14 de novembro de 2015 | Ano 2, Edição #20 | Texto: | Ilustração: Ana Maria Sena
Ouça o seu corpo

Já dizia Dominguinhos que “a planta pede chuva quando quer brotar” e “o céu logo escurece quando vai chover”. Ele também mandou que alguém o trouxesse um copo d’água, pois ele tinha sede e sua garganta pedia um pouco d’água. Pois então, esse é o ponto: nosso corpo pede coisas e dá sinais para tal. Só que a gente precisa estar a postos para ouvir. Você tem ouvido seu corpo? Conversado com ele? Não, eu não estou biruta, nem solitária, nem fazendo contatos de sei-lá-que-grau. É que às vezes a gente pode evitar problemas mais cabeludos simplesmente prestando mais atenção em como nosso corpo está e como ele reage às coisas.

Ouça: a barriga ronca, o dedo estala, o ouvido entope, o nariz respira e espirra, a voz fica rouca, a gente solta umas bufas e arrota. Às vezes, porém, os pedidos são mais tímidos e sutis, o que dificulta bastante a tarefa. Por isso queria discutir algumas questões pra te deixar na sua melhor potência e maior sintonia. Lembrando que a intenção aqui não é cagar regra no jeito que cada uma lida consigo mesma, porque o modo de tratar nosso corpo é uma escolha pessoal.

Não pense que eu não te entendo: a vida acontece, fazemos coisas e nem sempre nos concedemos prioridade absoluta da nossa rotina. Tudo bem, compreensível, acontece (inclusive eu mesma sou assim). A gente se negligencia, vai deixando pra lá aquela mancha esquisita que apareceu na coxa, vai se entupindo de Advil pra se livrar da dor de cabeça diária, fazendo pouco caso da dor de barriga que dá perto da época de provas… Só que, olha, isso não faz problema nenhum sumir, não. Eu sei que muita gente se sente com vontade de simplesmente trocar de corpo pra se livrar das tretas todas. Mas na dura realidade de não ser a Beyoncé vamos continuar com o mesmo corpo e, se você não estabeleceu um canal de comunicação com ele, os velhos incômodos voltarão, mais cedo ou mais tarde, a sussurrar fantasmagoricamente no seu ouvido.

Pra mente funcionar bem, o corpo tem que estar OK. Para o corpo estar OK, o espírito tem que estar bem, e assim por diante, e vice-versa, e etc. Corpo, mente e espírito precisam trabalhar em sincronia. Isso soa um pouco riponga? Bem, é um pouco, de fato. Mas funciona, isso é certo. Uma doença de pele pode ter fundo emocional, assim como enxaqueca e tantas outras doenças. Dê uma chance à ioga, à meditação. Seja equilibrada para não precisar ser radical. Dê-se um tempo, tá? Você precisa e merece.

Julia Oliveira
  • Coordenadora de Estilo
  • Ilustradora

Julia Oliveira, atende por Juia, tem 22 anos e se mete em muitas coisas, mas não faz nada direito — o que tudo bem, porque ela só faz por prazer mesmo. Foi uma criança muito bem-sucedida e espera o mesmo para sua vida adulta: lançou o hit “Quem sabe” e o conto “A ursa bailarina”, grande sucesso entre familiares. Seu lema é “quanto pior, melhor”, frase que até consideraria tatuar se não tivesse dermatite atópica. Brincadeira, ela nunca faria essa tatuagem. Instagram: @ursabailarina

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos