11 de abril de 2014 | Culinária & FVM | Texto: and | Ilustração:
Por que nós amamos Fazer Nós Mesmas (e duas receitinhas)

Durante o processo de definir qual seria a pauta do nosso primeiro FVM (decidimos adotar a sigla em português, Faça Você Mesma) para a Capitolina – precisava bater com o tema desta edição inaugural, que é começos&identidade – nós acabamos conversando meio que naturalmente sobre os porquês de gostarmos tanto de cozinhar e fazer projetinhos de decoração e afins. Chegamos a algumas conclusões.

Antes de tudo, fazer (entenda-se: terminar) alguma coisa é sempre bom demais. Se já é bom com dever de casa ou tarefas chatas no trabalho, quando escolhemos fazer é melhor ainda. E quando é uma coisa deliciosa ou linda que você teria desembolsado muitos dinheiros pra comprar pronta, aí a sensação é quase mágica. Nada melhor do que se sentir independente, e nesse sentido a filosofia do DIY é super empoderadora.

Mas não é só isso. Muito mais do que a possibilidade de economizar uma graninha na hora do almoço ou redecorar a casa e dar uma repaginada no guarda-roupas, fazer você mesmo é legal por causa do processo. É divertido, é terapêutico, é uma excelente desculpa pra fazer farra com os amigos. Lógico que a ideia é sempre fazer o melhor possível, mas pouco importa se a sua lasanha não ficou igual à da foto ou se hoje não tinha tomilho pra colocar no peixe. A graça pra gente é fazer. Nenhuma de nós é especialista nesses assuntos e às vezes vai dar tudo errado, mas ficaremos realmente felizes se vocês contarem pra gente que passaram uma tarde linda e colorida bagunçando a cozinha.

E daí que resolvemos começar simples, pelo começo. As nossas mini-receitas especiais. Aquelas que aprendemos a fazer quando ainda éramos crianças, com um banquinho ao pé do fogão, com o nariz sujo de massa de bolo, e pras quais apelamos sempre que precisamos de conforto. Aquelas que fazem carinho na barriga e deixam com um sorriso no rosto!

Vamos começar com as receitas da Luiza e da Bárbara, e na semana que vem apresentaremos o resto da equipe – Jade, Maísa e Nicole – e suas receitas infalíveis.

Biscoitinho 123 – por Luiza Vilela

Chega a ser quase ridículo escrever uma receita pra esse biscoito, de tão simples que a coisa toda é, mas já que a pauta pedia nossas primeiras aventuras na cozinha, não tinha como fazer outra coisa. Eu descobri muito cedo na vida que gostava mais de coisas salgadas do que de coisas doces, e rapidamente descobri também que o meu problema com os doces era o chocolate (eu sei, é uma falha séria de caráter, but I was born this way, baby).  Eis que eu descubro o biscoitinho 123. É doce, mas nem tanto. Tem muita manteiga. Não tem chocolate. É absurdamente fácil de fazer e ainda pode servir de base pra milhares de outras coisas. Ou seja, é perfeito. Devo ter feito pela primeira vez com uns cinco anos de idade (minha mãe também adora e me ensinou), e desse dia em diante, sempre que recebíamos visitas, eu insistia em fazer os biscoitos, pra mostrar o quanto era prendada. Tentem – não há nada mais simples e delicioso pra acompanhar um chá ou um cafezinho no fim da tarde. Da última vez que eu fiz, trouxe pro trabalho e as pessoas estão me amando até hoje.

Ingredientes (vocês vão entender o porquê do nome):

1 – 100 gramas de açúcar

2 – 200 gramas de manteiga (é o tablete inteiro)

3 – 300 gramas de farinha

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Modo de preparo (não vale rir):

1 – Junte os três ingredientes numa tigela

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2 – Amasse com as mãos durante uns 5 minutos, até que vire uma massa homogênea

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3 – Faça bolinhas pequenas e as coloque num tabuleiro (não precisa untar). Depois, com um garfinho, amasse de leve as bolinhas. Pode pirar no formato dos biscoitos, esse é o clássico. Só leve em consideração que ele dá uma ligeira “esparramada” quando vai ao forno, assim como cookies.

