11 de abril de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Helena Zelic
Relacionamentos com caras mais velhos e o que há de errado com eles

[*Em resposta aos comentários que recebemos na página da Capitolina, sentimos o dever de esclarecer alguns pontos acerca dessa matéria:

O presente texto tem o objetivo de problematizar as relações de garotas com homens mais velhos. De forma alguma, pretende-se dizer que as relações heterossexuais são erradas/perigosas, tampouco ir contra os relacionamentos de casais cujos parceiros tem diferença de idade, muito menos de afirmar que isso não acontece em relacionamentos homossexuais. A intenção é trazer à tona os aspectos problemáticos de um relacionamento hetero de garotas com homens mais velhos, especificamente, pois foi a visão trabalhada no texto. Pelo fato de se escolher uma visão, não significa, necessariamente, que desconsideramos as demais. Foi tão somente um viés. Procurou-se, inclusive, deixar claro no texto que se em condições mais próximas, a mulher já tem uma chance alta de entrar num relacionamento abusivo – justamente porque o homem exerce poder sobre a mulher no modelo patriarcal de relacionamento -, quando há fatores que as distancia ainda mais do homem, essa tendência ao abuso pode aumentar. Não quer dizer que vai, mas que pode.

Além disso, vale ressaltar que em qualquer ponto do texto onde é tratado sobre a questão das relações de poder no relacionamento hetero, está somente abordando como a sociedade, em geral, vê os papéis da mulher e do homem num relacionamento baseado no modelo patriarcal.]

 

Já falamos aqui na Capitolina de como relacionamentos afetivos podem ser abusivos, como relações livres podem ser problemáticas, e como relações entre professores e alunas podem ser invasivas. E, de modo geral, todas essas situações têm um denominador comum, que é a hierarquia de poder que se estabelece entre os gêneros em um mundo patriarcal. Hoje falaremos de um exemplo em que muitos desses aspectos estão presentes: relacionamentos com caras mais velhos.

 

Heterossexualidade compulsória e abusiva

Um relacionamento, por si só, tem seus problemas. Pessoas são inseguras, podem ser carentes, podem estar passando por uma fase difícil, enfim… Diversos aspectos que fazem um relacionamento ser algo delicado. Só que em uma relação heterossexual as coisas se tornam ainda mais complexas, porque há uma cultura que 1) torna esse modelo o “normal” na sociedade, fazendo da heterossexualidade uma orientação compulsória e 2) a heterossexualidade é baseada em uma relação de hierarquia entre os gêneros, onde o homem exerce poder sobre a mulher. Essa hierarquia é naturalizada, como se uma mulher só estivesse plenamente feliz na companhia de um homem. Desse modelo é que resultam inúmeras relações abusivas, onde parceiros agridem verbal, moral e fisicamente suas parceiras, fazendo uso da cultura patriarcal para obter privilégios mesmo em uma relação afetiva. Exemplifico: é muito comum um parceiro ser extremamente ciumento com a namorada e, ao mesmo tempo, ser bastante infiel; ou seja, ele exerce total domínio sobre a vida da garota, ao mesmo tempo que se exime da responsabilidade afetiva com ela. E tudo isso é visto como natural…

 

A diferença de idade e a falácia do “você não é como as outras”

Se em uma relação heterossexual a mulher já está vulnerável a vivenciar um relacionamento abusivo, sendo uma situação complicada mesmo quando o parceiro é da mesma faixa etária, imaginem como a relação de poder se intensifica quando há o componente da diferença de idade. Aprendemos que somos fracas, dependentes e paranóicas frente a um cara com quem estamos envolvidas. Esse discurso se torna aproximadamente um milhão de vezes mais poderoso quando é encaixado na narrativa perfeita da garota (ingênua) que se apaixona pelo homem (maduro). Ela nunca vai se sentir segura, e ele, obviamente, vai se aproveitar disso para as mais variadas formas de controle e abuso.

