15 de novembro de 2014 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração:
Por que o poliamor e as relações livres podem ser privilégios para os homens?

Você já ouviu falar de poliamor e/ou relações livres? Se não, explico: de maneira geral, as relações livres (RLi) consistem em relacionamentos abertos, não-monogâmicos e não-hierarquizados, nos quais as pessoas envolvidas estão livres para estabelecer outros relacionamentos afetivo-sexuais, a partir, é claro, do consenso de todas as partes envolvidas. Pessoalmente, nutro verdadeira admiração por toda a teoria por trás das relações livres, afinal, elas estão baseadas no amor sem posse, no que eu acredito muito. No entanto, é preciso desenvolver algumas críticas sobre a prática concreta das relações livres, em especial as heterossexuais, sobretudo em um mundo ainda muito machista. Não me surpreende que ainda sobrem resquícios de relações assimétricas entre os gêneros mesmo no prometido paraíso das RLis.

Paraíso para quem?

Em um mundo onde as mulheres são ensinadas a serem completamente inseguras em relação a tudo – aparência, capacidades, inteligência, sentimentos, etc. -, onde somos ensinadas a competir com outras mulheres porque vemos todas elas como nossas inimigas, e mais, em um mundo onde os homens são condicionados a manterem várias parcerias sexuais e incentivados a ter sentimento de posse sobre elas, o discurso perfeito do poliamor acaba sendo apropriado pelo patriarcado, gerando mais um privilégio masculino.

Primeiro porque é muito fácil para os homens reivindicarem relações livres, já que isso não representa nada de novo em suas vidas, pois estão acostumados a se envolver com inúmeras parceiras e muitas vezes isso já ocorre simultaneamente. O poliamor nesse caso torna-se discurso floreado para justificar a posição sexual privilegiada dos homens em relação à poligamia. Segundo porque decorre disso uma enorme pressão sobre a liberalização da conduta sexual das mulheres, mesmo quando elas não estão confortáveis com isso. A mulher que não topar entrar em uma relação aberta logo será taxada de possessiva, careta e moralista, quando, na verdade, trata-se muito mais de uma questão de que o empoderamento sexual das mulheres não deve servir às necessidades masculinas. Isso deveria ser óbvio, mas, e sobretudo, em discursos progressistas como este, o incentivo à liberação sexual das mulheres serve ao propósito de eximir os homens de repensarem sua própria conduta sexual.

Ora, se as mulheres não apresentarem mais nenhuma resistência ao sexo sem compromisso, à poligamia praticada pelos homens, tanto melhor para… eles. Com isso não quero dizer que a libertação sexual feminina não seja desejável, pelo contrário. Apenas precisamos ressaltar que ela deve ser um processo natural e empoderador que nos diz respeito, única e exclusivamente a nós, mulheres. Não há problema nenhum se uma mulher se sente segura em topar um relacionamento aberto ou exercer sua sexualidade livremente, mas, por outro lado, não deveria haver problema algum se uma mulher não se sentir confortável com nenhuma dessas condutas. O privilégio sexual masculino e a consequente submissão feminina devem ser desconstruídos, e não ressignificados tomando formas libertárias igualmente opressoras.

Uma outra faceta das relações livres que precisa ser problematizada é o fato de que, postas em prática, não há problema somente até que o livre exercício da sexualidade seja adotado pelas mulheres. Quero dizer, em muitos casos, a relação livre dura só até o momento em que a mulher não a coloca em prática. Basta em um relacionamento aberto uma mulher começar a se relacionar com outras pessoas para que seu parceiro comece a questionar e colocar em xeque a relação e o próprio sentimento. Isso, como resultado do sentimento de posse incentivado pela cultura patriarcal, é sinal evidente de que as relações livres são mais um instrumento do privilégio masculino.