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4 – Asse no forno pré-aquecido a 180o por aproximadamente 15 minutos (eu fico do lado do forno, porque é bem rápido. Quando as bordas estiverem dourando, pode tirar).

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5 – Espere esfriar (assim que sai do forno, ele ainda está um pouco mole. Não se assuste, e nem deixe mais tempo, senão vai queimar. Deixe ele assentar por uns 10 minutos, e só depois tire da assadeira.

6 – Chame os amigos para um chá das 5 e coma até enjoar. Esse biscoitinho fica uma loucura com geleia, com goiabada e, se você não tem problemas como eu, com recheio de brigadeiro.

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Macarrão Caseiro – por Bárbara Fernandes

Para a minha primeira receita, eu decidi juntar duas coisas que lembram muito a minha infância e têm tudo a ver com a pauta dessa edição #1. Quando criança, eu sempre ia pra Floripa nas férias de verão visitar os meus avós, e foi numa dessas férias que eu aprendi a fazer massa de macarrão. Lembro que minha avó preparava a massa e ia até a varanda, onde sentava na frente de uma engenhoca que transformava uma bolota de massa em um monte de fiozinhos fininhos e compridos. Eu e meus primos fazíamos uma fila pra levar o macarrão pronto da varanda até a cozinha, sempre com o maior cuidado pra não grudar tudo e ter que passar pela maquina de novo (eu sempre deixava grudar tudo). Por conta da grande quantidade de netos, era preciso muuuito macarrão e milagrosamente minha avó conseguia transformar alguns poucos ingredientes em um monte de massa. Mas como eu não tenho uma dessas engenhocas (procurei na internet e descobri que o nome daquilo era maquina de macarrão, rs), decidi que ia usar algo que também me lembra a infância: forminhas de biscoito. Minha mãe tinha várias e sempre aparecia com uns doces em formato de animaizinhos, frutas ou objetos – o meu favorito era o em formato de pitanga que tinha gosto de leite em pó.

Bom, pra massa os ingredientes são esses:

1 ½  xícara de farinha

½  xícara de água

3 colheres de sopa de azeite ou qualquer óleo vegetal

1 colher de chá de sal

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Modo de preparo:

 1 – Coloque tudo numa tigela e sove a massa (sovar = ficar amassando ela um tempão). Você pode acrescentar um pouco mais de farinha até ela desgrudar da mão. Deixe a massa descansando um pouco e enquanto isso prepare um recheio! Eu refoguei um pouco de palmito com cebola e coloquei uns temperinhos.

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2 – Depois de deixar a massa descansando um pouquinho divida em duas partes, abra com um daqueles rolos de massa e tente deixá-la o mais fina possível, mas sem o perigo de romper.

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3 – Distribua o recheio em pequenas porções e cubra com a outra metade da massa, use as forminhas para cortar o macarrão. Aperte as pontinhas para não correr o risco de abrir enquanto o cozimento. Eu usei formas de conchinhas e tartarugas <3

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4 – Cozinhe o macarrão por mais ou menos 8 minutos. Dica da vovó: coloque um fio de óleo e sal na água onde irá cozinhar o macarrão, isso evita que ele grude.

5 – Depois de pronto é só acrescentar o molho que quiser. Eu usei um daqueles prontos que vem escrito na embalagem que basta esquentar e comer.

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Não ficou o macarrão mais bonito de todos os tempos, mas ficou bem gostosinho e deu muito mais certo do que eu imaginava.

 

 

 

 

Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

Bárbara Fernandes
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Ilustradora

Bárbara, 21 anos, vinte vividos na cidade de São Paulo até o dia da fuga pro sul numa tentativa falha de pertencer a algum lugar. Não sabe fazer decisões, medrosa além do normal, odeia usar sapato, sempre lê tudo o que está escrito nas embalagens, gosta de ficar conversando com os gatos e de tomar banho no escuro.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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