Só que, ao mesmo tempo, esse cara vai se utilizar de uma outra retórica bastante difundida e que contém um apelo enorme no imaginário das garotas, aquela velha falácia do “você é diferente das garotas da sua idade, você é mais madura”. Primeiro que não, não somos diferentes entre nós e um homem se aproveitar da inimizade promovida entre mulheres é um sinal evidente de apropriação desse discurso para reforçar uma diferença que, no final das contas, é maléfica para nós mesmas e benéfica para ele. Segundo que esse cara quer, irresponsável e deliberadamente, impor uma visão própria da garota sobre ela mesma: apesar de ser mais nova, mais inexperiente, e obviamente menos madura, sobretudo sexualmente, ele quer fazê-la acreditar que ela está preparada e, mais, está sendo privilegiada, para bancar uma relação afetivo-sexual com ele.

Consenso forjado e a cultura do estupro

Uma garota que está em uma relação com um parceiro mais velho é vista, de maneira geral, pelas amigas e pela família, como uma “sortuda”, afinal, ele já tem uma carreira estável, bens materiais, é inteligente e maduro, diferente desses moleques da idade dela. Aqui se expressa outros grandes perigos desse tipo de relação: a dominação material e a coação.

Que garota seria boba o suficiente pra rejeitar um cara desses? Que tem carro, pode pagar o jantar, que enche ela e a família de presentes… E já que essa garota ainda é jovem e está na escola, no máximo na faculdade, ainda não está páreo financeira nem intelectualmente ao seu parceiro. Assim, nada mais óbvio do que ela retribuir com o consenso a essa relação e, no limite, com sexo.

Essa é uma das situações mais violentas dos relacionamentos com caras mais velhos: a coação sexual de uma garota. Já que o parceiro é mais experiente, já teve outras parceiras, é mais velho, a garota se sente na obrigação (e essa obrigação lhe é imposta por todos os lados) de ser ativa sexualmente. Mas ninguém sequer se preocupa com o fato de que essa opção geralmente é tomada sob a pressão que a garota sofre, o que faz o consenso, aparentemente compartilhado pelas partes, ser forjado de maneira invasiva.

Leia mais:

Aqueles caras mais velhos que são tããão legais!

Caso Idelber: Não é do campo judiciário ou moral, mas ético e político

Manifesto Eu Sou Como As Outras, por Daniela Lima

 

Gabriella Beira
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Gabriella Beira é formada em Relações Internacionais e, como qualquer "internacionalista" (é assim que se chama a pessoa que estuda RI), quer conhecer o mundo todo e, se possível, mudar o mundo. Gosta muito de falar sobre educação, cultura, sociedade e feminismo, mas seu hobby mesmo é jogar Plants vs Zombies. É impaciente, procrastinadora, irmã mais velha e aluna mediana.

  • Danilo Sanches

    Muito importante o texto! Até pra homens que podem estar reproduzindo este comportamento só pq “assim é e assim sempre foi “.
    Só achei q a discussão poderia avançar mais (problema da necessidade de textos curtos ou eu que leio pouco e quando realmente gosto fico querendo ler mais)

  • André Diniz

    Ótimo texto, Gabriella! Parabéns! Tenho algumas conhecidas que seguiram pelo caminho da “segurança” e hoje em dia vivem confortavelmente, mas em relacionamentos extremamente problemáticos…

  • Laura Mascaro

    Gabriella, tenho que discordar da sua visão. Acho que a princípio coloca a mulher mais nova em uma posição de ingenuidade, sem capacidade de pensar por si própria e altamente influenciável. Não sei se é assim. Apesar de existirem as pressões que você descreve, não consigo olhar para uma mulher jovem como incapaz de perceber essas pressões e tomar suas decisões.

