27 de outubro de 2017 | Ano 4, Colunas, Educação | Texto: | Ilustração: Guillermina Roburu
Redação do Enem: dicas para tirar nota mil
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Aí, migas, está chegando a hora! O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já está ali na esquina: vai rolar nos dias 5 e 12 de novembro (sim, este ano, a prova será aplicada em dois domingos). Como tá o frio na barriga? E o planejamento para essa reta final? Fato é que você pode contar com a gente até a hora da prova, quando vamos mandar aquele beijo e um abraço apertado desejando toda sorte do universo pra você.

Enquanto esse momento não chega, que tal dar mais um gás na redação? Tanto sabemos que essa é uma parte importantíssima da prova que já escrevemos um MANUAL SUPREMO (OU NÃO) DA REDAÇÃO: nele você vai encontrar o que é um texto dissertativo-argumentativo e como desenvolvê-lo para que estejam naquelas 30 linhas todas as cinco competências avaliadas pelos examinadores.

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Arte: Agência Brasil

Mas a gente cada vez quer mais. Por isso, conversamos com a Marcela Sousa Araujo, de 21 anos. Quer saber o motivo, né!? Fomos atrás de dicas para você. Dicas vindas diretamente de quem não só passou por esse processo todo, e ainda lacrou: Marcela foi uma das 77 pessoas que tirou NOTA MIL na redação do Enem em 2016. Ela achou um tempo na correria da vida de universitária (está cursando medicina na Unifacs, em Salvador/BA) para falar com a gente, e preparamos uma lista com cinco dicas dela. Olha só!

Treine muito

A reta final está aí, que tal produzir mais algumas redações para treinar também? Só assim você vai conseguir desenvoltura para escrever o tema proposto, mesmo que você não faça ideia do que vai cair na prova. O treino também pode te ajudar a se organizar na hora. Afinal, você terá uma hora a mais para: ler o tema e os textos de apoio + fazer o rascunho + passar a limpo. “Fazia uma média de duas redações por semana com os mais diversos temas e passei a conhecer diversas perspectivas de vários autores, além de entender mais sobre os temas propostos em sala de aula”, conta Marcela.

Use um cronômetro para contar o tempo

E na hora que estiver treinando, uma boa pedida pode ser deixar o relógio por perto e ver quanto tempo você gasta. Assim, dá para fazer ajustes e conciliar melhor o quanto você vai dedicar a cada parte. “Ah, mas eu nunca consigo fazer dentro de uma hora”, você pode pensar. Não tem problema, como a estudante de medicina explica: “Para mim, não funcionava com exatidão, mas é interessante porque você pode ter uma estimativa”.

Use temas antigos para treinar

É claro que os temas não vão se repetir, mas você pode começar a ter uma familiaridade maior com o tipo de questões que são abordadas na redação do Enem (lá no final, vamos deixar a lista de todos os temas propostos). “Quanto mais você escrever, mais positivo será o resultado”, afirma Marcela. Ouçam a moça, gente!

Não precisa estudar sozinha

E se está difícil encontrar as amigas porque tá geral maluca da vida estudando para o Enem, que tal reunir a galera num só lugar para se preparar? Assim, vocês podem tirar dúvidas umas das outras, ler as redações e dar dicas, além de ser uma maneira mais divertida de aprender. Marcela recomenda: “Um dos meus grandes diferenciais de 2016 (ela já tinha feito a prova em outros três anos) foi estar cercada de pessoas cujo objetivo era o mesmo que o meu. Nosso objetivo não era apenas a aprovação em medicina, ia muito além disso. O que eu e meu grupo de amigos queríamos era ser melhor a cada dia, não desistir. Estarmos juntos nessa caminhada foi extremamente importante. O cursinho é um tempo de muita pressão, dúvidas e estresse. Estar perto de quem te motiva a ser melhor e não te deixa desistir de você mesmo é, sem sombra de dúvida, condição sine qua non para alcançar o sucesso”.

