8 de fevereiro de 2015 | Estilo | Texto: | Ilustração: Laura Viana
Realce! – Um breve guia de maquiagem carnavalesca

Durante muito tempo, fui aquela pessoa que odiava carnaval, a ranzinza cuja frase mais frequente nesse período de fevereiro costumava ser “isso só é bom pra deixar São Paulo vazia”, obviamente sempre seguida de algum resmungo fazendo referência a bagunça, sujeira e gente muito bêbada.

Mas em algum momento pelos últimos dois anos, minha alma passou por um processo catártico  que devolveu o vigor de sua juventude em que, com a cara cheia de glitter no meio de algum bloco de rua onde eu não sabia bem ao certo como tinha ido parar, me dei conta de que, poxa, o carnaval pode ser bem legal! E foi aí que me transformei radicalmente em outro tipo de chata: aquela que em novembro já está resmungando “argh, e esse carnaval que não chega?! Suspende o Natal e vamo pro próximo feriado, galera, prioridades”.

E agora, para felicidade dos carnavalescos, os de nascença e os recém-convertidos, finalmente passamos a enrolação de fim de ano e chegamos ao que realmente importa. E como rainha do glitter em processo de formação, achei completamente vital que essa querida coluna de Moda & Beleza tivesse um post especial pra data.

Então vamos falar de maquiagens? Mas não qualquer maquiagem, mas o melhor tipo de todas: aquela que tem glitter saindo até pelas orelhas em um mundo em que não existe “tem coisa demais aí, amiga”.

 

O que NÃO fazer

“Ai, que chata você, já começa o post assim?”

É, migas, é que é necessário, porque assim como tem quem pense que cachaça é água, e cachaça não é água não, também há quem ache que o carnaval é uma bagunçona que acontece num vácuo descontextualizado das relações sociais do dia a dia, e que tudo tá liberado porque “é só curtição”. Pode até ser um período de se soltar e se divertir como a gente não faz normalmente, mas atitudes babacas continuam babacas sendo elas enfeitadas com confete ou não. Ou seja:

Black face, aquela brincadeira de péssimo gosto de pintar o rosto para “se fantasiar” de negro continua sendo um horror racista.

Apropriação cultural também segue enquadrada na categoria “zoado”. Então, amiga que não for indígena, não se envergonhe, não me envergonhe e não nos envergonhe, e deixe esse cocar no plano das ideias. Não é porque todo mundo no Coachella usa que você tem que usar também – afinal, já diria a minha, a sua e a nossa mãe: “você não é todo mundo”.

Ficar longe dos estereótipos na hora de se fantasiar também não é má ideia: gente, vocês sabem que as mulheres japonesas não andam pela rua vestidas de gueixas e que ser árabe vai muito além de usar um véu, né? Então sem preguiça na hora de escolher a fantasia, que tem um mundão de coisas aí fora que podem ser usadas sem ofender e diminuir a cultura de ninguém.

 

O que fazer

Basicamente, tá liberado qualquer coisa não-babaca. Qualquer coisa mesmo. Quer pintar “O Abraço” do Romero Britto no rosto? Sinta-se à vontade – eu inclusive quero fotos e seu endereço para mandar cartas de admiração caso você o faça. O bacana dessa época é tirar da gaveta aquelas coisas que você não costuma usar cotidianamente, tipo o batom azul comprado há anos que ainda tá lacrado, e fazer a festa. E, quem sabe, tomar coragem pra depois começar a usar no dia a dia também.

“Então, Laura, pra que serve esse post, se você só vai falar que pode tudo, só não pode algumas coisas?”

Tá, tá, é claro que vou dar algumas dicas, né? Basicamente, minha ideia geral é sempre jogar na cara tudo de brilhante que encontrar na minha casa e na casa de minhas companheiras de farra, bem nesse clima aqui, mas vamos ser mais específicas:

 

O que eu faço com esse glitter todo? 20 copy – O meu preferido são as bolinhas espalhadas por perto dos olhos, podendo ser embaixo, ali no ossinho da bochecha, ou em cima, contornando a sobrancelha. Revezo essa com a sombra rudimentar de glitter puro, que nunca te deixa na mão. Pra fazê-los bonitinho, pode ser bom improvisar um primer – já que às vezes só a oleosidade da pele não segura totalmente – e você pode fazer isso com base, hidratante ou protetor solar (o meu preferido) – é só espalhar no lugar desejado e depois jogar o glitter por cima. É especialmente bom pra quando você resolver fazer algum desenho espirituoso pelo rosto – tipo o Romero Britto já citado – porque deixa as linhas mais claras.

– Também é divertidíssimo usar aquelas lantejoulas com formatos, como as estrelinhas e corações. Adoro fazer uma espécie de sombra escorrida com elas, espalhando-as pela pálpebra inferior e a bochecha.

– Além disso, pra quem é mais discreta, também cabe usar como delineador, mas, a não ser que você tenha habilidades incríveis, é provável que seja necessário sair do faça você mesma e usar maquiagem de verdade, para evitar conjuntivites e outras chatices do tipo.

 

Mas eu nem gosto tanto assim de brilho…

– Então você tá no feriado errado, né? Brincadeirinha, você pode trocar o brilho por algo mais opaco, mas igualmente colorido, tipo aquelas maquiagens artísticas para circo e teatro. E ela é aplicável a qualquer um dos itens do glitter ali em cima, só que um pouquinho mais versátil, já que você pode fazer linhas com mais precisão.

 

E a boca? 20 – Como já disse lá no começo, essa é a chance de tirar as cores não usuais da gaveta: divirta-se com toda a escala Pantone em forma de batom, é tipo brincar de desenho livre na pré-escola.

– O glitter – obviamente – também entra aqui, e pode ficar incrível: é só passar um gloss como base, e dar uma bicadinha no pozinho. Só é bom tomar cuidado na hora de comer ou de dar beijocas, cuspir glitter durante semanas é meio desagradável.

– Outra coisa muito legal é fazer aquela boca completamente apagada com corretivo e pó compacto da cor da pele, pra se divertir à vontade no resto do rosto.

 

O cabelo entra nessas também?

Mas é claro, tudo entra!

– O meu preferido são aqueles apliquezinhos coloridos que foram febre nos anos 2000, que sempre têm umas cores absurdas e a presilha de strass que é 10/10. É muito legal para compor o penteado, principalmente em coques desconstruídos ou qualquer coisa que envolva tranças, porque fica uma corzinha charmosa perdida no meio do cabelo.

– As fitas de cetim também fazem o mesmo trabalho, e são ótimas porque você encontra de diversas espessuras, então dá pra brincar de colocar vários tipos de muitas cores espalhadas pelo cabelo.

– Tiaras, muitas tiaras! Aqui em casa tenho um chifre de unicórnio em fase de confecção, coroa de princesa, flores, já cogitei até pisca-pisca (infelizmente não deu certo). Qualquer loja de fantasias tem inúmeras opções, costuma ser o item mais baratinho que você pode conseguir e muitas vezes vale pela fantasia inteira. Devo dizer que ainda sonho com uma tiara de facada para chamar de minha.  

 

Era pra ser um guia breve, mas ficou gigante. Mesmo assim, ainda tem espaço pra muitas outras ideias, então, se você tiver alguma dica, pode mandar pra gente! Agora ‘bora curtir os blocos?

Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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