8 de dezembro de 2014 | Cinema & TV | Texto: , , , and | Ilustração:
Post Coletivo: Jogos Vorazes

hunger_gamesIlustração: Jordana Andrade

(Contém leves spoilers)

Georgia Santana: Falaremos do último filme ou da saga até aqui?

Natasha Ferla: Podemos começar do começo.

Bárbara Reis: Já posso surtar falando sobre como eu nunca esperei uma adaptação tão perfeita quanto a desses filmes? A cada filme novo, menos eu acredito que eles conseguem deixar tudo tão fiel.

Georgia Santana: Eu não tenho nada a reclamar da adaptação dos livros. Sou igual a Babi Reis. Maravilhada a cada filme.

Bárbara Reis: Algo que me surpreendeu muito especialmente no Em Chamas (Catching Fire,2013) foi a atenção que eles deram pro que tava acontecendo ao redor da Katniss, das rebeliões nos distritos e tal. Achei aquilo muito poderoso, e não é algo que eu acho tão evidente nos livros, acho que até pelo fato de eles serem narrados em primeira pessoa.

Nicole Ranieri: meu deus, AS REBELIÕES. Eu não sei bem o porquê, mas eu chorei de emoção (de verdade hahaha) enquanto as rebeliões aconteciam. A do Distrito dos lenhadores (não lembro o número) é de arrepiar! (ah, distrito 7!)

Bárbara Reis: Simmmm, é incrível!

Georgia Santana: Isso! E o Peeta e a Katniss no distrito 11 falando da doação do dinheiro e de como a Rue foi uma companheira pra ela nos jogos. Essa parte é emocionante demais.

Georgia Santana: Eu fui ver o primeiro filme por ver, porque estava passando no cinema, eu e o namorado não tínhamos mais nada pra ver e eu saí do cinema maravilhada pela história.

Nicole Ranieri: idem! fui com o meu irmão num surto de madrugada no cinema e a gente saiu de lá rodopiando de excitação. Aí logo compramos os livros e ficamos MUITO na bad quando terminamos de ler haha. Eu achava que seria muito mais infantil.

Georgia Santana: Eu só li os livros recentemente entre o segundo e o terceiro filmes. Siiiim, eu tava esperando falar mal e achar infantil demais e saí de queixo caído. E as pessoas do meu trabalho odiaram o terceiro livro, eu e minha melhor amiga amamos. Aí quando a Clara e o resto da meninas falaram que gostaram dele aqui na revista, eu me senti aliviada.

Bárbara Reis: Eu acho o tom dos livros bem pesado. E acho que os filmes seriam ainda mais pesados se os atores realmente aparentassem ter a idade das personagens. Eu AMO Esperança (Mockingjay), acho de longe o melhor livro da trilogia. É tão mais complexo, denso, explosivo. Amo.

Georgia Santana: A galera não gosta porque é ~parado.

Nicole Ranieri: Ai, nem fale nas diferenças dos personagens. a Katniss branca é algo que me deixa possessa. Foi neura minha ou realmente passaram uma maquiagem um “tico” mais escura que a pele dela em algumas cenas pra ficar mais “olive skin”?

Georgia Santana: Eu não lembro das características dela no livro.

Bárbara Reis: sim, essa parte é horrível. E parece que no processo de casting eles pediram especialmente por mulheres caucasianas.O mais triste de tudo isso é pensar no quão rotineira é essa prática em Hollywood.

Nicole Ranieri: sim, é terrível! Era pra ela ter uma pele tipo da Jéssica Alba, Ge, “cor de oliva” (porque acho que a ideia era que o distrito 12 representasse os árabes e latinos)

Georgia Santana: Ahhhh.

Nicole Ranieri: Aliás, assim que terminei de ler eu achei um mapa que fizeram sobrepondo os distritos ao mapa dos EUA e meio que faz muito sentido. Funciona como uma espiral.

Georgia Santana: eu quero veeeer!

Giulia Fernandes: Sim e quando escalaram o Lenny (Kravitz) muita gente reclamou também porque não viam o personagem como negro (sendo que no livro em nenhum momento é falado que ele é branco). Racismo livre e vivo em Hollywood.

Bárbara Reis: Eu lembro disso!!!!! Achei um absurdo, ainda mais porque eu achei ele perfeito pro papel.

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eu fiquei #xatiada porque imaginava a capital do outro lado hahaha

Georgia Santana: distrito 13: Canadá! hahha

Bárbara Reis: mene do Canadá comunista

Giulia Fernandes: Vocês não acham incrível que quando acontece a cerimônia da seleção os moradores no distrito 12 estão vestidos como na grande depressão americana? E o o distrito 11 com aquela vibe de sul escravocrata americano? É como se os distritos representassem períodos de repressão da história americana, achei genial.

Bárbara Reis: Nossa, eu nunca tinha pensado nisso!

Georgia Santana: Eu nunca tinha parado pra pensar nisso, na verdade.

