9 de outubro de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Por que zine é tão daora?
Ilustração: Mariana Paraizo
Ilustração: Mariana Paraizo

Ilustração: Mariana Paraizo

Introdução: Helena Zelic / Tutorial: Mariana Paraizo

Imagina publicar um material seu, de texto, foto, desenho, do jeito que você quiser, falando nada mais nada menos do que… TUDO O QUE VOCÊ QUISER? Isso é um zine. Explico: zine é um livretinho básico, independente e, muitas vezes, com aquele jeitão de xerocado.

O zine tem sido uma ferramenta muito bacana de difusão de artistas independentes, que tem total responsabilidade e participação na produção como um todo. Desenham, tratam, montam, imprimem, fazem todos os rolês. Muitas vezes, também, nascem zines coletivos, e aí o resultado final é sempre incrível, com diversidade de traços e ideias.  

Um desses zines coletivos que a gente leu e curtiu muito (quero dizer, eu só li, a Mazô participou!) foi o Zine XXX. Várias garotas se juntaram e compuseram a publicaçãozinha, dividida em alguns “volumes”. É isso mesmo que você leu: o XXX é um projeto só de garotas – que nem a Capitolina! O que dá para perceber é que, em alguns meios, o zine tem abraçado não só sua função de arte independente/underground (usar esse termo faz eu me sentir moderna!), como também a de comunicação e produção feminista! E um monte de mulher junta, desenhando muitas vezes sobre coisa de mulher, numa perspectiva de luta, só pode dar coisa boa.

Outra coisa legal do zine é que ele abre espaço para cada uma tentar coisas novas, experimentar, pirar mesmo. Não tem regra para fazer zine. O que significa que qualquer uma de vocês pode fazer seu próprio zine, ou chamar azamigas para fazer junto. Depois, é só levar na xerox e vender por um preço bem simbólico para as outras amigas, para todo mundo que tiver ao redor. Se você ainda estiver achando difícil, olha aqui embaixo a demonstração passo a passo que a Mazô fez, para ninguém mais ter dúvida! 

*****

Olá! Eu sou a Mazô e eu já fiz três zines. Não tenho lá muuuuita experiência com os zines em si, e no meu caso os dois foram de quadrinhos. Foi o jeito que eu achei de publicar as minhas histórias… e foi muito recompensador! Fiquei bastante tempo pensando em como fazer o tutorial, até enrolei um tempo por não ter fotos dos últimos processos, também. A verdade é que, no fim das contas, não existem muitas regras de como fazer um zine, mas sim muitas formas diferentes de fazer o que você quiser!

#1: O TEMA:

Ter um tema não é obrigatório. Mas, para uma experiência mais forte do zine como uma coisa em si, e não só como um veículo de impressão para as coisas que você tem produzido, é bacana criar uma linha de pensamento.  É um ótimo exercício para quem quer traduzir mundos reais para os livros, objetos, enfim… no caso, o zine. O que te interessa, o que te surpreende? O que você tem pensado? Caso você seja uma pessoa indecisa, apenas comece. Faça alguns rabiscos planejando o que você gostaria de compor, e faça sem medo, porque a liberdade é toda sua!

#2: FORMATO:

Depois de ter algumas ideias das páginas que você vai colocar no zine – no miolo, na capa, talvez na contracapa – faça uma boneca. Uma boneca, para quem não sabe, é o nome que leva o modelo improvisado do que um dia vai ser o zine. É como uma maquete para que você possa organizar a ordem em que as páginas vão aparecer. Como o zine é uma coisa mais artesanal, ele é feito por páginas dobradas ao meio e unidas pelo que se chama de acabamento.

 zine02

#3: BONECA

Você pode fazer o acabamento de mil maneiras: costurando, usando grampos canoa etc. E você ainda pode ser criativo e fazer a capa com papel diferente do miolo, usar papeis vegetais na impressão, mas isso tudo precisa ser combinado com a gráfica. Se você está com orçamento complicado e/ou é seu primeiro zine, uma boa ideia é começar em PB de forma bem simples. Às vezes o toque pode ser até na cor de um papel sulfite rosado, azulado, amarelado, enfim. Seja a circulação por xerox ou impressão, é importante que os seus desenhos e textos estejam com o preto bem balanceado, para haver contraste suficiente e tudo dar certo. Se a sua intenção é fazer cinzento mesmo, usar lápis, cuidado. Às vezes as impressoras tem propriedades diferentes umas das outras e algumas partes podem sair falhadas. A xerox também  pode não pegar o cinza direito, e a qualidade não ficar como você esperava – ou então, às vezes, sua proposta também pode ser justamente baseada em não ter uma qualidade perfeita!