Nesse sentido, não quero combater as relações livres como forma legítima de relacionamento, mesmo porque acredito que toda forma de relação que fuja dos padrões engessados de relacionamento heterosexual são bastante válidas na luta contra o patriarcado, mas é importante problematizar estes aspectos, porque, mesmo que se pretendam libertadoras, as práticas das RLis ainda estão muito submersas na cultura machista em que vivemos, como qualquer outra conduta que adotamos hoje em dia. O nosso esforço deve estar na desconstrução dos paradigmas machistas e dos privilégios masculinos e não em sua transformação em outras formas de opressão com ares de liberdade. Liberdade mesmo só quando todas as pessoas reconhecem seus privilégios e tentam desconstruí-los no discurso e, mais importante, na prática, em suas relações pessoais.

+ Links

A falácia da liberação sexual e as novas formas de dominaçãoSexo, poder – e o porquê somos chamadas de moralistas
Sobre aquela mesma coisas de sempre disfarçada de amor-livre
Poliamor – documentário

Gabriella Beira
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Gabriella Beira é formada em Relações Internacionais e, como qualquer "internacionalista" (é assim que se chama a pessoa que estuda RI), quer conhecer o mundo todo e, se possível, mudar o mundo. Gosta muito de falar sobre educação, cultura, sociedade e feminismo, mas seu hobby mesmo é jogar Plants vs Zombies. É impaciente, procrastinadora, irmã mais velha e aluna mediana.

  • Pingback: Ei, vamos pensar? | Pearltrees()

  • Natália

    Por alguns meses, mantive um relacionamento não monogâmico com um rapaz. Percebi que:
    – Ele fazia “brincadeiras” relativas a sexo para me inferiorizar. Talvez tivesse medo da minha liberdade.
    – Ele tinha ciúme de outros homens mas não dizia, apenas iniciava uma discussão como “você se arruma mais para eles” – uma forma de me coibir ou me fazer sentir culpa.
    – Ele me cobrava coisas que ele mesmo não fazia.

    Minha experiência não foi boa, e percebi relações de poder ainda maiores (e disfarçadas) do que em um relacionamento monogâmico…

  • Karen

    Gabriella, vem tomar cerveja feminista cum nóis aqui em Guarulingrado (Guarulhos). HaHa

  • Ane

    Talvez você não acredite mas existem pessoas,homens inclusive, que conseguem viver bem em um relacionamento aberto e aceitam suas parceiras,entendo seu ponto de vista,porém não acredito que foi feliz estruturando seus argumentos.
    É pesado demais dizer também que todos os homens são infieis,tenho grandes amigos que são e vivem ‘muito bem,obrigado’ sendo monogamicos

    e se você teve uma experiência ruim com sua relação livre,tente de novo!! não desista!!

    • Natália

      Ane, não entendi muito bem se o seu comentário foi direcionado a mim.
      Mas eu não disse que todos os homens são infiéis e que não há pessoas vivendo bem em relacionamentos não monogâmicos.

      Eu tentei expressar, em poucas linhas, as dominações dentro do relacionamento livre que tive.

      • Jorge Jafet Cruz Haddad

        Parece que não foi em relação ao seu comentário Natália. Acho que o comentário foi em relação a essa generalização que ocorre logo no início do texto: “é muito fácil para os homens reivindicarem relações livres, já que isso não representa nada de novo em suas vidas, pois estão acostumados a se envolver com inúmeras parceiras e muitas vezes isso já ocorre simultaneamente”. Não diz que todos somos infiéis, mas estabelece um só padrão de comportamento para todos os homens. Nós todos possuímos um complexo compulsivo de Don Juan, mas apenas a maior parte de nós sucumbe a ele enquanto já participam de um relacionamento amoroso.

        É bastante óbvio que somos doutrinados a valorizar e replicar os comportamentos opressores descritos pela autora. Mesmo assim não somos todos que o fazemos, e mesmo tendo gostado do texto, humildemente também faço esta crítica. Entendo o ponto de vista da autora, e percebo sim muito machismo nesta “liberdade sexual feminina”, mas generalizar é sempre uma falácia.

  • diogobatalha

    Aplaudi de pé aqui na frente do computador. Parabens!

    • Ellen Galvão

      Ainda existe um ponto que não foi descrito no texto que é a condenação e punição da sexualidade feminina pela coletividade.
      Esse fato por si só já se choca diretamente com a própria teoria do relacionamento aberto. Porque já demonstra quem pode mais dentro dele.