    • Sabrina Teixeira

      Laura, acho que vc está pensando com a cabeça de alguém mais velha, que já leu bastante sobre feminismo, passou por faculdade, outros parceiros e muitas tretas. Pense nesse como um texto para garotas que estão começando na vida. Essa situação não chegou a acontecer comigo quando eu era mais nova, mas me vejo como uma das garotas que cairia nesse papinho…

  • Ana Luiza Barreto

    Acho extremamente generalista a sua visão, Gabriella, como disse a Laura ali em baixo, não necessariamente uma menina mais nova é tão ingênua assim, e acredito eu que colocar todas as meninas mais novas, da forma generalizada como você fez, nesse papel é, no mínimo, bastante problemático, já que existem muitas mulheres que sofrem com os mesmos problemas em relacionamentos (seja qual for a diferença ou não de idades) e não saem deles por uma questão de ingenuidade ou de medo. O que estou querendo dizer é que o problema que você cita não ocorre só quando a garota é mais nova que o cara. Ele também ocorre em relacionamentos em que a mulher tem o mesmo nível intelectual, a mesma idade, o mesmo nível sócio econômico, etc, etc, etc… Sempre existem formas de homens desse tipo coagirem mulheres que estão vulneráveis e essa vulnerabilidade não vem necessariamente de uma questão de faixa etária ou social, ela pode sim vir de uma questão psicológica da mulher.

  • Mila

    Li tanto o texto como o das Blogueiras Femininas. Não sei como lidar bem com a questão colocada pelas blogueiras feministas. Tentarei ser o mais clara possível para evitar mal entendidos.

    Acho que o caminho para empoderar meninas, adolescentes e mulheres é o discurso positivo, que reforce a autonomia da pessoa. É essencial. Precisamos de mais textos e livros que reforcem a auto estima de meninas e mulheres.

    O problema é fazer isso sem pintar a realidade de cor de rosa e sem colocar na costas da pessoa a responsabilidade de mudar o mundo. Vivemos numa realidade não muito agradável para mulheres, sim. Por isso que somos feministas, né. Por exemplo, anos atrás, li um artigo sobre uma pesquisa – feita nos EUA – que falava que adolescentes (sexo feminino) que namoravam homens mais velhos (pra ser exata: com cinco anos de idade de diferença ou mais) tinham o dobro (ou o triplo, não tenho certeza, na dúvida, vamos errar pra menos) de probabilidade de sofrerem abuso emocional, físico, sexual, engravidar na adolescência ou contrair DST que adolescentes (sexo feminino) da mesma idade que se relacionavam com adolescentes (sexo masculino) mais novos, da mesma idade ou até 4 anos mais velho. Claro. Ideal seria que eu tivesse a pesquisa em mãos e aí poderíamos discutir a pesquisa. Acho que o aconselhável seria que em textos sobre o tema seja reforçado a questão da probabilidade, evitar qualquer elemento que torne o texto determinista – ou possibilite esta interpretação. Não é porque você é mais nova e ele mais velho que o relacionamento é necessariamente abusivo. E, naturalmente, deve-se deixar claro que não se deve colocar no mesmo contexto o relacionamento de uma adolescente de 15 com um rapaz de 20 anos com o de uma mulher de 30 anos com um homem de 35 anos. Não é a mesma coisa, claro.

    Agora, por outro lado, não gosto deste discurso de que “estando fora de um relacionamento não temos como avaliar completamente as dinâmicas internas”. É claro que eu não estando em um relacionamento, não sei o que está acontecendo. Por isto acho que Não é certo analisar, sob a perspectiva feminista, o relacionamento da Fulana e da Sicrana. Não acho que a gente deva individualizar a questão. Mas acho bem perigoso essa conversa de se achar diferente das outras meninas da sua idade, das mulheres a sua volta, que com você e suas amigas é diferente.

    Acho que devemos evitar dar um caráter muito pessoal ao texto – a menos que fique bem claro que você está falando de sua experiência, de que é um relato pessoal.

    Do mesmo modo que textos muito crus sobre a realidade podem não contribuir para a autonomia das mulheres, textos com um viés que dê muita autonomia ao sujeito, ignorando o contexto, podem levar a uma ideia utópica da realidade, jogar na menina ou mulher a responsabilidade por estar em um relacionamento abusivo e afastar aquelas que, infelizmente, estão nas estatísticas e procuram ajuda e suporte – já vi feministas reclamando disso em alguns textos.

