8 de novembro de 2015 | Ano 2, Edição #20 | Texto: | Ilustração: Isabela Zakimi-Innocentini
Os efeitos da música sobre nós

Dizem muito por aí que quem canta seus males espanta, e realmente parece que o som tem certo efeito sobre nós, não é mesmo? Eu sempre tive uma relação muito íntima com a música e determinados momentos da minha vida e, apesar de ter aptidão zero para instrumentos e nenhum talento para cantar até “ciranda cirandinha”, desde que me entendo por gente a música sempre serviu como uma espécie de terapia nos momentos mais variados da minha existência.
Na época em que fiz vestibular (2007) eu costumava ter uma música que me fazia sentir superbem e animada, e quando ela tocou na rádio no caminho para a prova, me senti feliz e confiante, tive certeza de que era um “sinal” de que ia fazer uma ótima prova (a música era “I Don’t Feel Like Dancin’”, do Scissor Sisters). Uma explicação lógica pra isso? Não tenho. Mas era o que acontecia. Da mesma forma, se ouço “Gostava tanto de você” do Tim Maia, instantaneamente lembro do meu avô já falecido, e muitas vezes as lágrimas rolam sem controle. Hoje já consigo ouvir “Vento no litoral” do Legião Urbana até o fim, mas por muito tempo a tirei de todas as minhas playlists porque me fazia lembrar de um primo que faleceu muito jovem, e o meu coração doía tanto que eu não conseguia suportar. Quantas e quantas músicas eram o retrato do meu amor com o boy, e quando terminamos por um tempo foi impossível ouvi-las sem querer jogar o rádio longe…
As músicas nos fazem sentir muitas coisas, boas e ruins, e servem de gatilho para muitas sensações e atividades. Música pra malhar, música para faxinar, música pra se concentrar, música pra “rolar um clima”, música pra estudar, quantas playlists dessas já não montamos? Quantas músicas incluímos ou excluímos da nossa vida por conta dos efeitos que tinham/têm sobre nós? Além disso, como negar o impacto de diversos efeitos sonoros que são amplamente utilizados especialmente pelo cinema e pela publicidade para provocar sensações? Felicidade, tensão, humor, romance, e especialmente medo, toda a trilha de um filme, série, novela, etc., é pensada para que o espectador sinta o que está vendo na tela. Ou você consegue passar imune ao tema do filme Tubarão?
A música pode ter efeitos tão fortes sobre o nosso corpo (nos casos de algumas pessoas isso é mais efetivo, em outras menos), que é utilizada, inclusive, como forma de terapia. A musicoterapia utiliza a música ou seus elementos (som, ritmo, melodia…) na tentativa de melhorar a capacidade de comunicação, aprendizagem, expressão e outros aspectos dos pacientes. Como a musicoterapia, muitos conseguem desenvolver melhor ou até restabelecer funções de pessoas em processo de reabilitação, tratamento ou mesmo prevenção. É importante ressaltar que as sessões são sempre feitas por um profissional musicoterapeuta qualificado (existe graduação e especializações na área), muitas vezes em equipes multidisciplinares com outros profissionais de saúde.
Quase todos os pacientes podem se beneficiar da musicoterapia, mas em geral recorrem à ela as pessoas com dificuldades motoras ou cognitivas, assim como aqueles com problemas emocionais ou condições psiquiátricas. A musicoterapia traz muitos efeitos positivos, também, nos casos de dor crônica e estresse pós-traumático. Nas sessões, o profissional pode tocar músicas para os pacientes, mas em geral é estimulada a sessão “ativa”. Nela o paciente canta, dança, toca instrumentos musicais e realiza diversas atividades em conjunto com o profissional. Usa-se muito o teclado, violão e instrumentos de percussão. A pessoa que faz tratamento com musicoterapia não tem que necessariamente ter algum conhecimento musical, porque o objetivo das sessões não é o treinamento musical, e sim o aprimoramento pessoal nos mais diversos aspectos.
Alguns profissionais também associam a musicoterapia a outros métodos alternativos de tratamento, como ioga, acupuntura, técnicas de relaxamento e outros. Diz-se muitos dos efeitos da música clássica sobre o corpo humano. Há uma teoria que defende que se você colocar Mozart pro seu bebê ouvir enquanto estiver grávida ou para niná-lo, ele será mais inteligente: é o chamado “efeito Mozart”. Mas na musicoterapia são utilizados os mais variados métodos, estilos e efeitos musicais, não só a música clássica, sempre com o intuito de atender as necessidades do paciente, seja promover o bem estar, melhorar a memória, a fala, a comunicação, a socialização, entre outros.
E você, como já pensou como a música pode influenciar a sua vida?

Iane Filgueiras
  • Colaboradora de Saúde

Iane Filgueiras, 25 anos, de São Gonçalo - RJ, é mestranda em mídia, com pesquisa voltada para comunicação e saúde. Tem vários desejos, pouco dinheiro, e muito trabalho. Sentimental, faladeira e ansiosa até o último fio de cabelo. Prefere um bom filme/série na TV com balde de pipoca e edredom a quase qualquer coisa. Tem gostos ~~infantis~~, mas é com eles que se sente mais feliz. Sonha em ir à Disney, mas nunca quis ser princesa.

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