  • homem

    tive uma experiência única de tentativa de amor-livre com minha parceira, por iniciativa dela, me descontruí e aceitei o rolê e depois ela não quis mais por insegurança/ciúmes. percebi a dificuldade que é conviver com a cultura patriarcal pra mulher até neste aspecto e mesmo num ambiente supostamente “propício” (não estou dizendo livre de problemas) e ansiando liberdade, acaba se sentindo pressionada e oprimida por várias tensões internas e externas. nossa relação voltou pro monogâmico, mas me ainda n sei mto bem o saldo de tudo isso. ela sabe o que é melhor pra ela e respeito isso.

  • Brenda

    Estive em um relacionamento aberto por algum tempo, por iniciativa do meu namorado. No início tava indo bem, a gente se relacionava com outras pessoas e tava massa. Depois que começamos a morar junto isso mudou. Ele passou a ter mais ciumes, prestar mais atenção em mim e até o fato de conversar com outras pessoas, seja por redes sociais, celular, etc, incomodava ele. Decidimos voltar a relação monogâmica e tem dado certo até então.

    • gush

      Bate o pé. “Me dou melhor sozinho do que com alguém controlando minha vida”.
      ponto.

  • Pingback: Menos Jargão, Mais Clareza | Laboratório Irreverente()

  • Pingback: Menos jargão, mais clareza - Mercado PopularMercado Popular()

  • Victor Xavier Brito
  • Cristiane

    Gostei muito do texto e fazia muuuito teeeempo que esperava por algo sobre isso por aqui. De fato, costuma ser muito mais fácil para homens, que desde cedo são incentivados a ter várias parceiras (aquela ideia de “quanto mais melhor”), enquanto que para as mulheres essa liberação toda é mais custosa. Por outro lado, é difícil para o homem encarar a possibilidade (ou mesmo a realidade) de sua parceira estar com outros. Acho que ambos devem ter uma maturidade absurda para conseguirem manter um relacionamento nestes moldes. Eu não acredito muito no sucesso disso porque “o amor não se divide, se multiplica”, mas o tempo, a paciência para estar com todos(as) os(as) parceiros(as)… Isso também se multiplica??

    E eu sei que ninguém pediu meu relato, mas quero compartilhar isso aqui agora que finalmente li algo sobre poliamor na Capitolina.

    Eu tive um “relacionamento” poliamoroso com um amigo e foi desastroso. Pra mim, lógico. Ele está feliz com a namorada, que já existia antes de nos conhecermos. Eu não diria que existia uma relação de poder imposta por ele. Não era ciumento e me incentivava muito a buscar outros parceiros. Isso me incomodava por duas razões: 1) eu gostava só dele e queria ficar só com ele, mesmo; 2) “Segundo porque decorre disso uma enorme pressão sobre a liberalização da conduta sexual das mulheres, mesmo quando elas não estão confortáveis com isso.” – eu era virgem e definitivamente não estava preparada para “liberar geral” logo de cara. E com isso tenho mais a dizer.

    Eu sou monogâmica e disse isso pra ele ANTES de ficarmos, ainda na fase do flerte. Não pretendia ficar com ele justamente por saber que ele tinha relacionamento aberto (memorizem este fato para mais adiante). Infelizmente, fomos nos envolvendo e acabei decidindo “experimentar”, já que não seria errado, não seria traição. Ele vivia triste por causa da namorada, inseguro, brigava muito com ela e vinha desabafar comigo. Eu consolava e tal, mas com o tempo fui ficando enciumada (porque fui gostando cada vez mais dele). Comecei a pensar em coisas que ele me disse antes de ficarmos: o relacionamento começou aberto, depois fechou, aí abriu de novo e desde a reabertura ele não tinha ficado com ninguém, enquanto ela já tinha ficado com outras pessoas. Com isso, fui me afundando depressão por perceber que ele, na verdade, tinha um relacionamento aberto (lembraram?) ao invés de um relacionamento poliamoroso.

