7 de junho de 2017 | Se Liga | Texto: | Ilustração:
POR QUÊ ‘MULHER-MARAVILHA’ É TÃO IMPORTANTE?
WONDER WOMAN

UM AVISO: esse será um texto em que falarei bastante em primeira pessoa. Já fica aqui o convite para você dizer o que achou deixando seus comentários ao final do texto ou até mesmo nas páginas da Capitolina no Twitter, no Instagram ou no Facebook! Vamos falar desse mulherão que é Diana Prince!

 

Finalmente chegou junho e, com ele, a estreia de “Mulher-Maravilha”, primeiro filme solo de uma super-heroína nessa leva de universo expandido tanto da DC quanto da Marvel. Saí muito satisfeita do cinema e com um sorrisão no rosto. Sou uma fã dos filme de super-heróis, mas nenhum deles produziu o efeito em mim que a história de Diana Prince (Gal Gadot) produziu. Depois de ver a cena mais importante do filme para mim, e que quase foi cortada na edição, uma lágrima escorreu e eu senti que podia fazer qualquer coisa. Li um tuíte que resume bem a sensação que tive ao deixar a sala escura e voltar para minha casa. “Não me espanta que homens brancos sejam tão confiantes o tempo todo. Eu vi um filme de super-heroína e estou pronta para lutar contra mil caras com minhas próprias mãos”, escreveu a internauta @megsauce (aqui fica a tradução livre).

 

Diana cresceu na ilha de Themyscira, com outras amazonas, sob o comando de sua mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen). Desde cedo, ela já mostrava que ia atrás do que achava que era certo. Faz isso para aprender a lutar, ao receber aulas clandestinas de Antíope (Robin Wright), e ao sair da ilha onde passou toda a vida para defender a humanidade e restaurar a paz e a justiça no mundo.

 

Ao construir seu caminho longe de casa, Diana descobre que o mundo é diferente do que ela estava acostumada em Themyscira. Desse choque de realidades vem uma parte do humor que é explorado no filme: o estranhamento de Diana com as roupas, com os costumes, com os relacionamentos das pessoas. Pontos aí também para o carisma de Gal Gadot, que está muito bem como a princesa amazona e encontra o tom certo do humor da personagem, construída de uma maneira bem menos sisuda do que Batman (Ben Affleck) e Super-Homem (Henry Cavill), o que eu achei muito bom.

 

Diana não se contenta com o espaço que homens querem dar a ela, quando eles assumem que mulheres não podem tomar certas decisões ou ocupar determinados espaços. Muitos anos passaram da época em que a Mulher-Maravilha chegou ao nosso mundo até hoje. Avançamos, mas a certeza que tenho é de que nós, mulheres, ainda temos muita luta pelo caminho para conquistar nosso espaço.

 

E aí fica outra lição: vamos caminhar, mas sem deixar de abraçar quem somos, nossas contradições, nossas vulnerabilidades, nossos erros e acertos. Há uma escolha diante de nós sempre. E tudo bem mudar de opinião. Então, que saibamos escolher o que representa a nossa verdade, que sejamos fiéis a quem somos.


mulher-maravilha-foto

Se eu, que tenho 29 anos, fiquei encantada vendo tudo isso no filme, imagine como não deve ser a experiência para meninas ao redor do mundo, de ver uma mulher quebrando tudo e lutando pelo que acredita? Então, para quem ainda está aí querendo saber o motivo de “Mulher-Maravilha” ser tão importante, deixamos aqui a resposta: PORQUE REPRESENTATIVIDADE IMPORTA!

mulher-maravilha-david-josh mulher-maravilha-geoff-johns mulher-maravilha-nerdyasians

 

 

 

Chega disso de que mulheres não atraem pessoas ao cinema, né?!

