28 de outubro de 2014 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração:
Um guia não-tradicional para redação do ENEM
RedaçãoEnem-IsadoraM

Ilustração por Isadora M.

Acho que em todo canto da internet (e da vida, para alguns) estão anunciando quantas semanas faltam para o ENEM e uma coisa muito importante desse exame, e de qualquer vestibular, é a redação. Tem gente que sente calafrio só de pensar nisso, passa na cabeça todo o esquema que é ensinado em alguns cursinhos e coisas assim. Mas calma, a gente tá aqui hoje pra mostrar como fazer esse processo de produzir um texto ser algo um pouquinho mais bacana e que faça mais sentido pra você. Vamos lá, começando do básico.

#1 O que é um texto dissertativo-argumentativo?

Um texto dissertativo é aquele que expõe ideias e para ser argumentativo, ele deve apresentar coisas (argumentos) que vão defender essas ideias. Por isso é tão importante que exista uma coisa que os professores chamam de tese. A tese é uma frase simples onde você vai definir seu posicionamento. Isso ajuda muito a manter uma linha de raciocínio e não se perder nas milhões de coisas que você pode querer falar sobre o tema. Vou deixar um exemplo aqui embaixo porque essa conversa já tá muito abstrata. Exemplo: O tema da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no ano de 2002 foi “O que é ser homem e ser mulher em seu mundo e pra você”. Aí antes de começar a elaborar a redação, você tenta sintetizar em uma frase o que você pensa sobre isso, qual aspecto dentro desse universo você quer abordar, se vai fazer algo mais tradicional ou se quer explorar os valores de gênero, etc. Essa frase será sua tese. E ela já é um ótimo começo, essencial, na verdade.  

#2 Antes da Redação: Brainstorm – Nuvem de Ideias

Você pode fazer isso antes ou depois de pensar na tese, fica ao seu critério do que achar melhor, mas é interessante esse processo de anotar numa parte do rascunho tudo que te vem à cabeça ao ler a proposta de redação. Aí você pode filtrar as ideias boas, das que podem ser mais difíceis de desenvolver ao longo do texto, quais ideias casam e fazem sentido e essas coisas. Essa nuvem de ideias pode ter palavras, frases, o que você achar melhor, é um só uma etapa para você organizar sua linha de pensamento.  

#3 Escrevendo Essa parte aqui é onde o bicho pega. É quando bate aquele famoso “não sei o que fazer/ meu deus, não tenho inspiração/ como que faz um texto chato assim do nada?” e olha, gente, até hoje não sei. Fiz cursinho de Redação no início desse ano e só me ajudou para aprender a estruturação básica, que é: Introdução – onde você apresenta um contexto e inclui sua tese.

Desenvolvimento 1 – onde você começa a argumentar defendendo sua tese, é bacana colocar exemplos que ilustrem o que você está dizendo.

Desenvolvimento 2 – mais argumentos e mais exemplos.

Conclusão – Se possível retomar à tese e fechar o pensamento, sem precisar acrescentar ideias novas, apenas reforçar as que já foram apresentadas.

Empurram pra gente essa receita de bolo e depois ainda falam que é só a gente defender ideias básicas e com bom senso, principalmente no ENEM, que é um exame do governo e pede, explicitamente, que se respeite os direitos humanos. Mas aqui entre nós, isso é algo tão básico, deveria estar em todos nós já esse senso de respeitar o próximo, que fazer uma redação só com argumentos clichês e que falem bonitinho o que o corretor quer ler se torna algo, no mínimo, broxante. Um mecanismo que eu encontrei para conseguir me desbloquear e escrever redações foi associar aos temas coisas que gosto de falar sobre, como feminismo, usar elementos da cultura pop e essas coisas. De repente ficou mais “ok” fazer redação, porque aquilo ali defendia algo que eu realmente acreditava. Em uma redação pra escola cujo tema era “A Infância na era da tecnologia” citei o Studio Ghibli, minha paixão, e o filme Frozen, como exemplos que defendiam minha tese de que a infância dos dias atuais ainda tem a mesma magia do que a dos nossos pais ou avós, ela apenas se utiliza dos benefícios de sua época. Eu fiquei muito feliz, não só porque meu resultado foi bom, mas também porque consegui falar de algo que gosto e admiro.

Falei com amigas sobre esse assunto, já que é algo muito do dia-a-dia de vestibulandas, e o que elas me disseram sobre fazer redação e o que fazem para tornar tudo mais suportável foi o seguinte:

 “Eles pedem para a gente demonstrar o tal do ‘grau de informatividade’ né? Então tem que ter toda aquela coisa de mostrar ter conhecimentos gerais e eu gosto que isso tenha a minha cara. Gosto de falar de coisas que eu gosto, usar citações de pessoas que gosto e essas coisas. Não suporto a preocupação excessiva com o 1000. Pra mim, a redação tem que ser algo meu.” – adaptação da fala de Anna Prestes, 17 anos.  

“O modelo do ENEM é muito impessoal e não tem tanta interdisciplinaridade como acham que tem. Então eu gosto de fazer algo mais pessoal, que seja mais meu, gosto de citar coisas relacionadas à filosofia, que é uma matéria que gosto muito… E no final das contas, depende muito do corretor que pegar minha redação pra corrigir né? Então, eu vou fazer pelo menos algo que eu goste.” – adaptação da fala de Claudia Soares.

Mil desculpas se esse não foi um post esclarecedor sobre como fazer passo-a-passo uma redação. Mas acredito muito que ao pensar em tornar esse processo mais bacana e lúdico dentro do possível, a gente acaba tomando gosto pela nossa voz e capacidade de expor nossos ideais. Daí o mil vem no natural e se não vier, não tem problema, o importante é aquele clichêzão de que você, pelo menos, tentou o seu melhor. E boa sorte pra todo mundo no ENEM, capitolindas!

P.s.: Como não só de guias não-tradicionais vive a vestibulanda, separamos uns links para ajudar na hora de redigir a redação do ENEM:

Guia oficial do ENEM
Dicas para redação

E o site aulalivre.net dá dicas de redação em módulos de vídeo-aula.

 

Fernanda Brandão
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão

Tenho 18 anos, moro em Porto Alegre e curso Artes Visuais na UFRGS. Gosto muito de cidades grandes, feminismo e filmes do Studio Ghibli. Acredito fielmente que sou filha do David Bowie.

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