    Tratar uma adolescente de 14 anos com autonomia é importante. Claro que ela já tem certa autonomia sobre sua vida e que temos de reconhecer isso, que ela já é capaz de tomar decisões. Mas, por exemplo, fazer parecer – mesmo que sem querer – que ela terá autoridade e conseguirá se impôr da mesma forma que um rapaz de 24 anos é um pouco demais…

    Esse debate do texto que reforce a autonomia x texto que reforce o contexto ainda vai muito longe.

    • Débora

      Gostei disso. Concordo! Não é tão simples assim.

    • Dan Ica Rebel

      Essa questão da autonomia sempre volta pra mim… tendo a acreditar que é o sujeito que cria e transforma as estruturas, e não o contrário, que a estrutura determina os sujeitos…

      Eu falo por mim agora: com 14/15 anos eu tinha libido e tesão, namorava sempre caras mais velhos e ainda hoje vejo que todos eles e tudo o que aconteceu dentro deles foi por escolha minha, com o meu consentimento e meu desejo.
      E vamos combinar que geralmente os caras com 14/15 anos tavam brincado de lego, de peidar na cara do outro… eu não tinha mta vontade de estar perto deles…

      Claro que não quero tomar o meu caso particular como geral, mas também não quero que fique a impressão que NECESSARIAMENTE toda garota que está envolvida em relacionamentos com cruzamentos geracionais o faz por ser imatura, por coação, porque o cara tem bens materiais… as vezes ela só tá afim mesmo, com desejo…

      Não nego porém, que em todos relacionamentos há jogos de poder, disputas, barganhas, e boto fé que quem já viveu mais pode ter mais malícia pra obter determinadas conquistas… Mas boto fé também que tem muita novinha por aí que dá um baile nos caras, que deixas eles no chão, que joga todo um jogo buscando obter suas vantagens… Mas quero acreditar que todo relacionamento tem seus momentos de troca e de carinho, que ambos os lados se apegam pra manter a relação.

  • Anna

    Texto maravilhoso. Já estivesse nessa situação e não recomendo para ninguém.

  • Débora Luiz

    Concordo com o que o texto diz, se a relação mostrar pessoas nessa situação. Mas existem outras, e apesar de ser exceção, sou 30 anos mais nova que o meu marido, mas tive muito mais experiências que ele antes do nosso casamento. E ele nem liga pra isso. Eu era diferente das mulheres da minha idade? Ou ele era diferente dos caras da idade dele? Eu acho que os dois. Sei que, na teoria, quem tem mais idade, tem mais experiência. Mas, no final das contas, experiência conta mais do que idade.

  • http://coisasafiins.blogspot.com Ana Luiza

    Texto muuuuito importante! Pode parecer muito convidativo da primeira vez mas depois o relacionamento pode e tornar assustador. Ótimo texto!
    Beijos,
    Nalu
    http://www.coisasafins.com

  • alexisrc

    Olha não acho saudavel no geral um relacionamento de um adolescente com um adulto independente do sexo, uma Mulher de 30 anos namorar o garoto de 15 também é problematico porque a questão central é a diferença de maturidade. Quanto a pressão por peder a virgindade é sofrida mesmo em namoros na mesma idade, pois para os homens a perda da virgindade é algo todalmente diferente da mulher, incluisve o rapaz de 18 anos virgem e visto como um esquisito, cabaço etc, por isso os meninos tendem a perder a virgindade antes das garotas existe uma pressão muito maior pra que iniciem a vida sexual logo, porque sem isso não são homens. Ja conheci muitas garotas que viverem isso com namorados da mesma idade, alais acho de todas as minhas, minhas relações não conheço um só casal que perdeu a virgindade junto isso é raro e é bem obvio que se o pareceiro for sexualmente ativo vai existir essa pressão para a garota em alguns casos mesmo sendo ela 1 ou dois anos mais velha do que o namorado.O problema ´é que não pode ser bom um adulto namorando uma adolescente ou vice e versa. a maturidade emocional é totalmente diferente. Não consigo acreditar que um garoto de 15 anos não seja manipulado por uma mulher de trinta so porque a sociedade é patreiarcal aos 15 anos um rapaz não tem um pingo de maturidade emocional ja uma mulher feita e vivida tem de sobra, então pra mim essa questão vai muito além do machismo. Não vou dizer que seja regra que um relacionamento nesses moldes seja abusivo mas acha muito dificil não ser.

