23 de dezembro de 2015 | Ano 2, Edição #21 | Texto: | Ilustração: Beatriz H. M. Leite
Prioridades, miga! (Sobre gastar energia com o que te faz bem)
[PAUTA23]Prioridadesparedegastarenergia…-BeatrizLeite

Quando chegam o Natal e o Revéillon, chega também aquele momento que a gente para pra pensar em como vivemos os últimos 365 dias. Cumprimos as metas da virada de ano anterior? Fizemos o que nos deixa feliz? Dividimos com as pessoas certas? Gastamos energia com algo que valeu a pena? E aí já pode começar a fazer a listinha para o ano que vem…

Virginiana que sou, lista é comigo mesmo. Mas, por incrível que pareça, as de ano-novo não me cativam muito. Acho que é porque eu já faço muitas ao longo do ano, aí nessa época a única que me interessa de verdade é a de comes e bebes da festa. Em 2015 fiz esse balanço da vida meio fora de época, em um momento que vi que precisava de decisões e transformações. E primeira dica: é sempre bom parar pra pensar no que está ou não te fazendo bem, antes que a gente seja engolido por tarefas, relações, responsabilidades. Quais, afinal, são as suas prioridades para esta nova fase que se inicia? (seja ela em março, outubro ou janeiro)

Aparentemente, pensei que eu não seria a melhor pessoa pra escrever essa matéria. Desde que me lembro sou aquela que participa de quase tudo o que dá pra participar e que está sempre com mil tarefas a cumprir. No colégio eu fui: comissão de festa junina, comissão de formatura, representante de turma, grêmio, participei de coral, grupo de teatro extracurricular e acho que tá de bom tamanho, né? (mas foram onze anos também!)… Na faculdade, fui do Centro Acadêmico, da Executiva de curso, organizei de mesa-redonda a seminário de ensino, passando por choppada. Muita tarefa ao mesmo tempo. Nunca foi algo muito consciente, eu acredito muito no que é feito de forma coletiva, me interesso pelos temas e participo. Por que não?

Chegou um momento em que olhei no espelho e precisei dizer: miga, P R I O R I D A D E S!

Comecei a ficar estressada demais e sentindo o peso de tantas responsabilidades nas minhas costas. Afinal, além de todas as tarefas, estudo, trabalho, ainda tem (e deve ter!) a vida social, relações amorosas, amizades, família. Como conciliar tudo de forma saudável?

Acho que é importante se fazer algumas perguntas:

1. O que eu tenho que cumprir neste momento? (e faz a listinha de tudo o que ocupa a sua vida – que podem ser desde tarefas mesmo como eu exemplifiquei que já fiz muito até o seu namoro ou aquela relação complicada com os pais)
2. Quais destas coisas me trazem sentimentos bons e quais me trazem sentimentos ruins?
3. Todas essas coisas realmente precisam de mim para serem realizadas?
4. Eu preciso de tudo isso acontecendo na minha vida?
E, por fim:
5. Quais são as minhas prioridades? O que eu realmente quero como parte de mim?

Definir prioridades é definir com o que queremos gastar energia. Desde correr uma maratona, escrever este texto ou construir relações saudáveis, tudo faz com que o nosso corpo e a nossa mente se desgastem e, para que fiquemos bem, é importante que depositemos as nossas energias em coisas que vão nos trazer algo de bom em retorno. E aí podemos seguir dois caminhos. Um deles é estabelecer o que nos faz feliz agora e o outro é estabelecer caminhos para se chegar a um objetivo final que nos satisfaça. Ou seja, por um lado mais imediato, precisamos viver e conviver com o que nos faz bem, viver infeliz é gastar energia demais com algo que não vale a pena. Por outro lado, podemos estabelecer para nós o que queremos para a frente e entender qual o percurso nos fará chegar lá. Essa distância entre o agora e o objetivo nem sempre é a mais fácil, mas pode ser necessária. Intercalar as perguntas do agora e do que queremos para o futuro pode ser essencial para vivermos caminhos mais saudáveis, com energias gastas em coisas que sabemos que vale a pena, ou seja, com o que elencamos como prioridade para nossas vidas.

Isabela Peccini
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão

O nome é Isabela, mas os apelidos são variados, sintam-se à vontade. Quase arquiteta e urbanista pela UFRJ. Mas não se engane, não vou fazer a sua casa ou a decoração da sala. Objeto de estudo: cidade, sempre pelos olhos da mulher. A minha cidade? Rio de Janeiro, uma relação de amor e ódio. Militante no movimento estudantil desde que me lembro e feminista porque não dá pra não ser, o feminismo te liberta!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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