27 de setembro de 2015 | Ano 2, Edição #18 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Quem sou eu pra ficar falando o que é bom e o que é ruim pra vocês?

Quem sou eu pra ficar falando o que é bom e o que é ruim pra vocês? A resposta é: ninguém e todo mundo. Ninguém porque sei que o que eu sinto e vejo não representa de forma alguma a realidade brasileira. Só que ao mesmo tempo – e cheia de incoerências – também acho que cada experiência singular é reflexo do seu tempo.

Isso pra dizer o seguinte: eu não faço a menor ideia do que tô fazendo com a minha vida e quando admito isso pras pessoas todo mundo concorda. Tudo bem, tem um amigo ou outro que foi pro Canadá, casou, acabou de comprar um apartamento ou foi contratado pra um emprego do qual realmente gosta. Mas essas pessoas são exceção.

Eu realmente não sei dizer se isso é a crise, se nossa geração tinha muitas expectativas ou se é algo de praxe sobre ser jovem. De qualquer forma, a angústia é grande.

As “fases” da vida são mais ou menos assim: a gente passa uma quantidade ridícula de anos na escola aprendendo coisas que são basicamente inúteis pra vida, mas que servem pro vestibular; aí mais ou menos aos 17 anos a gente escolhe uma universidade, uma carreira; – na escola você não pode nem ir ao banheiro sem levantar a mão, mas pode decidir o que é certo pro resto da vida; entramos na faculdade, curtição e por aí vai; depois temos um emprego e chega a hora de acalmar um pouco, namorar sério, casar, morar juntos, ter filhos e essas coisas todas.

O que as pessoas não discutem é que nesse meio-tempo existe uma probabilidade muito grande de você querer mudar de curso, odiar seu primeiro emprego/estágio, não conseguir emprego depois da faculdade, terminar namoros sérios, continuar relacionamentos sem compromisso, sair da casa dos pais, voltar pra casa dos pais e um infinito de possibilidades.

Eu nem diria que há uma probabilidade grande, está mais para um fato concreto que eventualmente essa linha reta que “deveria” ser a vida se torne uma curva. E é realmente difícil não bater um desespero. Mas ficamos tanto tempo tentando realizar com louvor o que foi planejado para nossa vida, que às vezes não nos damos conta de que é importante termos nossas próprias experiências e descobrirmos sozinhos quem somos e o que queremos para nossa vida. Pode ser muito ruim ter a sensação de que errou, mas também traz certo aprendizado. E no fim das contas, cedo ou tarde, a gente sempre acaba rompendo com esse padrão que nos foi imposto para acharmos nosso próprio caminho. Isso vem acontecendo com cada vez mais frequência, talvez porque nossa geração tenha mais liberdade para arriscar. Posso estar sendo mesquinha, mas acho reconfortante ver que várias amigas e amigos estão na mesma.

A verdade é que eu queria ter um superconselho pra dar agora, dizer algo que nos faria reinterpretar nossas vidas e que facilitaria tudo. Mas eu não tenho. Porque também não sei como fazer isso. Sou todo mundo e ao mesmo tempo ninguém pra falar desse assunto. O que posso dizer é que isso não precisa significar nada sobre a gente. Não vou dizer pra você ou pra mim mesma – to achando que esse texto é mais pra mim do que pra qualquer pessoa – não se preocupar quando a vida fugir do controle, mas digo que não ache que isso é culpa sua. Porque não é, porque problemas coletivos têm raízes coletivas (e soluções também).

Brena O'Dwyer
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Brena é uma jovem carioca de 22 anos que cada dia tem um pouco menos de certeza. Muda de opinião o tempo toda e falha miseravelmente na sua tentativa de dar sentido a si mesma e ao mundo em que vive. Gosta de ir ao cinema sozinha as quintas a noite e de ler vários livros ao mesmo tempo. Quase todas as segundas de sol pensa que preferia estar indo a praia, mas nunca vai aos domingos.

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