    Depois de ficar comigo e fazer terapia, ele foi se entendendo melhor com a namorada – que todo mundo sabia que era a namorada, enquanto eu era… Nem sei o que eu era! Ou seja, no fim das contas ele queria alguém pra preencher a carência da namorada (que morava muito longe e visitava pouco) e para se sentir seguro numa relação aberta. Acabei terminando. Durante uma das brigas “pré-término”, eu disse pra ele que aquilo tudo era muito difícil pra mim, pois eu não estava conseguindo me adaptar, etc. Ele disse que eu queria viver um conto de fadas monogâmico, que queria uma relação de dependência com ele. Pois é… ” A mulher que não topar entrar em uma relação aberta logo será taxada de possessiva, careta e moralista” – faltou incluir aí: carente, dependente, ingênua…

    Acredito que ele me persuadiu a ter relações sexuais. Não, ele não me obrigou – persuadiu. É diferente. Eu diria que a experiência foi traumática, pois tenho me fechado cada vez mais para a possibilidade de ter um relacionamento de verdade algum dia. Se não deu certo com poliamor, vai dar certo com monogamia, cheia de desconfiança, traição, posse? Quando terminei, disse a ele para procurar outras pessoas poliamoristas, assim poderia dar mais certo. Sabe o que ele disse? “Prefiro deixar a vida me levar”. Ou seja, se acontecer novamente de ele se interessar por uma pessoa monogâmica que, assim como eu, decidir se arriscar, azar o dela. Eu sei que minha experiência ruim também foi culpa minha, mas acho que poliamoristas devem tomar mais cuidado e ser menos egoístas quando se aproximarem de alguém. Se a pessoa disser “sou monogâmico(a)”, melhor deixá-la quieta no canto dela, poxa!

    Me arrependo muito de ter ficado com ele e nutro uma raiva (injusta, admito) por poliamor por causa disso. Percebo que as pessoas acham a ideia linda, mas não têm a mínima noção do que estão fazendo e de quem prejudicam com essa coisa toda.

    Bem, é isso. Peço mil desculpas pelo texto longo, mas eu precisava botar isso pra fora. Obrigada!

    • Ciro Monteiro

      Desculpa, mas não acho que esse rapaz que você ficou, seu “amigo”, seja “poliamoroso” coisa nenhuma. Pra mim, parece um aproveitador. E eu sei que você deve ficar com raiva por isso, mas não se- culpe. E você não tem do que se arrepender, você não fez nada de errado. O errado da história é ele, que sabia dos seus sentimentos e convicções, que forja uma relação em cima de um ideário que ele não acredita (pelo seu relato, insisto que de poliamoroso, ele só tem a lábia), se vale do seu apoio emocional e depois se vale de um discurso, que ele não segue, pra te fazer sentir culpada. Eu sei que é foda pensar que sua primeira vez foi com esse cara, mas não deixe que isso te prive de ser livre para viver relacionamentos casuais, monogamicos, poliamoristas, com quem você quiser e quando você quiser.

    • Leh

      É o que eu digo, quando voce se envolve verdadeiramente com alguem, pode ser o cara mais poliamor da vida, nao vai se sentir bem em ver a namorada ficando com outros. Isso é tao verdade que voce mesma disse que ele era inseguro com a namorada, obviamente por isso, a pessoa acha que ter um relacionamento assim vai sofrer menos ou ser mais feliz, mas nao tem como fujir dos sentimentos naturais do ser humano.