Quer desenvolver melhor o texto? Leia!

Aí, amigas, não só é para redação do Enem como para a vida: ler é fundamental. Você aguça a criatividade, conhece novas palavras (e na hora de escrever vai arrasar com um vocabulário diferentão), começa a pensar em novas formas de construir as frases… Ler é muito importante. “Acho que a maior contribuição da leitura para a escrita é que ao ler podemos conhecer diferentes construções textuais e perspectivas e decidir qual se adapta melhor a nós. Além da possibilidade de conhecer uma gama enorme de sinônimos, que são bastante úteis em redações”, explica.

Agora, respira fundo e mãos à obra! Ainda tem um tempinho aí pela frente. Acredite em você, inspire-se nas dicas, leia também o nosso manual supremo da redação e vai com tudo! 😉

Claro que ajuda é sempre bem-vinda. Por isso mesmo, deixamos aqui a Cartilha do Participante para a Redação do Enem 2017, os temas propostos entre 1998 e 2016 e o texto da Marcela, que lhe rendeu a pontuação máxima no exame. Estamos com vocês, migas!

Temas da redação do Enem de 1998 a 2016

2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
2014: Publicidade infantil em questão no Brasil
2013: Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
2012: Movimento imigratório para o Brasil no século 21
2011: Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado
2010: O trabalho na construção da dignidade humana
2009: O indivíduo frente à ética nacional
2008: Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar
2007: O desafio de se conviver com as diferenças
2006: O poder de transformação da leitura
2005: O trabalho infantil na sociedade brasileira
2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação
2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo
2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?
2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
2000: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional
1999: Cidadania e participação social
1998: Viver e aprender

Redação de Marcela Sousa Araujo
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No meio do caminho tinha uma pedra

No limiar do século XXI, a intolerância religiosa é um dos principais problemas que o Brasil foi convidado a administrar, combater e resolver. Por um lado, o país é laico e defende a liberdade ao culto e à crença religiosa. Por outros, as minorias que se distanciam do convencional se afundam em abismos cada vez mais profundos, cavados diariamente por opressores intolerantes.

O Brasil é um país de diversas faces, etnias e crenças e defende em sua Constituição Federal o direito irrestrito à liberdade religiosa. Nesse cenário, tomando como base a legislação e acreditando na laicidade do Estado, as manifestações religiosas e a dissseminação de ideologias fora do padrão não são bem aceitas por fundamentalistas. Assim, o que deveria caracterizar os diversos “Brasis” dentro da mesma nação é motivo de preocupação.

Paradoxalmente ao Estado laico, muitos ainda confundem liberdade de expressão com crimes inafiançáveis. Segundo dados do Instituto de Pesquisa da USP, a cada mês são registrados pelo menos 10 denúncias de intolerância religiosa e destas 15% envolvem violência física, sendo as principais vítimas fieis afro-brasileiros. Partindo dessa verdade, o então direito assegurado pela Constituição e reafirmado pela Secretaria dos Direitos Humanos é amputado e o abismo entre oprimidos e opressores torna-se, portanto, maior.

Parafraseando o sociólogo Zygmun Bauman, enquanto houver quem alimente a intolerância religiosa, haverá quem defenda a discriminação. Tomando como norte a máxima do autor, para combater a intolerância religiosa no Brasil são necessárias alternativas concretas que tenham como protagonistas a tríade Estado, escola e mídia. O Estado, por seu caráter socializante e abarcativo deverá promover políticas públicas que visem garantir uma maior autonomia religiosa e através dos 3 poderes deverá garantir, efetivamente, a liberdade de culto e proteção; a escola, formadora de caráter, deverá incluir matérias como religião em todos os anos da vida escolar; a mídia, quarto poder, deverá veicular campanhas de diversidade religiosa e respeito às diferenças. Somente assim, tirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil mais tolerante.

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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