2 de julho de 2014 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
Personagem Tech do Mês: Cecilia Payne
Ilustração: Jordana Andrade

Ilustração: Jordana Andrade

Para começar a falar sobre a personagem tech desse mês, nós vamos fazer um joguinho!

Será que você consegue adivinhar quem é cada um deles?

  •  O homem que estava sentando embaixo de uma macieira pensando sobre o universo quando uma maçã caiu em sua cabeça e, assim, formulou as leis da gravidade.
  • O homem que teorizou a relatividade, explicando a relação espaço-tempo, e famoso por sua foto engraçada mostrando a língua.
  • O homem que descobriu que a Terra rodava em volta do Sol e não o contrário.

Quem alguma vez já estudou minimamente Física, sabe que esses cientistas se chamam, respectivamente, Newton, Einstein e Galileu.

Agora, e se eu te perguntar sobre teoria da composição do universo…? Estudar Física sem conhecer a química que rege os grandes astros é quase impossível. Mas, será que você sabe quem foi que a descobriu?

Por que será?

Hoje, aqui na Capitolina, vamos contar a história de uma moça incrível: Cecilia Payne!

Cecilia nasceu em 1900, numa cidadezinha da Inglaterra. Ela estudou grande parte da sua adolescência em uma escola católica só para meninas. Mas, tendo pouco interesse em religião, decidiu aprender sozinha outras matérias, chegando a fingir que estava doente diversas vezes para poder estudar o que realmente queria (quem nunca?). Aos 17 anos, com a ajuda de uma professora, Cecilia foi transferida a uma escola em Cambridge para focar no estudo de Botânica.

Um dia, porém, ao assistir a uma palestra sobre eclipse solar, apaixonou-se totalmente pelo assunto. A partir daquele momento, ela mudou a sua área de estudo e passou a estudar Astrofísica na universidade de Cambridge. Mulheres, entretanto, não podiam receber diplomas na Inglaterra. Cecilia, então, disse bye-bye à sua terra natal e partiu para os Estados Unidos, buscando estudar em Harvard.

Agora estudando na famosa Harvard, Cecilia conheceu um professor que a ajudou a obter uma devida graduação, guiando seus estudos e projetos. Em dois anos, ela completou seu grande estudo sobre a atmosfera estrelar. A sua tese principal afirmava que o hidrogênio era o elemento mais abundante nas estrelas, indo contra as crenças da época.

Basicamente, o que ela descobriu foi o seguinte: Ao decompor a luz emitida pelas estrelas através de um prisma (sabe aquele desenho na capa do álbum do Pink Floyd, The Dark Side of the Moon? Exatamente isso!), algumas cores podem faltar. Isso acontece porque o Sol e a atmosfera da Terra absorvem certas luzes e as emitem novamente num comprimento de onda e frequência diferentes da anterior. A quantidade e quais frequências são absorvidas depende da composição e temperatura do objeto e, ao analisar esses dados, nós conseguimos entender um pouco mais sobre como uma estrela funciona. Porém, os corpos celestes que Cecilia estava analisando se encontravam muitos distantes da Terra e, por isso, a luz emitida por eles sofria diversas alterações, como, por exemplo, pela ionização. O que ocorria na ionização já havia sido desvendado por um físico indiano, Meghnad Shaha. Cecilia, então, se baseou nessa teoria e conseguiu analisar quais materiais e qual temperatura possuíam estrelas que estão a muitos anos-luz de distância da Terra. Ela chegou à conclusão de que todas as estrelas são muito parecidas em sua composição, diferente do que se acreditava na época. Cecilia também descobriu que elas possuem uma quantidade de elementos pesados similar com o do planeta Terra; porém, a quantia de hidrogênio e de hélio era incrivelmente maior em todas as estrelas.

Para a época, essa descoberta foi completamente revolucionária! Muitos cientistas não acreditaram no trabalho de Cecilia, considerando a sua tese como “impossível”. Quatro anos depois, o físico Henry Norris Rusell chegou às mesmas conclusões de Cecilia e, na maioria das vezes, o nome dele é associado à descoberta.

Em 1930, Cecilia completou suas pesquisas e se tornou a primeira pessoa a conseguir doutorado em astronomia em Harvard. E, mais tarde, foi considerada por alguns como a criadora da mais brilhante tese de doutorado em astronomia já elaborada.

Ela continuou em Harvard por muitos anos trabalhando como assistente, apesar de realizar todas as tarefas de um professor, como ajudar estudantes, guiar pesquisas e realizar palestras. Somente em 1956, ela foi reconhecida como professora e ganhou o título de diretora do departamento de Astronomia, se tornando a primeira mulher a virar coordenadora de uma área de estudo da universidade!

Quando Cecilia começou a estudar Astrofísica, o campo da ciência era composto principalmente por homens. Ela conseguiu quebrar a barreira que impede mulheres de atuarem nessa área, disse um “chega” ao patriarcado e mostrou o seu verdadeiro potencial como cientista e mulher. Cecilia conseguiu abrir espaço para a representação da mulher na ciência e serviu de inspiração para milhares de meninas no mundo todo. Hoje em dia, porém, mais de 50 anos depois, o cenário mudou pouco. De todos os físicos, apenas 14% são mulheres – segundo uma pesquisa feita nos Estados Unidos. Apesar da grande conquista de Cecilia, o seu nome ainda é ocultado dos livros didáticos de Física e garotas ainda não são encorajadas a se especificarem nas ciências. Mas, nós, da revista Capitolina, te encorajamos a olhar para Cecilia e acreditar que mulheres podem ser protagonistas e que nada nos impede!

Dora Leroy
  • Coordenadora de Quadrinhos
  • Ilustradora

Dora Leroy tem 21 anos e acredita que o universo é grande demais para não existir outras formas de vida inteligente por aí. E, enquanto espera uma invasão alienígena acontecer, gosta de ler livros que se passam em universos mágicos e zerar séries do Netflix.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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