 

Além de ter um bom roteiro, inspirar meninas e mulheres a acreditarem em si, mostrar uma personagem que já tinha me deixado curiosa desde “Batman v Superman: a origem da Justiça” e ter uma direção muito cuidadosa de Patty Jenkins, “Mulher-Maravilha” brilha por fazer cair por terra a teoria de que filmes de super-heroínas não seriam rentáveis. Só no fim de semana de estreia nos Estados Unidos, o longa arrecadou US$ 100,5 milhões, mais do que “Homem de Ferro”, “Capitão América”, “Guardiões da Galáxia” e “Doutor Estranho” no mesmo período, por exemplo. Já ficou claro que isso é mentirinha, né!?

 

Será que agora a onda muda? O sucesso de crítica e público parece ter garantido o passe para uma continuação de “Mulher-Maravilha”. Em entrevista ao site Fandango, a diretora Patty Jenkins demonstrou animação em tocar um segundo capítulo da história de Diana Prince: “Definitivamente é algo em que estou muito, muito interessada. Amo o que criamos, o time que trabalhei para fazer o primeiro filme e os atores. Então, sim, estou empolgada para conversarmos sobre continuarmos juntos”. A vontade é tanta que Jenkins já até sabe onde a história seria ambientada: depois de vermos a princesa das amazonas em ação em Londres e nos despedirmos dela em Paris, os Estados Unidos seriam o próximo destino.

mulher-maravilha-patty-jenkins-gal-gadot-elenco

 

De qualquer forma, antes mesmo do segundo “Mulher-Maravilha”, saberemos um pouco mais sobre a super-heroína. Anotem aí no calendário: Liga da Justiça tem previsão de estreia para 16 de novembro de 2017.

 

Será que a Marvel se anima com o bom resultado e nos dá o tão aguardado filme da Viúva Negra (Scarlett Johansson)? Natasha Romanoff mais que merece voar solo, né!? Enquanto isso, de certo mesmo só que teremos “Capitã Marvel”. Brie Larson foi a escalada para dar vida a Carol Danver, num filme que tem previsão de estreia para 28 de fevereiro de 2019.

 

Ah, não vamos nos esquecer que quando o assunto são os seriados, duas super-heroínas já ganharam seus programas: “Supergirl” e “Jessica Jones”.

 

Uma diretora fazendo história em Hollywood

 

Achou que os motivos para amar “Mulher-Maravilha” acabaram? Não não e não. Abrimos caminho para Patty Jenkins passar e fazer história no cinema. É surreal pensar isso, mas ela foi a segunda mulher a ter um orçamento de US$ 100 milhões para fazer um filme live-action. A primeira foi a vencedora do Oscar Kathryn Bigelow, em 2002, para “K-19”.

 

Jenkins é a primeira mulher a dirigir um filme um filme de super-herói. Mais ainda: ela é a mulher a dirigir o primeiro filme de super-heroína. E pensar que ela teve que esperar um bocado para conseguir contar essa história. Em 2005, depois de dirigir “Monster” (2003), que rendeu um Oscar a Charlize Theron na categoria de atuação, a diretora procurou estúdios de Hollywood para um projeto sobre “Mulher-Maravilha”. Há 12 anos, né?! O filme só foi anunciado em 2015 e seria dirigido por Michelle MacLaren. Mas ela largou o projeto por conta de diferenças criativas e foi aí que Jenkins assumiu a direção. Não sei como seria sob a batuta de MacLaren, mas fiquei muito feliz e satisfeita com o trabalho de Jenkins.

mulher-maravilha-patty-jenkins-gal-gadot-2

Aliás, bem antes de assumir um trabalho na DC, a diretora foi contratada pela Marvel. Ela seria a responsável por “Thor: o mundo sombrio”. Aí foi a vez de Jenkins alegar diferenças criativas e abandonar o projeto. De acordo com matérias da época, quem não gostou nada disso, foi Natalie Portman, que deu vida a Jane Foster e não volta para “Thor: Ragnarok”.

 

Olha só quanta coisa boa! Quem sabe com sua espada, seu escudo e seu laço, a “Mulher-Maravilha” não seja uma maneira de Hollywood começar a verdadeiramente se render ao poder das garotas?! Queremos e precisamos de mais mulheres poderosas e maravilhosas tanto na frente quanto atrás das câmeras!

 

Nossa dica para quem ainda não viu? Corre para o cinema!

 

 

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos