2 de outubro de 2015 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Pro bolo crescer feliz

Sou muito mais do salgado que do doce, todo mundo sabe. Mas meu doce preferido com certeza é bolo – bolo com café de tarde, esse ritual indispensável. Comecei a fazer bolos bem novinha, ajudando minha mãe ou a cozinheira que trabalhava com a gente. O bolo tem esse lance da química e da transformação que encanta muito as crianças. É tipo mágica, né? Ver aquele líquido crescer e virar um bolão fofinho.

Só que muita gente delira achando que “não tem mão” pra bolo. Gente, esquece isso. É que a confeitaria é muito diferente da culinária salgada – é uma questão de precisão e organização. Quem já viu programas de TV sobre o assunto sabe. Tem que medir, tem que ser na ordem exata da receita, tem que tomar muito cuidado com as substituições. Não dá pra freestylar com bolos, tortas e afins. Pra quem curte o freestyle como eu, pode parecer um pouco chato, mas é um exercício de concentração que traz como recompensa uma paz imensa, além produtos finais belíssimos.

Por isso resolvi vir aqui falar de fermentos, e fazer um bolo que mudou a minha concepção sobre o assunto. Pra que um bolo cresça, ele precisa de um agente químico que injete ar na massa. A resposta mais rápida pra isso é: bicarbonato de sódio. O bicarbonato é um milagre em si próprio, sendo útil pra um milhão de coisas. Ele serve pra azia (dá uma olhada na composição do seu antiácido preferido), limpa manchas das paredes, pode ser usado pra polir prata, evita chulé, tira resíduos dos cabelos, na fabricação de pasta de dente caseira… eu poderia continuar. Só que, no caso da confeitaria, o bicarbonato precisa reagir com algum outro ingrediente, e esse ingrediente precisa ser ácido, para que ocorra a formação de dióxido de carbono (borbulhas!!!). Esse ingrediente pode ser vinagre, limão, iogurte, leite… senão não rola a reação.

Entra o fermento químico (que a gente conhece pelo nome da marca, aquele vermelhinho, lembram?), que nada mais é do que bicarbonato de sódio enriquecido de amido de milho e alguns componentes ácidos, que garantem que a reação vá ocorrer sem problemas. Só que aí que está o problema pra mim: prefiro eu mesma garantir essa reação. Desde que descobri a combinação vinagre + bicarbonato, aboli o fermento químico da minha dispensa, e nunca mais um bolo solou. Sei lá, acho que ele perde a validade muito rápido, ou dá ruim mesmo. Fora que acho lindo ver a reação das duas colheres de sopa de vinagre com uma colher de chá de bicarbonato. Faz aquele chiadinho de refrigerante e booooom. Daí você mistura por último na massa do bolo, mexendo delicadamente depois, e pode ter certeza que ele vai crescer muitão.

A receita abaixo foi a que me introduziu a esse segredo, e é do fofíssimo Buddy Valastro (Cake Boss). Vocês vão reparar que, mesmo empanhada em segui-la nos mínimos detalhes, como manda o manual da confeitaria, eu cometi uns errinhos. Mas no fim das contas deu tudo certo. Então abracem os seus medidores e vamos lá:

Bolo Red (só que não) velvet

Ingredientes do bolo

2 1/4 de xícara (chá) de farinha de trigo peneirada
1/4 xícara (chá) de cacau em pó
1/2 colher (chá) de sal
8 colheres (sopa) de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 1/2 xícara (chá) de açúcar
2 ovos grandes em temperatura ambiente
2 colheres (sopa) de corante líquido alimentício vermelho
1 colher (chá) de extrato de baunilha
1 xícara (chá) de leite em temperatura ambiente
2 colheres (sopa) de vinagre branco
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio

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Ingredientes da cobertura

2 pacotes de Cream Cheese em temperatura ambiente
8 colheres (sopa) de manteiga sem sal, em temperatura ambiente
2 1/2 xícaras (chá) de açúcar de confeiteiro peneirado
1 colher (chá) de extrato de baunilha
1 pitada de sal

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Mãos à obra

1. Ligue o forno à 180 graus.
2. Em uma tigela, peneire a farinha e o chocolate em pó. Dá preguiça? Dá. Parece supérfluo? Parece. Faz Diferença? Aham. Então não reclama.

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3. Em uma batedeira, ou na mão mesmo (estou aqui pra provar que é possível, basta ter um fouet), bata a manteiga até ela ficar cremosa.

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4. Adicione o açúcar e bata bastante, tipo uns 2-3 minutos. Força nesse braço!.

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5. Adicione os ovos um a um (preciso nem dizer que o ovo você quebra num copinho separado, né? Porque se estiver estragado você vai ficar sabendo antes de jogar na sua linda receita e cagar tudo. Daí bate mais. Vai ficar mais líquido.

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6. Raspe as laterais da vasilha e adicione o corante e a baunilha. Aqui eu fiz uma cagadinha. Achei que tinha corante vermelho de sobra e, na hora que fui usar, não tinha. Quer dizer: tinha mas acabou 🙁 Pro bolo não ficar muito clarinho, resolvi misturar um pouco de corante roxo, só que aí forcei a mão. Ficou muito escuro, como vocês poderão ver. Mas tá valendo. Rebatizamos o bolo de super purple velvet e segue o bonde.

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7. Daí vamos às farinhas. Adicione a farinha (que já está misturada no chocolate) em três partes, alternando com o leite, mas começando e terminando com a farinha. Pode jogar a pitadinha de sal também.

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8. Agora vem a mágica!!! Em uma vasilha, misture o vinagre e o bicarbonato, depois adicione à massa.

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9. Agora é só assar no forno a 180ºC por 25 a 30 minutos.

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Enquanto isso, faça a cobertura/recheio (digo recheio porque você pode cortar o bolo em 2, ou assar em duas formas separadas, e passar no meio também. Fica lindo e delicioso, mas eu estava com preguiça). Aliás: se você não for usar de recheio também, melhor fazer só meia receita. Sobrou bastante cobertura por aqui. Estou usando pra colocar aquele “extra” na hora de servir, até porque ela é maravilhosa, mas enfim, só avisando.
1. Em uma vasilha, adicione o cream cheese e a manteiga e bata (novamente, na mão ou na batedeira) até que fique homogêneo.

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2. Adicione o açúcar, a baunilha e o sal e bata que fique cremoso.

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3. Se você estiver decepcionada com a cor do seu bolo, seja ousada e adicione corante amarelo + laranja pra alegrar a coisa toda. Foi o que eu fiz 😉

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Agora é só montar essa belezura e fazer um café pra acompanhar. É o bolo mais fofinho e molhadinho que eu conheço!

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Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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