Giulia Fernandes: E é uma coisa mais particular do filme mesmo, o distrito 11 é claramente de maioria negra

Nicole Ranieri: caraca, Giu, verdade!! Será que aqueles primeiros distritos mais ricos seriam os EUA dos anos 90 e 00 antes da crise? (pronto, vou pirar nisso)

Giulia Fernandes: Crise de 2008: distrito que produz os artigos de luxo hahaha

Nicole Ranieri: simmm não é impossível. caraca Giu*BOOM*

Georgia Santana: Gente!

Nicole Ranieri: NOSSA.SIM.. O distrito 13 é o oposto de todos os outros distritos e da capital: ele é o distrito comunista!!! O pesadelo americano.

Bárbara Reis: Será que tem alguma conexão entre as inclinações políticas do distrito 13 e o lugar onde ele fica?

Georgia Santana: Gente, vocês são muito inteligentes! hahahhha

Bárbara Reis: Porque né, perto dos Estados Unidos, o Canadá é mega comunista. Hahahaha. Só dar uma comparada nas mensalidades das faculdades.

Nicole Ranieri: hahahahha verdade. Mas eu sempre achei o 13 comunista, então pensava nele totalmente fora da América. (aloka, já mandei ele pra Rússia)

Bárbara Reis: Em Cuba.

Nicole Ranieri: mas eu morri com o visual que fizeram pro 13. Ficou perfeito, maravilhoso, melhor do que a encomenda.

Giulia Fernandes: os comunistas jogando bombas atômicas no american way of life; o pesadelo da guerra fria etc.

Georgia Santana: mas eles chegavam muito rápido na Capital. Pareciam poucas horas. Não tinha como ser a Russia.

Bárbara Reis: o 13 ficou maravilhoso mesmo.

Georgia Santana: Vc achou maravilhoso? Eu tenho medo do distrito 13. E é algo que eles não demonstraram na primeira parte.

Bárbara Reis: eu digo em questão de fidelidade ao livro. Acho o 13 horrível ahhahaah

Georgia Santana: Ahhhh bom. Isso eu não achei.

Bárbara Reis: e eu achei que eles até demonstraram, mas de uma maneira sutil, até porque não dá pra escancarar que é horrível desde o começo, eu acho. senão perde o plot twist hahaha

Georgia Santana: Porque no filme não passa a sensação de sufocamento que eu senti quando li o livro. Pode ser. Espero que seja.

Bárbara Reis: tipo aquela saudação que inventaram pra Coin, achei bem assustadora.

Nicole Ranieri: acho que é isso mesmo. A Coin sendo bacaninha, você até simpatiza com ela nessa primeira parte. hahahah aquilo é muito ruim

Georgia Santana: Horário pra tudo. E eles não poderem pegar um solzinho. Não poder pegar sol. Gente, me leva de volta pro distrito 12, que é melhor.

Nicole Ranieri: então, eu pensei nisso. Na hora que a Katniss está no abrigo rachando com a família, ela quase acha que passar fome, viver na miséria e caçar pra sobreviver era mais legal do que ter comida e tudo o que ela precisa mais ser manipulada naquele lugar trancado e horrível.

Georgia Santana: Ela questiona isso o tempo todo. Foi pra isso que ela iniciou uma guerra? Pra continuar na mesma merda, mas com roupinha diferente?

Giulia Fernandes: e a repressão do distrito 13 é muito mais silenciosa. Repararam até em um futuro distante a manipulação da mídia continua parecidíssima com a atual? Adoro esse ponto da série.

Georgia Santana: Siiiim! Plutarch Havensbee e Eli Gold* são praticamente contemporâneos.

Giulia Fernandes: Sim, igualzinho a maioria dos apresentadores de programas de entrevistas atuais.

Georgia Santana: Hahaha Siiim, o que falar sobre Caesar Flickerman? Maravilhoso demais. Eu adoro o Stanley Tucci. Aiiin, uma coisa que eu adoro sobre esse filme é que as atuações são realmente boas.

E que seria muito fácil pegar os bonitinhos de Hollywood e fazer uma coisa meio blergh, mas aí pegaram queridinhos, mas que sabem atuar. Jennifer Lawrence fingindo atuar mal no terceiro filme é uma das cenas mais divertidas do filme.

Giulia Fernandes: sim, e eu adoro a cena da primeira entrevista da Katniss no primeiro filme, é muito natural.

Bárbara Reis: eu acho a Jennifer Lawrence uma atriz muito boa, por mais que ela seja tão queridinha que muita gente já tenha cansado dela. Ela é boa de verdade.

Giulia Fernandes: geeeeeeeeente, e o relacionamento do Peeta e da Katniss desconstruindo os estereótipos de gênero?

Bárbara Reis: SIMMMM, MARAVILHOSO. Amo, amo, amo o fato do Peeta ser a “namorada tradicional do protagonista”. E adoro o fato de que os livros deixam bem claro que as características tradicionalmente femininas do Peeta também são um exemplo de força. Tão forte quanto a Katniss, só que de um modo diferente.

Georgia Santana: Eu adoro muito que eu não gosto de nenhum dos dois. Tipo, eles não são likeable people. Você torce, mas em nenhum momento quis ser realmente amiga da Katniss ou do Peeta. Mas também, porque há outras coisas acontecendo.

