10 de março de 2016 | Colunas, Esportes | Texto: | Ilustração: Duds Saldanha
Perfil: Maria Sharapova

No mundo do esporte o talento é sempre o argumento final. O talento deve garantir que sua carreira seja a carreira perfeita. O talento deve se converter em resultados imediatos e duradouros. A presença do talento já é o suficiente para que a atleta espere a vinda de todo o resto com o tempo – preparo, maturidade emocional, capacidade de gestão, competitividade. E foi esse talento que descobriram em Maria Sharapova aos 14 anos. Seu começo precoce como profissional nessa idade foi sempre colocado em cheque por analistas esportivos, mas sua trajetória (e seu talento) afastavam qualquer reflexão sobre um possível erro nessa decisão. Isso até agora, momento em que o verniz de perfeição da carreira de Sharapova foi descascado com a descoberta de um escândalo de doping.

A carreira de Sharapova foi marcada por três coisas: títulos, lesões e um dom natural para o marketing. Aos 17 anos a russa ganhou o título de Wimbledon, e aos 19 já era a 4ª melhor atleta do tênis feminino. A pressão para manter o nível da carreira, e o peso que vem embalado com o rótulo de prodígio, teria sobrecarregado a atleta, especialmente no momento de ascensão da rival Serena Williams?

Sharapova foi pega pelo consumo da substância Meldonium, que de acordo com a atleta, consome há anos por indicação médica. A substância foi incluída na lista de proibições da liga apenas em janeiro de 2016. Os efeitos do escândalo na carreira de Sharapova foram imediatos – a atleta era a face da Nike, Tag Heuer e Porsche, e as três empresas cortaram laços imediatamente após a coletiva que revelou o escândalo.

Hoje a russa tem apenas 29 anos, e sua carreira está, em teoria, ainda em desenvolvimento. Mas o que vem depois do doping? Recomeçar se torna ainda mais intenso e desgastante, com a cobrança pela prova final de que suas conquistas não vieram de substâncias ilegais e sim de seu talento pessoal. Readquirir a confiança das marcas, que no mundo do esporte moderno se tornou algo tão essencial quanto uma vitória ou um ranking, também será difícil.

Mas Sharapova tem visão. A moça é uma das poucas atletas que, ainda em um estágio inicial de sua carreira, abriu sua própria empresa – uma marca de doces chamada Sugarpova. Essa é considerada uma das decisões mais ousadas e inteligentes do mundo do esporte moderno, uma demonstração de que Sharapova é mais do que apenas um prodígio que caiu das graças, e sim alguém que tenta há anos converter talento em resultados.

Ana Clara
  • Colaboradora de Esportes

Ana tem um site de cinema que chama Ovo de Fantasma e está se formando em comunicação na UFMG e tentando mestrado em cinema. É obcecada em estudar cultura americana, cresceu tomboy de joelho ralado, ama futebol, baseball e futebol americano. Jogada basquete, escalava, hoje tem hérnia e só comenta e ganha dos homens no Fantasy.

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