  • Elaine Rodovalho

    Continua o texto Gabriella, estava indo por um caminho ótimo!

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  • Amanda Godoi

    Eu tomaria cuidado com a forma de falar, você descreve a mulher sempre como frágil e o homem sempre como monstro, vamos combinar que ta sendo machista ne, a mulher não é vitima de ninguém, não em todos os casos e nem sempre o homem quer se aproveitar, digo isso pela relação que tenho com meu namorado e que vejo entre muitos outros casais de diferentes classes sociais e níveis intelectuais, meu namorado é um doce, respeitoso e companheiro, é 10 anos mai as velho que eu, agora, antes disso, eu namorei uma garota 7 anos mais velha que eu, era super machista com ela e ela era frágil diante de mim, não existe problemas em relacionamentos com homens mais velhos e sim em relacionamentos onde não existe respeito, dialogo e companheirismo

  • Natalia Alvares

    Sinceramente? Um cara de 15 geralmente é um babaca. Como a amiga disse ai em baixo, curte brincar de peidar um na cara do outro. Passei dos doze aos 19 me relacionando apenas com caras mais velhos. Foi fundamental para meu crescimento. Teve situacoes abusivas? Provavente, visto que quase todos os relacionamentos passam por isso. Precisaria parar para refletir. Agora, uma coisa qur ja afirmo de antemao é que eu com 14 seria incapaz de me relacionar com um cara de 14. Procurava caras mais velhos nao porque achava que eles era melhores, mas porqur achava que eles eram tao “””bons”” quanto eu. E tenho certeza que muitas meninas passaram por isso, total incompatibilidade com homens de sua idade.

    • http://www.facebook.com/ouridolspage Lari Brisolla

      Natalia, eu tenho 16 pra 17 e sempre convivi com amigos e vizinhos da minha idade; tentava brincar, acompanhar o ritmo, mas a partir de um momento parou de ter graça e de fazer sentido quase tudo o que eles diziam e faziam. E quando eu dei de cara com o feminismo (e até antes de ler, experienciar e conhecer mesmo, quando só não entendia e problematizava) – com certeza tenho muito a descobrir ainda – eu percebi que enquanto eu tentava ficar perto deles o que eu fazia era praticamente agir como eles com piadas preconceituosas, olhares machistas meus pra outras mulheres e comportamento infantil, por aceitação mesmo, e eu comecei até a me envergonhar disso. Aí, quando comecei a conviver com gente mais velha (tinha 14 pra 15), eu percebi que eles não pensavam muito diferente de mim, que eu podia conversar com eles numa boa sem que eles começassem a gritar uns com os outros do nada por graça e essas fitas, sabe? E desde então eu saio e me divirto com caras que têm pelo menos 20 anos porque, apesar de achar uns babacas no caminho, nessa faixa etária as pessoas em geral já decidiram mudar muita coisa nas próprias vidas, já aprenderam a agir muito melhor do que quando tinham 18 e melhor ainda do que quando tinham 15, sentem a responsabilidade de uma faculdade, de um curso técnico, do emprego, de contas e experienciam coisas diferentes que eu não conheço ou sabem de mais coisa que podem me dizer, me ensinar e eu não preciso me submeter a nada e a ninguém por isso.
      Sabe, eu nunca namorei, nem pretendo agora, mas pra mim o legal é aprender com gente mais velha o que eu não sei ou o que eu vou ter que passar, as cobranças, as decepções, as mudanças e de certa forma eu me preparo, além de me divertir. Acho super válida sim, apesar de nunca ter tido um relacionamento “de verdade”, a diferença de idade; até porque, problematizar sob o viés errado só gera mais constrangimento pra casais que já sofrem com olhares maldosos de quem não aprova a relação.
      Enfim, cada vez mais eu vou me aproximando desse meu “limite” e vejo que esse problema de as ideias não cruzarem vai diminuindo (até porque, com a minha idade eu nunca sairia com alguém mais novo por experiência própria kk) e eu posso ou não sair com caras da minha idade quando eu quiser porque não vai ser um sacrifício ficar perto e aguentar as brincadeiras e piadas desnecessárias – só de certos babacas, né – e eu não vou ter que precisar de um limite como, tenho pra mim, eu preciso hoje. Só queria compartilhar hahah

  • http://mymelancholiesblues.tumblr.com Ana Rebecca.

