2 de julho de 2015 | Artes, Literatura | Texto: and | Ilustração: Dora Leroy
TESTE: Que livro eu deveria ler nas férias?

Esse texto foi escrito por Taís Bravo, Dora Leroy e Marcela de Oliveira.

Opção 1: Fangirl

Fangirl é um romance para jovens adultos escrito por Rainbow Rowell. Cath, a protagonista, é uma garota introvertida que prefere passar os dias em uma realidade alternativa, por isso escreve fanfiction das histórias de Simon Snow (que é uma série de livros inventada por Rainbow bem similar aos do Harry Potter). No entanto, Cath é forçada a sair de sua zona de conforto quando começa seu primeiro ano na faculdade. Além de habitar um ambiente completamente novo, ela ainda precisa passar por isso sozinha já que Wren, sua irmã gêmea que sempre foi sua companheira em todas as atividades sociais, decidiu que elas precisavam criar uma certa distância e experienciar a vida universitária com mais independência. Sem o apoio de Wren, Cath se sente sufocada por sua fobia social. Ela não sabe como conviver com sua colega de quarto, Reagan, e seu suposto namorado, Levi; não sabe nem onde fica o refeitório, tem vergonha demais para pedir informação e passa semanas comendo barras de cereais; o pior, mal tem tempo ou privacidade para fazer o que mais gosta, escrever. Mas, de um jeito estranho, ela começa a criar laços com Reagan e Levi. Quando Cath deixa que as pessoas entrem em sua vida, seus dias começam a melhorar, no entanto, é também nesse momento que tudo se torna mais confuso, ou seria interessante? Provavelmente, todas essas coisas ao mesmo tempo. No fim, Fangirl é um ótimo livro sobre aprender a crescer e a enorme coragem que isso demanda. Se você está passando por um momento instável em sua vida, acabou de entrar na faculdade ou em um novo colégio, é introvertida e ama escrever, essa é sua história.

Opção 2: Vivian contra o apocalipse

O que você faria se o apocalipse estivesse chegando, o mundo estivesse cheio de crentes fervorosos controlando a vida dos outros e seus pais tivessem se convertido para a Igreja e sumido no dia do Arrebatamento? Essa é a história de Vivian. Ela era só uma adolescente que não gostava de quebrar regras, mas quando tudo ao redor entra em colapso, resolve se juntar a sua nova melhor amiga, a corajosa e ousada Harp, numa road trip em busca de algumas respostas! E então começa uma das aventuras mais lindas e emocionantes sobre amizade, descobertas e amadurecimento. Embora esteja à beira do apocalipse, as transformações que a Vivian enfrenta poderiam acontecer na vida de qualquer garota, de qualquer idade, em qualquer outro contexto. Ela tem medos e inseguranças, sim, mas vai aprendendo a se defender e a se posicionar num mundo caótico. Além disso, se você gosta de amizades lindas e verdadeiras entre meninas, esse livro tem uma das melhores. A Vivian e a Harp são completamente diferentes, e justamente por isso uma vai transformando a outra. Elas se divertem, brigam e aprendem juntas, enquanto tudo está desmoronando. E ainda há uma discussão super atual sobre o fundamentalismo cego que muitas vezes assume o controle diante da falta de esperança dos dias de hoje, mas tudo isso sem ser desrespeitoso nem intolerante. Resumindo, é impossível não amar, se identificar e torcer pela Vivian, porque ela nos mostra que todas temos dias difíceis, mas podemos enfrentar os piores desafios com coragem, uma melhor amiga incrível e uma marreta!

Opção 3: Um teto todo seu

Um teto todo seu é um ensaio sobre a literatura feminina escrito por Virginia Woolf em 1929. Esse texto é um clássico feminista porque, através de uma brilhante análise social, Woolf livra a escrita feminina de mitos e preconceitos e afirma o quanto a produção artística – não só das mulheres, mas qualquer criação artística – é influenciada por questões materiais. Assim, ela constata que as únicas coisas que uma mulher realmente precisa para se tornar uma escritora são um teto e uma renda própria. Com essa declaração, Virginia Woolf quer dizer que os artistas, independentemente de seus gêneros, não são seres iluminados por dons sobrenaturais. Os escritores são, na verdade, pessoas normais, mas dotadas de alguns privilégios, porque para realizar esse ofício é necessário ter uma vida minimamente confortável. Dessa forma, o fato de a literatura feminina ser, naquela época, menos expressiva do que as obras escritas por homens não se dá por uma razão biológica ou mítica, mas apenas pelo fato de as mulheres serem historicamente menos privilegiadas do que os homens. Se você se interessa por arte e feminismo, certamente vai gostar desse livro!

Opção 4: Sailor Moon

Se você foi uma criança nos anos 1990, talvez já tenha ouvido falar muito de Sailor Moon. Por muito tempo o seu anime passou nas telas brasileiras. Se você for dessas pessoas que conhecia Sailor Moon dos pés à cabeça, está na hora de reler esse clássico japonês, mas se você nunca ouviu falar, é hora de correr para a banca mais perto de casa e comprar o primeiro volume. O mangá de Sailor Moon conta a história de Usagi, uma menina de 14 anos que um dia encontra um gato falante e recebe, por acaso, o título de Sailor Moon, uma guerreira que tem como função proteger o planeta Terra. Ao longo da série, Usagi encontra outras meninas que, como ela, também precisam lugar contra as forças do mal. Sailor Moon é uma história incrível de super heroínas que foge um pouco da ideia americanizada de super herói, como estamos acostumados a ver em filmes e HQs. Pra quem nunca leu um quadrinho antes ou para aqueles que querem relembrar um pouquinho do seu passado quando criança, Sailor Moon, o mangá, é uma ótima opção. A história foi distribuída em doze volumes e editada pela editora JBC.

Opção 5: Eu sou Malala

Talvez você já tenha ouvido o nome dela após o prêmio Nobel da Paz em 2014. Malala Yousafzai é a pessoa mais jovem a receber essa nomeação e não foi por pouco. Um dia, em outubro de 2012, enquanto fazia o seu caminho de volta da escola, foi atingida por uma bala no rosto. A razão do ataque? Escolher frequentar a escola. Como muitas meninas que habitam o Vale de Swat, no Paquistão, Malala foi proibida de ir à escola por membros do talibã que dominavam o local. A partir desse evento chocante, o seu nome foi repercutido pelo mundo inteiro, se tornando um símbolo jovem para a luta pela educação das mulheres. Mas o que nós não sabemos é que Malala já lutava pela educação muito antes de ser atingida. Desde pequena, ela se mostrou uma menina inspiradora por ir atrás daquilo que acreditava, como conta em seu livro. Recentemente, a Seguinte (selo juvenil da Companhia das Letras) lançou a autobiografia de Malala, onde ela conta um pouquinho da vida antes de ficar conhecida mundialmente e antes de resolver lutar para tentar mudar o mundo.

Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

Dora Leroy
  • Coordenadora de Quadrinhos
  • Ilustradora

Dora Leroy tem 21 anos e acredita que o universo é grande demais para não existir outras formas de vida inteligente por aí. E, enquanto espera uma invasão alienígena acontecer, gosta de ler livros que se passam em universos mágicos e zerar séries do Netflix.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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