zine03

 

#4: MONTAGEM

Quando um impresso com acabamento de dois grampos tem muitas páginas, é natural que as lâminas centrais fujam para fora das linhas de cortes. Não deixe imagens, tarjas, números de páginas ou textos muito próximos das laterais para que elas não saiam cortadas no refile final do material. A gráfica que irá realizar a impressão pode lhe informar o quanto de margem em cada lateral você deverá manter na editoração do trabalho. Se você mesma for montar seu zine, tome cuidado com as bordas. Você vai precisar de uma guilhotina ou refiladora, grampos e uma borracha. Ao guilhotinar/refilar as páginas, use uma régua para alinhar o zine, fazendo com que o corte não fique torto. Como um grampeador normal não alcança o centro de uma página A4 ou A5, uma boa alternativa é arranjar um grampeador que se abra por inteiro e grampear o zine na metade com uma borracha encaixada embaixo. O grampo vai ficar aberto, mas aí é só virar o zine e fechar com os dedos. Isso lhe dará uma boa economia (aprendi essa técnica aqui).

#5: DISTRIBUIÇÃO

Você pode tanto dar ou trocar como vender seus zines. Estabeleça um preço justo, considerando o quanto você gastou na impressão e montagem do zine, além do tempo e trabalho que aquilo te deu. Para vender para desconhecidos, uma boa alternativa é procurar feiras de impressos gráficos, que rolam em todo o país como a Ugra Press, a Parada Gráfica, a Feira Plana e a Pão de Forma. Você também pode pedir para entrar no grupo do Zine XXX no Facebook, onde são postadas várias oportunidades de trocas, vendas e até de participação em banquinhas com outras meninas que fazem zines e também vendem em feiras. Se nada disso te interessar e você tiver ambições mais caseiras ou mais megalomaníacas, há outras opções: dê seu zine de presente para pessoas que você goste, venda para pessoas na rua, na porta de escolas, museus, abra uma lojinha online… o zine é seu!

***

Ficou com vontade de tentar, mas ainda com algumas dúvidas sobre como começar a desenhar? Semana passada publicamos, aqui na seção de Artes, um guia prático exatamente sobre isso, dá uma olhada!

Helena Zelic
  • Coordenadora de Literatura
  • Ilustradora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Helena tem 20 anos e mora em São Paulo. É estudante de Letras, comunicadora, ilustradora, escritora e militante feminista. Na Capitolina, coordena a coluna de Literatura. Gosta de ver caixas de fotografias antigas e de fazer bolos de aniversário fora de época. Não gosta de chuva, nem de balada e nem do Michel Temer (ugh).

  • http://www.onomedissoemundo.com Filipe Teixeira

    Olá, Mariana!

    Sou editor do “Eu digo porque vi”. Venho aqui agradecer por linkar o post do meu blog sobre o modus operandi do meu zine.

    Volte sempre! =)

  • Ana Paula Würz

    Caral**!! (desculpa a expressão)
    Mas eu estava querendo muuuuito
    entender esse lance do que era Zine, pois aqui onde moro nunca vi isso
    (cidade pequena)…. Já tenho planos de fazer isso um dia por aqui,
    começar a mostrar pra galera!
    Sério, ganhei meu dia com essa explicação…
    Adorei o texto!! Ótimo! ?

  • Pingback: A história das histórias em quadrinhos: criando movimento com imagens | Capitolina()

  • Pingback: Dicas Culturais: Fevereiro - Capitolina()

  • Pingback: Tutorial de Zines: parte II - Capitolina()

  • Pingback: Zines <3 | lume de Caroline()

  • sendoutilizado

    Legal ver gente escrevendo sobre algo que se está aprendendo a fazer. Ou algo que se aprendeu a fazer fazendo. Acho que o zine é isso mesmo, tem essa pegada underground de: faça você mesmo, faça do seu jeito!

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos