21 de abril de 2014 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Personagem Inspiradora – Kiki, de O Serviço de Entregas da Kiki

“O Serviço de Entregas da Kiki” ou “Majo no Takky?bin” é um fillme japonês de animação lançado em 1989, produzido, escrito e dirigido por Hayao Miyazaki e baseado no livro “Majo no Takky?bin” da escritora japonesa Eiko Kadono. Ele conta  a história de uma jovem bruxa-em-treinamento, Kiki, que como todas as bruxas de 13 anos deve deixar a família e cidade natal para um ano de preparação mágica, levando consigo somente uma mala pequena, uma vassoura, um vestido e seu gato preto Jiji.

Kiki nunca teve medo de sua jornada solitária, ela abraça a novidade e suas surpresas desde o princí­pio como uma aventura para o desconhecido, um desafio sonhado e desejado. A partir de agora, há somente uma responsável por seu destino: é dela a decisão de quando partir e para onde ir. O entusiasmo faz tudo parecer menos complicado, mas ela é madura o bastante para assumir seus compromissos e cumpri-los com dedicação.

Apesar de ser uma bruxa, Kiki tem de trabalhar muito; está sempre empenhada em realizar as tarefas de seu trabalho, e quase nunca usa magia para auxiliá-la durante o processo. Independente da ajuda de Osono, de quem Kiki é hóspede, é dela a responsabilidade de cozinhar, lavar, dedicar-se ao serviço de entregas, sustentar Jiji, encontrar uma fonte de renda e controlar seus gastos e despesas; Kiki é dona do próprio nariz. Além do objetivo aparente dos estudo da magia, a jornada é o seu rito de passagem para outra fase de sua vida, onde ela tem independência quase total mas também responsabilidades em dobro.

Na visão da personagem e de seus valores tradicionais, uma boa ação é o caminho para o sucesso e para a felicidade. A bondade de Kiki é uma de suas qualidades mais notáveis, ela nunca hesita em ajudar seus amigos, mesmo quando essa ajuda exijeo sacrifício de algo importante. Contudo, apesar de seus esforços, suas boas intenções também podem ter resultados negativos, fazendo-a questionar o valor do seu trabalho e de suas habilidades, sua capacidade de adaptação em sociedade e seu próprio valor. Há o sentimento de deslocamento, exclusão social e falta de compreensão por parte da mundo moderno de tudo o que difere dele, inclusive o tradicional. Mesmo no meio de tantas pessoas, Kiki é uma estrangeira.

Entre os amigos e amigas de Kiki está Ursula, uma das melhores personagens secundárias do Studio Ghibli, apaixonada por pintura e moradora de uma cabana de madeira na floresta local. Quando Kiki precisa, Ursula aconselha-a sobre a busca pela identidade pessoal, ajudando Kiki a encontrar-se novamente: “Confie em seu espírito! Esse mesmo espírito é o que me faz pintar, e faz o seu amigo cozinhar … Mas cada um de nós precisa encontrar nossa própria inspiração, e as vezes isso não é fácil”

Kiki não descobre ou desenvolve uma nova personalidade, mas no lugar o direito de ter confiança em si mesma. Suas diferenças com relação a outras meninas de 13 anos não são características negativas, são qualidades únicas que a fazem conhecer novas possibilidades ignoradas por quem não as possui. Kiki tem o direito de ser Kiki, vestir-se da maneira que quiser, falar o que quiser, gostar do que quiser gostar, acreditar no que quiser acreditar e viver da maneira que quiser; ninguém tem o direito de julgá-la.

Personagens adolescentes tridimensionais e sensíveis como Kiki ainda são difíceis de encontrar no cinema, o que a faz ainda mais preciosa e merecedora de todo o reconhecimento. Hayao Miyazaki, um dos fundadores do Studio Ghibli e a alma por trás do filme, diz colocar heroínas fortes e independentes em suas animações com o objetivo de torná-las fonte de inspiração para meninas assistindo a seus filmes. E esse é o sentimento movedor da obra; a força de Kiki mesmo nos momentos de frustração, seu crescimento e sua busca por um lugar no mundo a fazem inspiradora, mas ao mesmo tempo é bastante fácil enxergar-se em algumas nuances da personagem.

Acesse aqui se você quiser saber mais sobre Hayao Miyazaki e o Studio Ghibli.

Giulia Fernandes
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

Giulia Fernandes, 17 anos, Rio de Janeiro, estudante. Meus interesses são: film noir, batons roxos, criptozoologia, árvores centenárias, garimpar livros e LPs, colecionar caracóis e algumas vezes outras coisas também.

  • Seul

    Belo texto…!

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