    Excelente texto, Gabriella e equipe Capitolina! Concordo em absoluto, única coisa que talvez eu tenha sentido um pouco de falta no texto – mas, justificável já que este em momento algum era seu objetivo – era dar uma pincelada de leve no cenário de mulheres acima de seus 20 que entram em relacionamento com homens beirando seus quase 60. Acredito que nessa outra situação, role mais uma manipulação financeira/de status social do que de fato psicológica/emocional. A mulher em seus vinte e poucos acaba muitas vezes se voltando a relacionamentos com homens muito mais velhos porque a sociedade a convence a acreditar que isso é o melhor que ela faz, e aí acaba caindo naquelas situações em que o homem exerce poder sobre ela através de chantagens relacionadas a dinheiro, etc.
    Seguem divando as moças daqui! Força!

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  • Vila

    Gente, pelo amor da Deusa, parem de se colocar como o centro do universo e trazer casos pessoais para uma discussão SOCIAL. Não dá pra falar do plano social sem generalizar, imaginem o tempo que ela perderia pra especificar cada exceção e o quanto de fluidez o texto não perderia por isso. Também me relaciono com um cara bem mais velho e EU SEI que o meu caso é diferente diante das circunstâncias e da nossa vivência, mas da mesma forma SEI que na esmagadora maioria dos casos acontece exatamente o que a autora explicou. Então, por favor, pensem melhor nisso antes de dizer que ela tá generalizando.

  • Mayra

    A crítica é muito válida, mas precisamos entrar numa outra discussão: auto estima feminina. Hoje em dia fala-se de empoderamento feminino (infelizmente uma argumentação muito utilizada pelo capitalismo).
    Eu tenho 25 anos e namoro um cara de 58. Ele é 33 anos mais velho do que eu, mas não há uma hierarquia no nosso relacionamento, mesmo com as nossas diferenças de idade e financeira. Por que isso não ocorre? Porque eu não me vejo menos do que ele, eu não coloquei ele num pedestal ou como o grande salvador da minha vida. Os homens agem de forma hierarquizada diante das mulheres porque as mesmas permitem (sim permitem)! Precisamos sempre quebrar as imposições sociais! Debater e problematizar é importante, mas antes de sairmos julgando fulando e ciclano enquanto “machista opressor”, em qual momento permitimos que eles se vissem melhor do que nós? Precisamos falar sobre a nossa auto estima que é o fundamental para que não aceitamos qualquer tipo de opressão. Infelizmente a sociabilidade masculina é terrível na nossa sociedade. Precisamos, acima de tudo, saber que nós fazemos parte dessa sociedade e que as contruímos, não apenas somos conduzimos à ideologias dominantes e agimos conforme a maré sem questionar essas imposições sociais. A partir do momento em que identificamos essas falhas é onde precisamos mudar. O feminismo tem que ser mais político e mais abrangente, estamos presas ao “eu”, a nossa própria existência no sentido individualista. Falar também sobre experiências que do qual não vivenciamos é um erro grave. Como dito anteriormente, opressões existem em qualquer relação e voltando a falar sobre a sociabilidade masculina, os homens mais jovens, na faixa dos 20 e poucos anos até os 30 e poucos, quando solteiros, não buscam relações afetivas que sejam duráveis, ainda mais na nossa sociedade atual em que em tempos de Tinder somos todas descartáveis. Os homens mais velhos quando buscam uma relação, ainda assim é uma relação duradoura, justamente por terem sido socializados num outro tempo. Tempo este que, o debate sobre o machismo ocorria de forma menos livre como nos tempos atuais. Os conflitos sempre existirão, cabe a nós sabermos lidar com eles e não generalizarmos nenhuma situação ou impor regras nas nossas relações.
    Obrigada

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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