14 de dezembro de 2014 | Estilo | Texto: | Ilustração: Laura Viana
Projeto Verão?

 

Em boa parte do Brasil, o calor é indício de chegada do verão, aquela estação em que o tamanho e o volume das roupas diminui, onde suamos muito e ingerimos muitos líquidos tentando amenizar os sintomas causados por todo esse sol. Apesar de quererem nos vender a ideia de que o verão é uma estação alegre, época de ir pra praia, de curtir as férias e as festas, a estação pode ser um pesadelo para algumas pessoas.

Para quem que mora em estados com estações bem definidas, a chegada do verão pode não ser significado de alegria, assim como para quem vive em lugares onde as altas temperaturas são frequentes o ano todo: no calor usamos menos roupa e peças mais curtas e leves, mas, para algumas mulheres, ter que expor a pele e certas partes do corpo é algo terrível e muitas vezes impensável . Somos ensinadas a termos vergonha do nosso próprio corpo o que acaba transformando essa estação “alegre” num pesadelo para muita gente.

Listas de dicas como se vestir melhor pouco levam em conta o estilo pessoal e sempre querem te fazer parecer mais alta e mais magra – como se todas nós devessemos chegar nesse padrão para sermos consideradas bonitas,desejadas,felizes ou realizadas. Ouvimos que devemos esconder os braços se eles são grandes, que ter uma pele lisinha é o ideal, que usar roupas muito largas não é bonito para mulher, mas roupa apertada demais é vulgar. Passamos também pela filosofia barata de “o que é bonito é para ser mostrado”, mas se mostrar demais é porque tá querendo alguma coisa e depois não reclame se algo acontecer contigo. São pilhas intermináveis de “conselhos” que aparentemente querem nos deixar mais por dentro da moda usando roupas da maneira certa, que nos encaixaria naquela ideia fechada do que nos torna femininas e agradáveis aos olhos dos outros, mas ignorando completamente o que gostamos e como nos sentimos em relação aos nossos próprios corpos.

Quando crescemos com o mundo nos ditando regras e nos dizendo que não somos o suficiente, com uma mídia que dedica páginas e mais páginas e uma quantidade de tempo interminável a falar sobre como algumas celebridades atingiram o corpo ideal ou como outras estão gordas demais e descuidadas com a aparência, não é de se espantar que inúmeras garotas tenham vergonha de mostrar certas partes de seu corpo. O que sobra para nossas garotas e mulheres anônimas? A criação de uma culpa por não estar dentro do padrão esperado.

E o calor traz à tona algumas das situações em que nos vemos forçadas a enfrentar nossas inseguranças com nosso corpo simplesmente por colocar os braços pra fora e as pernas ao ar livre – coisas que para muita gente soa como banalidade, mas, para quem passou a vida inteira internalizando certos conceitos, são desafios a tudo o que foi ensinado nesse tempo todo.

Além disso, a comparação com outras pessoas é praticamente impossível de ser evitada numa sociedade em que mulheres são treinadas para concorrer entre si. “Fulana é mais magra” é um daqueles pensamentos que sempre vão aparecer na nossa cabeça, mas que, não só nos ajudam em nada, como levam nossa autoestima ainda mais para baixo.

Esta é uma luta interna que só se resolve aos pouquinhos, portanto ninguém deveria nos dizer o que vestir sem antes saber o que gostamos ou não, sem levar em consideração os nossos sentimentos e opiniões. Se escolhermos não usar certas roupas, que seja pela nossa própria vontade, não porque durante toda nossa vida nos foi ensinado que não podíamos.

Não estamos dizendo que amanhã, no começo de uma nova semana, você deva apenas esquecer tudo o que te foi colocado na cabeça e sair na rua com os shorts mais curtos que achar. Esse não é meu ponto. A ideia é que cada menina e mulher, e só ela, defina o que lhe é confortável e desejável. E que, por mais difícil que seja, se entender melhor seja sempre a arma mais poderosa para vencer todos os obstáculos no caminho pra isso.

Então, e se o seu #projetoverão2015 for se conhecer melhor, descobrindo o seu estilo e as roupas que você gosta e que te fazem sentir confortável? E que tal que esse projeto seja o começo de uma jornada de amor próprio e aceitação?

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Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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