  • Ana

    Pela minha experiência em um casamento aberto e hetero de muitos anos, a maior dificuldade se dá nos nossos planos de ter filho ou filha. Porque a preparação para uma gravidez planejada é totalmente diferente para a mulher e para o homem. Para o homem basta a decisão racional. A mulher vai precisar cuidar do corpo; a preparação não é apenas psicológica, mas fundamentalmente física. A mulher vai querer cuidar mais do sexo com o parceiro permanente. Nesse processo de querer ter filha ou filho, quando namoro outros homens, minha cabeça fica um pouco surtada. É como se eu quisesse que o pai da minha filha ou do meu filho fosse o homem com o qual sexo está mais presente e mais gostoso. Ainda que eu tenha muito mais cumplicidade de vida e assuntos com o parceiro permanente. Para ele, não faz diferença. Ele tem a história mais séria comigo e não sente que as outras histórias abalam a nossa relação ou o plano de ter uma criança. Mas a verdade é que para mim abala. Temos o plano de fechar o relacionamento por um período quando resolvermos começar a tentar engravidar. Até isso acontecer, mesmo que eu também tenha vontade de ficar com outras pessoas e que eu fique com outras pessoas, sinto uma insegurança enorme. Porque, como você diz no seu texto, “Em um mundo onde as mulheres são ensinadas a serem completamente inseguras em relação a tudo – aparência, capacidades, inteligência, sentimentos, etc. -, onde somos ensinadas a competir com outras mulheres porque vemos todas elas como nossas inimigas”, bate sentimento de inferioridade, comparação e insegurança, não tem jeito. Tenho medo de me imaginar grávida e ficar sabendo que algo está acontecendo (ainda que nosso acordo seja fechar por um tempo, até a criança já ter uns três anos, algo assim, não há como saber agora). Eu não consigo mais me imaginar em uma relação monogâmica, mas estou apenas dando esse depoimento como complemento ao texto, porque acho que a maior desigualdade em uma relação aberta e hetero se dá nesse momento (maternidade X paternidade).

    • Marcia

      Já pensei muitas vezes nessa questão, especialmente porque no período de gravidez e pós parto, não apenas a mulher esta com os sentimentos a flor da pele, mas também muito fragilizada. Muitas vezes há sequelas do parto que dificultam e muito a vida sexual da mulher por meses, senão por anos. Sem contar o cansaço e a questão hormonal que diminui a libido da mulher absurdamente.
      Como lidar com todas essas questões, quando você esta fragilizada, cansada, com o corpo mudado e as prioridades diferentes, sabendo que para o companheiro quase nada mudou?

      Eu entendo que muitos homens se achariam no direito de exercer a questão da relação aberta, já que a mulher não está disponível para ele, nem fisicamente, nem psicologicamente (já que a prioridade é o bebê).
      Mas como fica essa mulher, agora também mãe, com esses sentimentos conflitantes?

      • Andréia Pires

        Marcia, concordo plenamente com seu posicionamento.

      • Leh

        Nao acho que seja um direito do homem, ta mais pra egoismo. “Minha mulher esta num momento fragil e por isso tenho direito de ter sexo com outras nesse periodo…”

    • Rosana

      Meu nome é Rosana Sieber Muller sou não mono à 15 anos e RLi à 7. Passei, ou melhor estou passando, pela maternidade, nossa filha completou 1 ano. Posso fazer um relato muito rico sobre como foi planejado, como foi a gravidez, pós parto, e de como está sendo no momento. Mas como o assunto é complexo e uma abordagem superficial mais atrapalha do q ajuda. Sugiro q quem queira continuar esse e outros debates sobre relações livres m adicione no face.

  • Pingback: Links do mês #9: Dezembro - Capitolina()

  • Isa Bolinha

    Aceitar a ideia de não ter um parceiro único – se isso for da vontade de ambos, o que já é raro de acontecer – ou seja, desconstruir a monogamia, é para as mulheres algo diferente do que é para os homens.
    Para nós, é se libertar e viver outras relações que tenhamos vontade. Isso não é uma dificuldade para os homens, sempre acostumados ao direito de usar muitas mulheres e serem inclusive compelidos a isso.
    Para eles, é aceitar que nós vamos viver isso, é lidar com as próprias inseguranças e com a ideia de posse do corpo feminino, para nos deixar livre e permitirem-se amar sem possuir; é aceitar e assumir sua(s) companheira(s) para além de legitimarem-se a si mesmos como machos, é priorizar a felicidade e o desejo de quem se está no lugar da imagem e da posse do outro.
    Por isso encontrar um homem não monogâmico de fato é dificílimo em nossa sociedade, porque demanda um compromisso anti-machista intrínseco e uma série imensa de desconstruções internas e de uma profunda desconstrução psicológica, um mergulho muito intenso pelas próprias inseguranças e pela própria construção de sua identidade como macho. É fundamental apontar este aspecto das relações não monogâmicas, sob o risco de, como bem explorado pelo texto, travestirmos de nova roupagem velhas opressões.

