8 de dezembro de 2015 | Ano 2, Edição #21 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Por que economizar energia?

Quantas vezes já te falaram para não demorar debaixo do chuveiro? Ou para apagar as luzes de cômodos vazios? Ou tirar da tomada aparelhos elétricos que não estão em uso? Ou…

Estas (e muitas outras) recomendações normalmente são feitas para reduzir o consumo de energia. A questão da economia vai muito além de uma conta de eletricidade mais barata, é também um meio de reduzir danos ambientais. Pesquisando por aí, você provavelmente encontrará diversas listas com dicas para economizar energia. Algumas focam na energia elétrica, outras também levam em conta recursos como a água, a madeira, etc. Mas seguir as recomendações de economia de energia (e de recursos) encontradas por aí realmente ajuda o meio ambiente?

Para responder essa pergunta vou precisar da ajuda da minha odiada amiga física. Na física, a energia está associada à capacidade de qualquer corpo produzir trabalho, ação ou movimento. Segundo o princípio da conservação de energia, ela nunca pode ser criada ou destruída, mas apenas transformada. O computador ou celular em que você acessa este texto, por exemplo, dependeram de energia para serem produzidos. Tudo o que foi transformado, seja ele um computador ou uma folha de papel, dependeu de energia para sua produção. Como ela nunca é criada e nem destruída, o consumo desenfreado de energia e recursos gera impactos ambientais e sociais. A geração de energia elétrica sempre provoca algum efeito na natureza, como, por exemplo, a produção de gases do efeito estufa, responsáveis pelo processo de aquecimento global.

O exemplo mais comum de energia utilizada no Brasil (cerca de 80%) é a hidroelétrica. Nela, o movimento das águas gera a eletricidade. Para a construção de uma usina hidroelétrica é necessário alagar uma grande área. Para isso, florestas são desmatadas e populações transferidas, como o que aconteceu recentemente em Belo Monte. A energia termoelétrica é outra fonte de energia utilizada no Brasil que melhor exemplifica o princípio de conservação de energia, pois, nesse caso, a energia é gerada através da queima de combustíveis (gás, carvão, etc.), e só ocorrerá enquanto existirem recursos, que demandam do meio ambiente um tempo muito maior para serem produzidos do que o tempo em que os consumimos. E, além disso, a emissão de gases do efeito estufa (principalmente através da queima do carvão) é muito superior à hidrelétrica, considerada uma energia “limpa” (entre aspas, pois gera impactos ambientais). As energias realmente limpas, como a eólica e solar, ainda são muito caras.

Levando em conta os danos ambientais causados pela produção de energia, nos aconselham a diminuir nosso consumo energético. Mas o consumo de energia não ocorre somente por indivíduos. Entre tantas outras coisas, a energia também é utilizada em vias e prédios públicos e privados, em meios de transporte e por indústrias. O que vale ser lembrado é que a produção industrial demanda muito mais energia do que o consumo residencial. A indústria, que falo aqui de uma forma genérica, está representada por categorias como a agricultura, pecuária, automobilística, petroquímica, etc. Em um comparativo do consumo residencial e industrial entre 2004 e 2015, fornecido pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o consumo de energia pela indústria ultrapassa o consumo residencial em todos os anos. Desviar o foco do consumo industrial e responsabilizar o gasto de energia e danos ambientais por pequenas atitudes individuais, como não apagar a luz, acaba sendo ineficaz. É culpar o indivíduo por um problema coletivo.

Mas se você está pensando que tudo está perdido e essa vida de economizar energia em casa não leva à nada além de uma conta de energia mais barata, não fica triste. Fazer sua parte e apagar as luzes ou qualquer outra medida acessível em seu dia a dia pode sim fazer diferença! Mas também é importante (se possível) estar consciente sobre seus hábitos de consumo não só dessa energia que chega até sua casa, mas também do impacto ambiental de certos produtos, como o que você veste e come.

Um pouco mais sobre o assunto:

Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade

Nessa onda de sustentabilidade e economia de recursos, o documentário mostra a descoberta do cineasta Kip Andersen sobre o impacto ambiental gerado pelo consumo de produtos de origem animal e porque diversas organizações ambientais omitem estas informações. O documentário também está disponível no Netflix.

Heleni Andrade
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Minhas amigas me chamam de Leni. Estudo Artes Visuais mas tenho um pézinho no design. Gosto de navegar na internet, fotografar o mundão, cozinhar, descobrir músicas legais e fazer playlists.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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