6 de dezembro de 2014 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Mazô
Os altos e baixos de uma amizade

Relacionar-se com pessoas é sempre algo potencialmente complicado por um simples motivo: toda pessoa é um mundo, e relações, nesse sentido, são nada mais do que dois mundos tentando se abraçar (óun!). Só que esse abraço nem sempre encaixa todo bonitinho ou, às vezes, encaixa por um tempo, depois desencaixa, encaixa mais ou menos… E aí, o que podemos fazer nesses momentos em que sentimos que a coisa não está encaixando direito?

Existe um mito social de que relações verdadeiras, sejam amorosas ou de amizade, duram para sempre. Mais além, há também o discurso de que relações amorosas acabam, mas amizades não. Isso, por si só, coloca muita pressão sobre nossas amizades, pois acabamos acreditando que devemos fazê-las durar, sem atritos, por toda a vida. E isso é impossível.

Acontece que, além de cada indivíduo ser um mundo de vivências, cada indivíduo é também um mundo de possibilidades. Nós mudamos, nossa vida muda, as circunstâncias mudam e, assim, nada mais natural do que nossas amizades mudarem também. Na adolescência, nossos amigos acabam sendo aqueles com quem convivemos (na escola, no curso, na vizinhança etc.) e nem sempre paramos para pensar no quanto temos ou não em comum com eles. Com o tempo, é normal perdermos o contato com muitos desses amigos por descobrirmos que o que tínhamos em comum era apenas a convivência. Conforme vamos ficando mais velhos, as amizades parecem se formar e se manter mais por uma questão de afinidade. Quando não temos vínculos obrigatórios com uma pessoa, isto é, não somos obrigados a conviver com ela, é mais fácil uma amizade ir murchando, afinal, a manutenção dela, depende muito da vontade e da disponibilidade das duas partes.

Muitos fatores podem ser responsáveis por instabilidade em uma amizade: distância física, distância emocional, gostos diferentes, indisponibilidade constante, sensação de unilateralidade, cobranças, brigas e por aí vai. Nesses casos de instabilidade, é normal sentirmos vontade de dar um tempo. Isso não quer dizer que a amizade acabou ou que não era verdadeira; trata-se apenas de um momento diferente que pode até ser produtivo. Um distanciamento pode ser saudável à relação quando sentimos necessidade e, depois, podemos sentir falta e nos reaproximarmos.

Algumas vezes, nos decepcionamos com nossos amigos e achamos melhor cortar relações de uma vez. Se é o caso de só dar um tempo ou de se afastar por completo, é sempre uma escolha individual. Algo que poderia ser gravíssimo para mim em uma amizade e me fazer descartá-la pode ser pouco relevante para você. E é por isso que diálogo é sempre muito importante. Se você sente que algum(a) amigo/a anda vacilando, é bom conversar a respeito do problema. Talvez a pessoa nem tenha percebido que está fazendo algo que te chateia. Nessas situações, uma simples conversa pode resolver.

De uma maneira ou de outra, se você está naquele momento em que sente que o melhor é romper os laços com algum(a) amigo/a, seja com intenções temporárias ou definitivas, tente fazê-lo com tato. Não é porque uma relação não funciona mais para nós e não encaixa mais em nossa vida, que devemos destratar pessoas que já consideramos tão importantes. Desse jeito, fica até mais fácil depois se houver vontade e oportunidade de se reaproximar. O grau de intimidade em uma amizade também é passível de mudança, então, um afastamento, às vezes é só uma mudança no teor da amizade, e não significa necessariamente um rompimento ou que haja quaisquer tipos de desavenças.

Da mesma forma que amizades não são um mar de rosas constante e eterno, os momentos de instabilidade também não significam um fim definitivo. Estamos acostumados a ver as relações como lineares e evolutivas, e interpretamos qualquer probleminha como o fim de tudo, mas, na verdade, como tudo muda, o fim de uma amizade em um momento de nossas vidas pode ser só o ideal para aquele momento. Amizades podem ser recuperadas em outras circunstâncias, bastando apenas haver vontade – e iniciativa – por parte dos envolvidos.

Laura Pires
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Vlogger

Usa seu vício em séries e Facebook como inspiração para os textos, para a vida e para puxar assunto com os outros. Adora ouvir histórias e conversar sobre gênero, sexualidade, amor e relações amorosas – gosta tanto desses temas que deu até um jeito de fazer mestrado nisso. É professora de inglês, cantora e pianista amadora de YouTube, fala muito, ri de tudo e escreve porque precisa. Ama: pessoas e queijo. Detesta: que gritem.

  • Dayanna Lima

    Estava precisando ler isto. 🙂

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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