7 de dezembro de 2014 | Edição #9 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Quando nossas escolhas vão de encontro com nossos pais

Sempre existe aquele momento da vida em que você percebe que o que você acredita, gosta e pensa não está mais em harmonia com as opiniões e pensamentos de seus pais. Talvez seja o superprotecionismo deles e a sua necessidade de independência, ou talvez seja porque você quer fazer uma faculdade X e seus pais querem que você faça a faculdade Y. De qualquer forma, sempre chega aquele momento em que as diferenças entre você e seus pais se ressaltam. E a maneira com a qual você lida com essas diferenças pode ajudar muito na sua relação com sua família, principalmente se os embates são tão intensos que acabam por minar esse relacionamento.

Sabendo disso, nós da Capitolina decidimos falar um pouquinho mais sobre como fazer quando começamos a andar com as nossas próprias pernas e isso vai de encontrou com a relação com os nossos pais. Como podemos enfrenta-los, mas sem os magoar? Como nem toda relação é igual a outra, e me pesa a responsabilidade de ditar uma forma de agir ou pensar, vou listar reflexões importantes sobre cada situação:

 

  1. Em um momento de discussão, perceba algumas coisas: primeiramente, avalie o que está sendo discutido. Se for algo pequeno, que não é de suma importância, tente acalentar o coração de seus pais. Deixe a briga para depois, entenda que às vezes coisas que nos parecem tão óbvias talvez não sejam assim para nossos pais, que são de uma geração distinta da nossa. Mas se a pauta for problemática e precisar sim ser posta em discussão, faça isso com carinho. Não adianta explodir com os nossos pais, tente ser racional, objetiva. É muito prejudicial trazer o elemento da raiva ou da intolerância para uma conversa em que o assunto discutido é importante. Estar lotada de atitudes explosivas durante esse momento delicado pode fazer com que os pais nem queiram discutir o assunto pela nossa falta de cuidado ao falar.
  2. Em segundo lugar, se em algum momento houver essa explosão, se acalme. Não há nada pior para uma relação entre pais e filhos do que falta de compreensão e agressividade gratuita. Respire fundo, pense no que aconteceu, e se precisar pedir desculpas, peça. Nessas horas, não é válido se posicionar de forma orgulhosa. Admita que errou. Isso mostrará responsabilidade para seus pais, o que acaba por fazer com que eles percebam que você está preparada para uma conversa mais madura. Eles te ouvirão com mais respeito e com o coração mais aberto.
  3. Se as desculpas não forem o suficiente e realmente ocorrer uma briga grande dentro de casa, espere os ânimos se acalmarem. Quando a poeira abaixar e as duas partes estiverem em maiores condições de serem racionais, sente para conversar de novo, tentando mais uma vez não explodir enquanto o assunto delicado é discutido.
  1. Quando tentar fazer a sua opinião ser ouvida, seja clara. Demonstre que podem confiar em você, que é responsável, que o quer você quer e pensa deve ser levado em conta. A postura é muito importante nesses momentos.
  1. Tentem achar um meio termo. Se, por exemplo, a discussão for sobre um horário limite para chegar em casa, entre em um acordo bom para as duas partes. Um que não seja extremamente curto para você, nem muito longo para seus pais. Lembre-se que os pais querem o nosso bem. Dependendo da cidade onde se mora, o horário de chegar em casa e de andar na rua sozinha pode ser também uma questão de segurança. A cima de tudo, seus pais amam vocês.
  1. Se o caso é se sentir tolhida e com falta da confiança de seus pais, converse com eles. Exponha o que realmente está pensando, mostre maturidade para andar com suas próprias pernas e fazer suas próprias decisões. Lembre-se de que os pais podem ainda nos ver como suas filhas jovens, infantis, que não têm preparo para viverem sozinhas no mundo. A partir do momento que eles perceberem que podem confiar em você, que você é uma pessoa madura e que merece o voto de confiança de poder fazer as coisas sozinhas, eles irão ceder a isso.
  1. Por fim, nunca se esqueça do amor. Mesmo não percebendo, muitas coisas são feitas com uma imposição maior ou uma aspereza mais acentuada pela preocupação que nossos pais têm conosco porque nos amam. É importante refletir sobre o papel deles na nossa vida, sobre como é importante ter uma relação saudável com eles e como eles são importantes. É o papel deles nos preparar para o mundo, e o nosso mostrar como aquilo tudo deu certo e como estamos maduras e preparadas para tomarmos nossas decisões em nossas vidas.

 

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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