enquanto os meu antigos colegas avançavam na vida. Eu só tinha vinte anos, mas parecia o fim. Eu só tinha vinte anos e foi então que comecei a entender que comparar o meu caminho ao dos outros não ia me ajudar em nada.

 

Demorou um pouco – mais precisamente um ano e meio – até que eu conseguisse, aos trancos e barrancos, com medo e apreensão, voltar a estudar. Escolhi o Jornalismo e hoje, olhando para trás, vejo como essa escolha mudou a minha vida para melhor.

Eu poderia ter voltado para as aulas de dança, trabalhado para melhorar minha coordenação motora ou até optado por algo completamente diferente, como Gastronomia ou Medicina Veterinária. Eu poderia ter feito qualquer coisa que quisesse. E eu ainda posso fazer tudo o que almejo pois as possibilidades não se esgotam somente porque você falhou em uma delas. Existem outras chances, outras oportunidades. Elas são ilimitadas e podem nos levar para caminhos diferentes e nunca antes imaginados, mas nem por isso menos válidos. A gente só precisa tentar novamente. De novo e outra vez se for preciso. Levantar, sacudir a poeira, escolher entre os tantos caminhos que a vida nos apresenta diariamente e se jogar! E se não der certo, se você não gostar do que viu ali ou simplesmente cansar da paisagem, é só apontar pra uma outra direção e se jogar!

Mas no fim das contas o único caminho que a gente não pode se afastar de maneira nenhuma é o que nos leva à nossa felicidade. Esse caminho sim é importante e fundamental para o nosso bem viver e para a nossa existência nesse mundão.

 

Júlia Freitas
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Júlia Freitas, jornalista em busca do mestrado perfeito, se interessa por tantas áreas que não sabe por onde começar. Típico de libriana. Militante afrofeminista e dos movimentos sociais, morou em Nova Iorque e lá estudou de tudo um pouco. Mas o dendê corre na veia e ela voltou pra Bahia. Por enquanto.

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