5 de fevereiro de 2016 | Ano 2, Edição #23 | Texto: | Ilustração: Isadora Carangi
Prazer que gera prazer: trabalhando com os estímulos a nosso favor

Não sei explicar tão certinho qual o mecanismo fisiológico do prazer, então vou dizer de um jeito bem pouco especialista (na verdade nada especialista) do que consigo entender. Posso dizer que a base desse texto é pensar que nosso corpo, quando exposto a determinadas situações, libera alguns hormônios básicos (endorfina, serotonina, entre outros). E depois disso, vem a leitura feita pelo nosso cérebro do que aquilo significa. Dá-se, então, essa tal sensação de prazer.

Claro que o que gera prazer muda de pessoa pra pessoa – embora provavelmente tenham algumas situações “chaves” – que geram prazer na maior parte de nós, e até algumas básicas que geram em todo mundo – e depende muito da nossa história de vida (quem nunca sentiu prazer com o cheiro daquele perfume antigo que trouxe todas as lembranças de um momento bom, né?), de quem somos de uma maneira geral, de como funciona nosso corpo, da questão hormonal, do tipo de estímulo (algumas coisas – como o cheiro – acabam tendo poder maior do que outras) e até mesmo da nossa genética.

Mas será que a gente consegue saber EXATAMENTE o que, dentro de uma situação, nos causou aquele prazer? Bora imaginar…você tá naquela festa com seus melhores amigos, comendo um bolo do seu sabor preferido, sentindo o perfume da casa que você sempre visita, se divertindo. Dá pra saber se é o cheiro, os amigos, o papo, a risada, o bolo, ou até mesmo algum estímulo visual (um objeto, uma cor, qualquer outro aspecto que consiga mexer com nosso cérebro) que gera o prazer, exatamente? Acho que no final acaba sendo um conjunto deles. Ok. Passou a festa. Vamos supor que num outro momento você trombe com alguma daquelas coisas de novo (seja o mesmo assunto, os mesmos amigos, o bolo, o cheiro). Tá, finge que é o cheiro. E aí PAM…de novo aquela sensação. Por mais que não tenha repetido todas as coisas que estavam naquele dia, você acaba sentindo o mesmo prazer, com a presença de apenas uma delas.

Então, basta um dos estímulos pro nosso corpo/nosso cérebro/a gente se remeter àquele outro momento. Essa ideia me anima bastante – não sei se acontece o mesmo com vocês – porque eu penso o quanto isso aumenta a possibilidade da gente sentir prazer de novo, em novas situações, mesmo que elas sejam totalmente diferentes das outras vividas; só porque ela tem algum estímulo que a gente já tenha visto na vida. Ou seja, mais prazer, yay! (e imaginem quantas coisas/aspectos já viraram estímulos pro nosso organismo até hoje, mesmo sem que a gente saiba?).

Numa dessas, fica possível imaginar como podemos procurar por situações assim. Nos rodear de coisas que façam bem, espalhar o que gostamos pelos nossos cantinhos, nos expor a ambientes em que já sentimos coisas boas (seja indo àquele parque que você sempre ia quando mais nova; comprando um creme que você passava num momento feliz; seja colocando, nos seus cantinhos, objetos de decoração que você goste bastante e que estiveram presentes em momentos bons). Assim, além de poder “fazer com que” a gente associe algumas coisas (de nossa escolha) ao prazer – nos expondo mais e mais a essas coisas e permitindo que nossa mente e corpo atuem – também podemos tentar provocar no nosso corpo algum tipo de prazer nos expondo a coisas que, antes, já causaram essa sensação.

E vocês, conseguem reconhecer alguma vez em que algo desse tipo aconteceu? Desde aquele cheiro nostálgico, até gostar muito de uma coisa, usar muito, e perceber que ela causa uma sensação boa, mesmo depois que paramos de usar. Conta pra gente nos comentários 😀

Karoline Siqueira
  • Colaboradora de Saúde

Estudante do ultimo ano de Psicologia, no interior de SP. É mãe solo de um bebêzinho de 8 meses, trabalha, estuda, escreve e CORRE MUITO na vida. Gosta de falar sobre temas que envolvem a maternidade real, pra desmistificar um pouco essa coisa mágica em torno da maternidade, e de questões que envolvem a área da saúde psicológica. É feminista interseccional e tenta, dentro das possibilidades com o bebê, participar dos grupos e eventos que envolvem sua militância (também gosta de discutir o espaço materno dentro do feminismo). Foi mãe jovem, engravidou com 21 anos e ainda estudando, então tenta formar ao máximo uma figura de apoio à jovens mamães, provando que mesmo nas maiores adversidades, respeitando a própria vontade e intuição: é sim possível. Também gosta de dançar, de ler, de Beyoncé, gatos e chocolate.

  • Laysla Fontes

    De fato, é muito bom saber que a gente pode “recuperar” aquela sensação tão boa que vivemos em algum momento apenas com um estímulo. É reconfortante. Eu, por exemplo, sempre relembro fases da vida quando volto a experimentar perfumes que usava no passado. Nosso corpo é mesmo genial! Adorei o seu texto. Beijos!

    http://www.um-traco-qualquer.blogspot.com

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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