10 de setembro de 2019 | Ano 5, Sociedade | Texto: | Ilustração: Kethlenn Oliveira
Para onde vai toda a nossa água?

H2O é ouro em pó

No ponto futuro o doce e o sal vão se misturar”

– Água, Baiana System

Lembro-me que quando era criança, na escola, os avisos já estavam presentes: “feche a torneira enquanto ensaboa as mãos ou escova os dentes”. Nas aulas de ciência, estudamos como a água doce do mundo estava se esvaindo, logo, precisávamos fazer nossa parte. Ouvi também que não adiantava querer salvar o meio ambiente se meus banhos duravam demasiado. Ao ir visitar Pernambuco, onde tenho raízes, ecoava a canção Sobradinho, de Sá&Guarabyra:

 

“O sertão vai virar mar, dá no coração

O medo que algum dia o mar também vire sertão”

 

Na época, não entendia como o sertão ia virar mar, mas certamente sabia que estávamos sugando toda a água do mundo e deixando-o seco. Fazendo o mar virar sertão.

Nessas viagens, via ainda a realidade de pessoas que precisam andar quilômetros e quilômetros com baldes em suas cabeças para buscar água em poços. Logo no Brasil, país que tem cerca de 12% das reservas mundiais de água doce do planeta, o direito à água potável não é garantido. E não estamos sozinhos: segundo a ONU, 2,1 bilhões de pessoas vivem sem água potável em casa ao redor do mundo.

Conforme o tempo passava, no entanto, passei a perceber que talvez a ação de convencer todos os meus colegas a reutilizar a água do banho para lavar o quintal não fosse o suficiente para reverter o cenário no qual vivemos. Segundo a ONU, aproximadamente 70% de toda a água potável disponível no mundo é utilizada para irrigação, enquanto as atividades industriais consomem 20% e o uso doméstico 10%.  A estimativa é de que sejam necessários 15 415 litros de água para a produção de 1 Kg de carne bovina enquanto um banho de 15 minutos consome 135 litros de água.

Logo, alguns usam muito dos recursos e muitos não têm acesso aos recursos básicos, como água potável encanada para beber e cozinhar. O próprio Ministério do Meio Ambiente sugere que é necessário “diminuir o desperdício de água na produção agrícola e industrial, a partir do controle dos volumes de água utilizados nos processos industriais, da introdução de técnicas de reuso de água e da utilização de equipamentos e métodos de irrigação poupadores de água”.

Ao ligar o noticiário, vemos o mundo voltando seus olhos para o Brasil pela sua perda de compromisso com pautas do meio ambiente. Me pego pensando em quais alternativas temos para ajudar a preservação de nossos recursos naturais, considerando o papel significativo do agronegócio e da indústria no uso da água do Brasil e do mundo. Acredito que é necessário repensar as nossas escolhas de consumo e alimentação como sociedade, entender qual é a capacidade do nosso planeta em comparação com o que exigimos dele com nossos hábitos, como se encaixam os diferentes países e regiões do mundo nessa dinâmica e, a partir daí, cobrar políticas estruturais que construam uma nova maneira de lidar com nossa água e recursos naturais.

 

Para ler mais:

 

https://nacoesunidas.org/acao/agua/

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/natural-sciences/environment/wwdr/#c1608174

https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000367303_por

https://www.menos1lixo.com.br/posts/a-industria-que-mais-consome-agua-no-mundo

Daniela Matos
    Colaboradora de Sociedade

Um pouco de tudo: muito comunicativa, meio programadora, bastante feminista, quase internacionalista e uma futura viajante. Escrevo o roteiro da série sobre a minha vida dentro da minha cabeça (é por isso que as vezes eu rio sozinha) e gosto muito de batatas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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