23 de agosto de 2017 | Ano 4, Se Liga | Texto: | Ilustração: Guilhermina Roboru
Quando a adaptação é melhor que o original: Outlander
Outlnder

No final dos anos 80, a bióloga Diana Gabaldon decidiu que iria praticar sua escrita com a intenção de aprender a escrever criativamente. A ideia, que nasceu a partir de um antigo episódio de Doctor Who que se passava na Escócia (todas as melhores histórias parecem começar quando alguém está vendo tv…), virou seu trabalho em tempo integral e rendeu, até o momento, oito romances, diversos livros de contos e uma série spin-off que se passa no mesmo universo. Até poucos anos atrás, a produção prolífica de Gabaldon não tinha transposto o reino do papel, até que o canal americano de tv a cabo Starz comprou o direito de seus livros e passou a adaptá-los, com toda a pompa e cirscunstância merecidas, para a telinha.

Em 2014, para a felicidade de muitos fãs de longa data dos romances, a primeira temporada de Outlander foi lançada com grande sucesso de crítica e chamada por muitos de “a resposta feminista a Game of Thrones”. Independentemente das rivalidades (aqui na Capitolina, temos amor no coração para as duas séries – sem falar que a Diana Gabaldon e o G. R. R. Martin são migos e se encontram para um brunch com frequência!), Outlander veio aos poucos ganhando espaço apesar das dificuldades que um seriado encabeçado por uma mulher (tanto na sua criação, quanto no seu protagonismo) tem de convencer o público (principalmente o público masculino) de que vale a pena ser visto.

Outlander começa em 1946, quando a enfermeira de guerra Claire Beauchamp e seu marido Frank Randall decidem embarcar em uma segunda lua-de-mel para a cidade de Inverness, no norte escocês, a fim de reavivar seu casamento. É durante um de seus passeios pela cidade que Claire encontra um ciclo de pedras um tanto quanto esquisitas e, ao encostar em uma delas (ninguém avisou ela que a gente olha com os olhos! – brigada pelo conselho, mãe!), é transportada para o ano de 1743 e capturada por highlanders. Claire, então, se vê no meio de um mundo de clãs, kilts, rivalidades, paisagens magníficas da Escócia e um certo highlander em particular: Jamie Fraser. É com ele que ela acaba se casando (bigamia, gente!) a fim de se proteger naquele mundo desconhecido, mas por quem acaba se apaixonando (totalmente compreensível).

Não apenas mais um seriado que combina fantasia e política, Outlander é diferente por retratar tudo isso através dos olhos de uma mulher que não é forte no sentido tradicional de força bruta, e sim alguém cuja força se encontra em sua resiliência e sensibilidade. Quem disse que características frequentemente associadas com o “feminino” não podem também ser símbolos de força e poder? Além de tudo disso, Outlander traz uma raridade em seriados de tv: Claire é mais sexualmente experiente que Jamie; é ela que ensina ele o que fazer, o que ainda é extremamente raro nas nossas telinhas.

O seriado, que chega em sua terceira temporada em outubro desse ano, tem um grande mérito: é melhor que o livro (pasmem!). As falhas da obra de Gabaldon são corrigidas na série, que fica mais feminista, sucinta e, honestamente, linda de se assistir (apesar de seus momentos mais grotescos – que são vários).

Deborah Simionato
  • Colaboradora de Se Liga
  • Revisora

Deborah tem 28 anos, é formada em psicologia, mas a paixão pelos livros fez com que ela se entregasse a um mestrado e agora a um doutorado em Literaturas de Língua Inglesa. Gaúcha tentando a vida em Londres, Deborah pode ser encontrada frequentemente devorando livros e xícaras de café, e acredita que a vida seria melhor se fosse um musical cheio de música e dança.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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