30 de junho de 2017 | Ciência & Tecnomania | Texto: | Ilustração: Yasmin Lopes
Por que não podemos ficar sem dormir?
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O sono é uma parte essencial de nossas vidas. Descansar após um dia cansativo de trabalho ou estudo pode parecer tão banal que muitas vezes acabamos negligenciando esse momento, não é mesmo? Aliás, essa é uma ideia que se tornou muito comum na sociedade atual: a de que quando estamos dormindo deixamos de ser produtivos  e por isso devemos reduzir o sono para compensar o tempo perdido. Mas será que a dormir pouco realmente tem efeitos em nossa saúde? A ciência tem algumas respostas!

O sono é um momento de renovação. É durante o sono que substâncias tóxicas que são produzidas pelas células cerebrais ao longo do dia são eliminadas. Isso mesmo, trabalhar, estudar e pensar produzem resíduos que precisam ser removidos para garantir o funcionamento normal do cérebro e seus neurônios. As células que fazem essa “limpeza” são chamadas células da microglia, através da “digestão” daquilo que não é mais útil. Além delas, os astrócitos são também outro tipo de células que ajudam na “organização cerebral”, eliminado estruturas antigas ou sem utilidade. O balanço entre a atividade de todos esses componentes garante o funcionamento correto do nosso cérebro.

Um estudo recente (link aqui: http://www.jneurosci.org/content/37/21/5263) mostrou que a privação do sono pode alterar esse funcionamento. Pesquisadores de uma universidade na Itália fizeram experimentos com ratos que foram divididos em quatro grupos: ratos que puderam dormir o quanto queriam, ratos que eram acordados periodicamente, ratos que tiveram sono reduzido em 8 horas e ratos que foram impedidos de dormir por 5 dias seguidos. Nos ratos que não dormiram durante todos esse dias, as células da microglia estavam mais ativadas do que em todos os outros grupo. E o que isso significa? Que eles estariam “digerindo” mais estruturas do que o normal e possivelmente, isso poderia causar outras formas de dano cerebral ao longo do tempo.

Apesar de ser em ratinhos, esse estudo nos mostra mais uma evidência de que o sono tem um papel fundamental na regulação do cérebro e que sua falta pode trazer malefícios. Outras pesquisas também mostraram que a falta de sono afeta diretamente nossa capacidade de lidar com as emoções, inclusive a nossa empatia. A empatia é a habilidade de compreender e compartilhar os sentimentos, perspectivas e emoções de outras pessoas. A empatia é algo fundamental no dia a dia de todos nós. Em um artigo publicado em 2014 (você pode ler o artigo completo aqui: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jsr.12192/full), pesquisadores demonstraram que pessoas impedidas de dormir por uma noite inteira expressavam menos empatia quando submetidas a testes neuropsicológicos do que aqueles que puderam dormir uma noite completa. Ou seja, não dormir pode afetar diretamente a forma como nos relacionamos com o mundo e com as pessoas a nossa volta.

A ciência traz muitas respostas sobre o sono, mas ainda não achou uma solução definitiva para os problemas que nos deixam sem ele. Na dúvida, melhor tentarmos dormir melhor!

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Ana Carolina Souza
  • Colaboradora de Ciências e Tecnomania
  • Colaboradora de Saúde

Ana Carolina tem 25 anos e é médica formada pela UFRJ. Atualmente faz doutorado na mesma universidade na área de Cardiologia. Ama tudo (tudo mesmo!) relacionado à ciência e sonha em se dedicar e incentivar a pesquisa no país.

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