Eu tenho que lembrar que o livro não é sobre a Katniss, é sobre a revolução. E isso a deixa mais real, o que eu mais gosto nela. E em como ela é retratada.

Giulia Fernandes: eu me lembro que, quando o primeiro filme saiu, um pai de uma fã de “Jogos Vorazes” escreveu um artigo dizendo que ele estava muito mais preocupado com a atitude da Katniss de beijar dois homens diferentes sem compromisso do que com a violência do filme em si.

Georgia Santana: say whaaaat?

Giulia Fernandes: como “influência” pra filha dele.

Georgia Santana: uma arena pros adolescentes se matarem, tá de boas.

Bárbara Reis: mas bitoca sem compromisso????? Meu Deus. E vamos ignorar o fato de que Katniss/Peeta foi algo que começou como estratégia de sobrevivência, né.

Giulia Fernandes: sim, ele acha crianças esfaqueando umas as outras mais normal do que a vida amorosa não existente da Katniss.

Georgia Santana: E tipo, tem coisa mais importante acontecendo pra se importarem com quem a Katniss vai ficar no final. O livro não é sobre isso.

Bárbara Reis: sim! Uma vez eu li um artigo que explorava justamente o fato do Peeta e do Gale serem mais metáforas do que interesses amorosos. Metáforas dos dois “caminhos” que a Katniss poderia escolher.

Giulia Fernandes: exatamente.

Bárbara Reis: o que fica bem evidente naquele parágrafo que fecha Esperança (Mockingjay).

Giulia Fernandes: o Gale é como uma revolução que começou bem sucedida, com a intenção de mudar as coisas pra melhor, mas acabou se perdendo e tomando um rumo completamente diferente da proposta original hahaha.

Bárbara Reis: Olha, Esperança: parte 1 (Mockingjay: part 1,2014) merece ser visto não só por ser o melhor livro da trilogia (na minha humilde opinião) como também por ser basicamente o clímax dos outros dois livros/filmes: a revolução começou a acontecer de verdade. E souberam passar a tensão pra tela com maestria, é um filme literalmente arrepiante.

Bárbara Reis: Foi o favorito de todos os meus amigos que não leram o livro também. Hahaha tem que contar pra alguma coisa.

Georgia Santana: um amigo meu achou sem ação demais. Eu acho o Em Chamas (Catching Fire, 2013) um filme mais legal.

Bárbara Reis: sério? Uma mulher desconhecida que tava do meu lado tava achando que tava tendo ação demais. Kkkkkkkkkkkkah, é que eu amo essa parte da história, eu meio que fiquei esperando por isso enquanto eu lia. EU GOSTO WHEN SHIT GETS REAL.

Georgia Santana: mas o Esperança: parte 1 foi incrível também. E eu achei ele muito grande quando o vi da primeira vez, mas na segunda, achei ele mais corridinho.

Giulia Fernandes: eu fui ao cinema com um grupo de umas 15 pessoas e quase todos acharam o filme parado demais.

Georgia Santana: Eu gostei bastante do terceiro livro também.

Giulia Fernandes: mas é uma característica do Esperança, o foco é outro.

Georgia Santana: Ele não é parado. Acontecem muitas coisas nele.

Giulia Fernandes: pelo menos o inicial.

Georgia Santana: Só que os dois primeiros são cheios de adrenalina, por causa da arena, né. Aí esse não tem arena e o povo já acha que tá parado demais. Mas tá chegando no ápice da história. Os dois primeiros aconteceram para chegar no terceiro livro, as coisas têm que ser desenvolvidas de outra forma. Não podia ter uma arena nesse filme também. Agora é uma guerra mesmo. Eu imagino que a segunda parte será o meu filme favorito de todos, porque a segunda parte do livro realmente começa a ficar beeem mais interessante. E estou louca pra ver a solução que deram pro Phillip Seymour Hoffman e eu achei que ia desabar em lágrimas ao vê-lo no filme. Que tristeza.

* Diretor de campanha política em The Good Wife

Georgia Santana
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25 anos, do Rio de Janeiro, mas passou a primeira infância em Natal - RN. Estuda Biblioteconomia na UFRJ. Assiste a qualquer tipo de competição esportiva e lê muitas biografias / autobiografias e já chorou de emoção ao comer caldinho de sururu. Odeia barulhos, luz artificial e frio. 90% lufa-lufa, 10% sonserina.

Bárbara Reis
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Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

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Giulia Fernandes, 17 anos, Rio de Janeiro, estudante. Meus interesses são: film noir, batons roxos, criptozoologia, árvores centenárias, garimpar livros e LPs, colecionar caracóis e algumas vezes outras coisas também.

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Nicole é Paulista de 22 anos, mas mora em todos os lugares e pertence a lugar nenhum. Estuda administração com foco em exportação mas é gente boa, não gosta de tomate mas é uma pessoa do bem, curte uma coisinha mal feita e não recusa jamais uma xicara de chá verde. Se fosse uma pizza, Nicole seria meia espinafre, meia cogumelo.

Natasha Ferla
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Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

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