  • Pingback: Relacionamentos com caras mais velhos e o que há de errado com eles - Capitolina()

  • Andréia Pires

    Muito bom o texto, Gabriella. É o primeiro que vejo e que discute tão bem essa questão escancarada em vários relacionamentos e condutas afetivas, sempre sendo colocada pra debaixo do tapete. Adorei conhecer o Capitolina. Abraço!

  • Rosana sieber

    Meu nome é Rosana Sieber Muller não mono à 15 anos pode me procurar. Tem o básico sobre RLi em relacoeslivres.com.br

  • Patrícia

    Vi que algumas mulheres comentaram aqui sobre o relacionamento livre e a maternidade. Uma vez li um texto de uma mulher sobre o momento em que o seu marido lhe propôs o ‘amor livre’. Gostei bastante do texto e do relato dela sobre pensamentos e sensações até a aceitação. Mas depois de um tempo, fiquei pensando. Eles tem dois filhos pequenos, que até uma determinada idade e em alguns momentos, poderão ser mais dependentes da mãe do que do pai, vivem em uma comunidade alternativa longe de centros urbanos e a liberdade incluía ‘sair por aí, pelo mundo’. Penso, como uma mãe, que precisa estar ali com seus filhos, vai poder ter uma vida amorosa ‘livre’? (considerando os conceitos do patriarcado que ainda me pareciam enraizados) Será que ele aceitará que em um belo dia ela deixe os filhos para sair pelo mundo em busca de amores? Será que a preocupação e dedicação com os filhos lhe permitirá ter a mente aberta para viver esta liberdade? Daí pensei exatamente no que diz este texto, que a liberdade não é ainda igual para ambos, então para mim, não existe liberdade.
    Gostei bastante do texto. 😉

  • Symone Navarro

    Muito legal a organização dessas idéias. Adorei o artigo. Acho que o trabalho de adquirir segurança sobre nossa sexualidade passa pela discussão sobre o lixo cultural que nos impõem. Não é só apertar um botão e pronto: nos livramos dos conceitos introjetados dos por anos. Todas queremos o empoderamento da mulher. Mas que isso não seja utilizado disfarçadamente para reproduzir e validar o mesmo padrão machista de sempre.

  • Rodrigo Carneiro

    Então… Antes de entrar em uma RLi, imprima esse post e entregue pra(s) pessoa(s) em questão.

  • Wellingta Macedo

    Perfeito, me senti representada neste texto. Obrigada!

  • danete

    Muito pelo contrário, em um olhar menos polarizado, pude perceber a vantagem do desapego: homens apaixonados sofrem muito mais com mulheres que cuidam do próprio nariz, enquanto as mulheres tem a sensibilidade e sabedoria do desapego com mais facilidade. Acho que homem rumina mais o sofrimento amoroso, é burro emocionalmente e não tem nada mais patético do que um cara barbado sentindo auto-piedade, chorando, sentado num meio-fio. Repare que são sempre elas que tomam a iniciativa do término.

    Nem tudo são flores, nem todos são cafajestes e a única generalização correta… é que toda generalização é um erro.

    Excelente artigo, muito obrigado.

  • Lázara Vívian

    Interessante ler sobre isto!

    Tenho uma história que reflete tudo o que foi exposto!
    Eu tive uma relação em que, no início, expus ao cara que eu acreditava no poliamor e em relações livres. Expliquei para ele que eu acreditava na liberdade amorosa do ser humano, e que eu não tinha vontade de ter um namorado, pois a palavra “namoro” soava por si só sufocante para mim. Afinal, se estamos nos encontrando com um cara, saindo com ele há algum tempo e algum dos dois propõe um namoro, o que significa esta proposta? Basicamente, significa pedir a fidelidade do outro, algo que me soava aprisionador. O meu então parceiro, ao ouvir isso, irradiou alegria e admiração por mim. “Nossa, é exatamente assim que penso também! Que incrível conhecer uma mulher como você”. Uma semana mesmo depois saímos para uma noite de Rock, e ele flertou com uma amiga minha. Fez de tudo para conseguir ficar com ela, mas não teve sucesso. E tudo na minha frente, todos nós bêbados, e eu realmente não me importei, ri muito da situação, tentei convencê-la a ficar com ele, expliquei que tínhamos uma relação aberta, mas ela foi categórica e disse que seria muita falta de respeito comigo, mesmo eu não concordando assim ser. Depois disso ele tentou ficar com outras garotas, não na minha presença, mas chegou a me contar que não teve sucesso. Certo dia, porém, ele viajou por um final de semana, e neste tempo reencontrei um grande amigo de infância, que estava, não posso deixar de considerar, lindo de doer. Parecia que não tinha anos que não nos víamos! As mesmas brincadeiras, o mesmo jeito de conversar, super educado, cordial, enfim… Um belo reencontro, em que os sentimentos foram recíprocos. Passei o final de semana com ele e, inclusive, transamos. Foi extasiante estar com ele, de verdade! Quando, porém, meu então parceiro retornou, resolvi não falar nada. Achei desnecessário. Estávamos em uma relação aberta, mas eu pensava não ser necessário contar detalhes do que acontecia, pois o próprio relacionamento deixava implícito de outras relações aconteceriam. Mas comecei a me sentir culpada por não contar e resolvi abrir o jogo. Falei apenas que tinha “ficado” com outra pessoa. E ele sentiu muita raiva. E chegou a dizer que também tinha beijado outra garota, que “não foi apenas eu quem fez isso”… E ficava perguntando como eu tive coragem, que já estávamos próximos demais, que eu feri os sentimentos dele… Eu questionei a ele por que ele se sentia tão ofendido, se ele também tinha beijado outra garota. Se estávamos tão próximos, se ele já gostava de mim, porque ele fez também? E expliquei que eu de fato não importava, mas que ele tinha que analisar melhor seu discurso, que era um tanto quanto contraditório. Ele silenciou e aquiesceu. E pouco tempo depois perguntou se houve sexo, ao que eu respondi que sim. E todo o discurso voltou novamente, e mais agressivo que antes. Eu já estava gostando deste cara e, no momento, veio uma saída em minha mente, para aliviar as tensões. Eu o pedi em namoro. Ali mesmo, em meio à discussão. E expliquei que se era fidelidade o que ele queria, seria fidelidade o que de fato teria. E me declarei. Ele chorou, disse que me amava já, e empolgou muito com o namoro, fazia sempre questão de me apresentar como “sua namorada”, principalmente para a família. Eu percebi desde a discussão que se tratava de um relacionamento extremamente abusivo e que o caráter dele era extremamente machista, e vi que não seria uma relação saudável. Mas passei por cima dos meus instintos, por pensar que “já estava gostando dele demais”… E sim, foi realmente uma relação nada saudável, e extremamente abusiva. Terminamos após ele me agredir fisicamente, simplesmente por em uma discussão eu parar de responder suas perguntas e me silenciar, pois não aguentava mais discutir… Eu poderia fazer vários comentários sobre a história que contei aqui agora. Mas acredito que, aliado ao post, tudo se torna auto-explicativo… Hoje não acredito mais no relacionamento livre. Acho-o lindo na teoria, mas sei que estamos inseridas em uma sociedade patriarcal, onde os homens jamais conseguiriam manter uma relação assim sem abusar da mulher, abuso este que pode vir de tantas formas distintas. Claro que toda regra possui sua exceção, mas não estou mais disposta a arriscar para saber com quem eu poderia vivenciar esta exceção!

  • Luis

    Isso não é poliamor.
    Ele quer que você satisfaça o feitiche dele.
    Se ele diz que é poliamor ele está mentindo.

  • Gabryella Câmara

    Gente… Sou homem. (não, não sou. Mas vendo o artigo, me identifiquei mais com a parte masculina.-.). Nunca me senti insegura, muito menos por outras garotas. Sempre foi fácil pra mim a ideia de relacionamento aberto. Ao contrário do que acontece com todos os namorados que eu tive. Nunca fui inferiorizada por querer um relacionamento aberto…. A não ser quando o homem não quer. Em fato, tive um caso em que ele disse que ou eu namorava ou não me via mais. Nem sei se tá vivo. Meu sonho encontrar um cara/garota que aceite um relacionamento aberto. E mesmo assim, hoje mantenho um namoro monogâmico, e não pq ela me inferiorizou por querer algo aberto, mas pq ela me apresentou razões sólidas para tal. Nos (vários) que eu já tive, se sou inferiorizada, se ele/ela me diz/cobra algo que não cumpre… Baby, sinto muito, essa sou eu e vou continuar sendo. É questão de atitude, de saber se posicionar. De ambas as partes respeitarem um pré-acordo. E se não respeitam, tchau.
    Se relação livre é privilégio masculino… Porra, sou homem –‘

  • roberto quintas

    eu torço muito para que a mulher possa ser dona de si mesma, de seu corpo, de seu prazer, de sua sensualidade/sexualidade e do modelo de relacionamento que esta quer.

  • Pingback: [SÉRIE VISIBILIZAR] Assexualidade — Capitolina()

  • julio

    Tenho 49 anos, casado com a mesma mulher faz 26 anos. Entre muitas idas e vindas, vimos que o que havia desgastado em nossa relação, não era o amor, e sim o modelo. Chegamos a conclusão de que nos amamos, porém necessitamos de mais amor, de conhecer pessoas, viver outras emoções. E para isso não precisávamos nos separar, nem muito menos viver enganando um ao outro.

  • Pingback: Por uma não-monogamia possível | Além da Mídia()

  • Priscila Merlin

    Quase chorei ao ler este texto!
    Quando ouvi a palavra “poliamor” pela primeira vez já imaginei logo:arranjaram mais um jeito de oprimir as mulheres! Agora, quiser aceitar uma relação livre vai ser tachada de careta, possessiva, insegura e antiquada.
    Poliamor é uma forma de justificar e “naturalizar” um comportamento machista que já existe a séculos. Se a mulher começar a transar com vários caras, o parceiro oficial simplesmente deixa de amá-la. É o que a prâtica diz.
    Na teoria tudo é muito lindo: amor sem posse, liberdade sexual feminina….. Na prática nem tanto. Dói ver seu amor procurando outras pessoas para se relacionar. Porque amor envolve cuidado, presença, carinho. Não dá pra fazer isso com todos osparceiros. Sempre vai haver um preferido e um preterido. E muito sofrimento para quem ama de verdade.

  • Leh

    Nunca vivi um relacionamento aberto, mas todos os relacionamentos abertos que eu já vi, notei exatamente isso, um certo machismo por tras de falsa liberdade….
    Falsa liberdade porque, é comum neste caso para um homem se relacionar com todas as mulheres que quiser e ter um relacionamento aberto com uma mulher que não fica com outros caras mas talvez somente com outras mulheres. Agora nunca vi um caso em que a mulher se relaciona com outros homens e o “namorado liberal” aceita, ou topa ficar a tres, a namorada junto com mais um cara, diferente de quando a mulher aceitar ficar com o namorado e mais uma menina.
    Sinto um pé de hipocrisia nisso, todo ser humano quando gosta de verdade sente um tanto de ciumes, ciumes saudavel, isso é da natureza do ser humano.
    Minha opinião!

  • Luiza

    O meu ex namorado me disse depois de oito meses que não se sentia seguro em estar numa relação monogâmica. Ele sempre deixou claro que isso podia acontecer, mas lá no fundo talvez eu tenha acreditado que esse dia nunca chegaria. Ele disse que me amava muito e que tinha carinho por mim, mas que ele queria um relacionamento aberto. Eu entendo a pegada do relacionado aberto, não julgo que tem e até admiro na verdade pessoas que topam isso.
    Eu tentei pensar na situação, mas no final percebi que não conseguiria. E acabamos terminando. Me senti muito mal. Via em várias páginas femininas falando que a monogamia é opressão para a mulher e que a verdadeira liberdade só ocorre em relacionamentos livres. Me sentia careta, culpada por não ter esse nível de desconstrução mesmo sendo feminista. Esse artigo me confortou muito. Infelizmente o machismo está embutido e tudo e que muitas vezes o relacionamento aberto pode ser mais abusador que o monogâmico. E que não devo me sentir culpada por querer o tipo de relacionamento “tradicional” e que isso não me faz menos ou mais empoderada, menos ou mais feminista!
    Parabéns pelo artigo! <3

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos